Após denúncia, SC estuda mudar processo de contratação de ACTs - Jornal Cruzeiro do Vale

Após denúncia, SC estuda mudar processo de contratação de ACTs

13/10/2016
Após denúncia, SC estuda mudar processo de contratação de ACTs

Após a denúncia na segunda-feira (10) sobre professores que compram certificados de cursos de aperfeiçoamento para participar de processos seletivos e de progressão de carreira, a Secretaria de Estado da Educação informou que estuda a mudança no processo de contratação de professores temporários, os ACTs.

A próxima contratação de temporários tem prova marcada para o dia 23 de outubro. “Nós pretendemos nesta semana, até sexta-feira (14), tomar uma decisão: se alteramos o edital, se há essa possibilidade, e quais os impactos jurídicos", disse o diretor de gestão de pessoas da secretaria de Educação, Valdenir Krueger.

Neste concursos, estão previstas contratações de ACTs para escolas de todo o estado. São cerca de 42 mil candidatos, conforme a RBS TV.

Secretaria municipal diz que vai investigar certificados

A secretaria municipal de Educação de Florianópolis, que também teve um professor denunciado pela venda de certificados falsos na reportagem, informou que vai investigar o histórico de certificados aceitos em processos de ACTs.
"Vamos tentar buscar nos últimos cinco anos, de todos os certificados, e vamos verificar se essa situação ocorreu com outros professores", explicou o assessor jurídico da secretaria de Educação de Florianópolis, Roger Andrade dos Santos.

A secretaria também abriu uma sindicância interna para apurar as irregularidades e vai pedir o afastamento do professor Andrei Aderbal da Rosa. “Por se tratar de um professor substituto, contratado em caráter temporário, a assessoria vai solicitar que seja feito o afastamento prévio do professor, imediato, para que se possa fazer a apuração dos fatos", complementou Santos.

Por telefone, o professor informou à reportagem do Jornal do Almoço que trabalha com a venda de cursos de capacitação e aperfeiçoamento e não com a venda de certificados, como foi mostrado na reportagem.

Em nota, a secretaria de educação de São José disse que os professores mostrados na reportagem não fazem parte da rede do município desde 2014 e que uma comissão foi criada para apurar os fatos com processo seletivo em andamento. O órgão também diz que não vai aceitar CNPJ das empresas citadas na reportagem.

O sindicato informou que todas as denúncias devem ser apuradas. “Cabe à própria polícia investigar e depois, ao judiciário, julgar e punir esse tipo de atitude”, disse o secretário de politicas educacionais e culturais do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinte), Luis Carlos Vieira.

Denúncia

Uma reportagem flagrou professores de escolas públicas em Santa Catarina que que compram certificados de cursos de aperfeiçoamento. A equipe comprou dois certificados para comprovar a fraude. Os títulos serão entregues na tarde desta terça (11) ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).

Para participar de uma seleção de contratação temporária, é preciso realizar uma prova escrita e outra de títulos. Quanto mais qualificação, mais pontos na seleção. Os melhores posicionados têm direito, entre outros benefícios, a escolher a escola, turma e horário de trabalho.

"Quando a gente questiona esse assunto e fala que não é certo, não acha justo, todo mundo diz: é normal", conta uma professora de uma escola de São José, na Grande Florianópolis. Segundo ela, outros professores oferecem a venda de curso de formação continuada nas próprias escolas.

"Uma compra direta. A gente escolhe a área, paga o valor, que é correspondente à carga horária, e na semana seguinte recebe o certificado. Muita gente diz que nem estuda, sempre tem uma boa colocação porque compra o curso, tem sua vaga garantida", denuncia a professora.

Compra facilitada

A reportagem procurou uma professora suspeita de vender certificados. Por telefone, ela confirma que realiza o comércio. "Tudo certificado do MEC, tá? O pessoal está fazendo de 300 horas porque os municípios estão pedindo 300, 250. Eu vendo desde 2010, aqui em São José, nunca deu problema".

A professora ainda conta que foi diretora-adjunta do colégio municipal Maria Luiza de Melo, conhecido como ´Melão´, que conta com 2,3 mil alunos e 150 professores. Ela realizava a venda no local.  "Ali no Melão já vendi mais de 200 para a galera, para toda rede, sabe?", falou à reportagem.

"95% não quer fazer o curso. Aí eles pagam R$ 25 pra fazer o curso. Eu tenho outra menina, ela faz.  no final eu te entrego. Aí vem teu nome, o curso, quantidade, o valor, tudo", disse a professora.

A própria professora confessou ter fraudado o próprio certificado. "Eu garabito português, mas eu zero conhecimentos gerais porque não sou daqui, sou gaúcha. E eu faço todo ano o processo seletivo, e isso eleva bastante a minha classificação, tá? Eu até brinco com as gurias, coloca uma folha branca embaixo do travesseiro e uma caneta, e tu acorda o trabalho tá pronto", conta.

Professores efetivos também estariam comprando certificados, mas para aumento de salário. Cada certificado tem um carga horária e quando o professor acumula um número fixo de horas de curso, ele recebe um aumento, uma progressão na carreira.

Fonte G1

Comentários

Eliane Gasparetto
27/10/2016 13:43
Não gostaria de me identificar por medo de sofrer represália em meu trabalho, mas aqui na minha escola Alberto Schmitt no município de Ilhota tem uma professora chamada Sidriana Eger efetiva ela e o esposo que trabalha como Coordenador da escola, este ano no início também fizeram venda de cursos em nossa escolas vários monitores e professores foram lesados já que dizem que o curso não terá validade..E agora quem pagará por isso..Tenho medo porque o esposo dela além de ser Coordenador da escola é advogado e vive intimidando as pessoas por ser advogado e diz entender de leis.
Agradeço a atenção
Eu aflito

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