Foram prorrogadas por mais cinco dias, a partir desta sexta-feira (28), as prisões de três suspeitos de envolvimento no esquema de fraude para furar fila de exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Florianópolis, segundo o Ministério Público de Santa Catarina. Quatro presos foram soltos, um na quinta (27) e três na quarta-feira (26), conforme o promotor Alexandre Graziottin.
"A prisão temporária tem por objetivo aprimorar pontos da investigação e consideramos que a parte do trabalho com estes quatro que foram soltos já está concluída. Agora, os outros três permanecem em prisão temporária enquanto damos continuidade à investigação", informou Graziottin.
Os sete suspeitos, quatro deles vereadores, foram presos na segunda (24). O oitavo é considerado foragido até a manhã desta sexta. Os quatro soltos são três vereadores de São João Batista e um motorista da prefeitura, vereador eleito para a próxima gestão. Os que tiveram a prisão prorrogada são um vereador de Biguaçu e dois servidores públicos de Florianópolis.
Segundo o promotor, políticos intermediavam o contato entre pacientes e um servidor com acesso ao sistema de marcação de exames do Hospital Celso Ramos. As investigações começaram em novembro de 2015. A operação foi chamada de "Ressonância", um dos exames pelos quais os pacientes pagavam para furar a fila.
Moradores de São João Batista contaram a reportagem da RBS TV que o esquema de troca de votos por favorecimento para furar a fila do SUS já acontecia há muitos anos na cidade. Eles afirmam que vereadores já se elegeram e reelegeram por meio do esquema.
Manoel Airton Pereira, o Bilico, do PP, está no quinto mandato consecutivo e foi o vereador com maior número de votos de Biguaçu no pleito de 2 outubro deste ano. "O que ele fazia efetivamente era encaminhar as pessoas para a realização dos exames, sem qualquer pagamento ou recebimento de valores", disse o advogado do político, Anderson Nazário.
Em São João Batista, foram presos Carlos Francisco da Silva, o Carlinhos, que deve exercer o oitavo mandato em 2017, Sebastião Formento, que atualmente é vereador, mas será suplente em 2017, além de Alécio Boratti, eleito pela primeira vez para o mandato de 2017. Todos integram o PP.
"O que era feito era um auxílio, como transporte, para que as pessoas fossem ao hospital, mas não havia propina", afirma Nelson Zunino Neto, advogado dos vereadores de São João Batista, que foram soltos.
No esquema, segundo o Gaeco, os pacientes levavam um envelope com o dinheiro, o pedido do médico e o cartão do SUS. Entre R$ 200 e R$ 600 eram pagos para o servidor do estado passar pessoas na frente na fila de exames de ressonância magnética e tomografia no Hospital Celso Ramos.
Pelo menos 50 exames foram adiantados com fraude. As negociações ilícitas eram feitas nos fundos do hospital, em um lugar conhecido como "barraco", ou em um quiosque perto da unidade de saúde.
A princípio, conforme o Gaeco, médicos e pessoas que trabalham no quiosque não têm nenhum envolvimento. Assinaturas e carimbos de médicos foram falsificados. A denúncia do esquema partiu da própria Secretaria de Estado da Saúde.
Os crimes apurados são falsidade ideológica, inserção de dados falsos nos sistemas de informação, corrupção passiva e crimes eleitorais.
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