Lino Mafra: uma vida dedicada ao trabalho e à família - Jornal Cruzeiro do Vale

Lino Mafra: uma vida dedicada ao trabalho e à família

10/07/2026

No dia 5 de julho, a casa de Lino Gregório Mafra se transformou em um grande ponto de encontro. Foi ali, onde ele vive há mais de quatro décadas, que filhos, netos, bisnetos, parentes e amigos se reuniram para comemorar seus 84 anos. As comemorações começaram pela manhã, com uma missa, e seguiram com almoço, bolo e parabéns em uma festa preparada com muito carinho pela família.


Estar ao lado da família é uma das maiores alegrias de seu Lino. Aos fundos da residência, um rancho com fogão a lenha costuma reunir filhos, noras, genros, netos e bisnetos. É ali que ele gosta de cozinhar, seja uma galinhada, um feijão ou uma panela de aipim cozido. Ali mesmo, nos fundos da casa, mantém o hábito de plantar, cultivando, entre outras culturas, pés de banana e batata-doce.

Julho, aliás, guarda lembranças especiais em sua trajetória. Além do aniversário, foi em 19 de julho de 1963 que ele se casou com Santilha Maia Mafra, companheira de uma vida inteira.

Nascido em Tubarão, em 5 de julho de 1942, Lino é filho de Antônio Mafra e Ema Mafra (in memoriam). Ainda pequeno, aos dois anos de idade, mudou-se com a família para Vidal Ramos, onde passou a infância e a juventude.

Foi no interior que aprendeu, desde cedo, o valor do trabalho. A rotina era na agricultura, plantando e comercializando a produção da família, atividade que também despertou o gosto pela terra, mantido até hoje. E foi em Vidal Ramos que conheceu Santilha. Os dois estudaram juntos quando crianças e, anos mais tarde, voltaram a se encontrar. O namoro aconteceu como era comum na época, entre missas, bailinhos e encontros discretos. Pouco tempo depois, decidiram se casar e iniciar uma nova etapa da vida.

Uma nova vida em Gaspar

Depois do casamento, o casal morou em Rio do Sul, onde seu Lino trabalhou como ecônomo e também em uma madeireira. Em 1972, a família decidiu recomeçar mais uma vez, escolhendo Gaspar para viver. A cidade já era conhecida por conta de parentes que moravam na região, o que facilitou a mudança.

Nos primeiros anos, a família viveu em diferentes locais, como Porto Arraial e Margem Esquerda/Sertão Toucinho. Nesse período, seu Lino trabalhou com a extração e comercialização de madeira e, mais tarde, abriu um mercado nas proximidades da Sociedade Canarinhos, onde trabalhou até a aposentadoria. Mesmo depois de encerrar as atividades no comércio, ainda fez fretes por cerca de cinco anos. Parar definitivamente só aconteceu por volta de 2005.

Ao longo de todos esses anos, o trabalho sempre envolveu toda a família. Os filhos ajudaram nas atividades até seguirem seus próprios caminhos profissionais.

Além da agricultura e do comércio, seu Lino sempre manteve o vínculo com a produção de alimentos. Criava animais e recorda que preparou inúmeros bois para festas de família e casamentos. Em um fim de ano, chegou a abater quase 50 porcos para atender às encomendas de clientes para as festas natalinas.

Entre as lembranças mais marcantes da vida em Gaspar estão as enchentes de 1983 e 1984. A casa onde a família morava, no Sertão Toucinho, foi atingida pelas águas, obrigando todos a deixarem o imóvel e permanecerem por meses abrigados no Salão Cristo Rei, no Centro da cidade. Além dos danos causados à casa, as águas levaram fotografias e outras recordações da família.

Depois da enchente de 1984, seu Lino e dona Santilha decidiram não voltar para o bairro. A família morou temporariamente em uma casa no Gaspar Grande até comprar a residência onde ele vive até hoje. A mudança aconteceu no Natal daquele ano, marcando o início de um novo capítulo.

O maior legado

Ao lado de Santilha, seu Lino construiu uma família numerosa. O casal teve sete filhos: Lino (já falecido), Ivete, Odilo, Vânio, Ione, Márcio e Magrid. Com o passar dos anos vieram genros, noras, 14 netos e 13 bisnetos.

Em maio de 2021, após 59 anos de casamento, Santilha faleceu em decorrência da pandemia de coronavírus, depois de 52 dias internada na UTI. A saudade da companheira segue presente no dia a dia, mas a família continua sendo sua principal fonte de alegria.

Mesmo aposentado, seu Lino mantém uma rotina ativa. Faz compras, liga para os filhos para saber se precisam de alguma coisa, cuida das plantações e gosta de preparar refeições para quem chega

Aos 84 anos, seu Lino segue encontrando felicidade nas coisas simples: cozinhar, cultivar a terra e reunir a família ao redor da mesa. Cercado por quatro gerações, vê na casa onde vive desde 1984 o cenário de boa parte da história que construiu ao lado de dona Santilha, dos filhos, netos e bisnetos. A festa do último dia 5 foi mais do que a comemoração de um aniversário. Foi a celebração de uma vida marcada pelo trabalho, pela perseverança e pelos laços familiares construídos ao longo de oito décadas.

 

 

Edição 2233

Comentários

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.