Descoberta de câncer no rim se transforma em testemunho de fé e milagre para moradora de Gaspar - Jornal Cruzeiro do Vale

Descoberta de câncer no rim se transforma em testemunho de fé e milagre para moradora de Gaspar

07/07/2026

Na manhã de 26 de junho, Solange Machado dos Santos, de 52 anos, saiu de casa como fazia todos os dias. Eram pouco mais de 4h quando a motorista de caminhão iniciou mais uma jornada de trabalho. Acostumada à rotina pesada de entregas, ela dirigia enquanto o namorado, Gilmar Bento da Silva, a acompanhava nas viagens descarregando as mercadorias nos mercados da região.

Nada parecia diferente. Foi então que, durante o percurso, uma forte dor interrompeu a rotina. Pensando se tratar apenas de uma cólica renal, Sol parou em uma farmácia, tomou um medicamento e continuou a viagem. A dor diminuiu e ela decidiu seguir normalmente com as entregas. Em nenhum momento imaginou que aquele seria o primeiro sinal de um câncer raro que colocava sua vida em risco. Mas, para ela, Deus já havia começado a escrever uma história diferente.

Horas depois, durante uma entrega, Gilmar bateu a cabeça com força em uma porta de vidro. O impacto foi tão grande que, aos poucos, seu olho começou a ficar roxo. Preocupada, Solange insistiu para que ele procurasse atendimento médico. Ele aceitou, mas fez uma condição: ela também precisaria se consultar por causa da dor que havia sentido naquela manhã.

Sem imaginar a importância daquela decisão, os dois seguiram para o Hospital Azambuja, em Brusque, cidade onde haviam finalizado as entregas daquele dia. Mesmo com a unidade lotada, foram atendidos rapidamente. O médico solicitou exames de imagem e, em pouco tempo, a tranquilidade deu lugar à preocupação. Ao perceber que havia algo muito sério, encaminhou Solange para outro especialista, que tomou uma decisão imediata. "O médico olhou para mim e disse que faria comigo o mesmo que faria pela mãe dele. Naquele momento, decidiu me internar”.

A internação aconteceu ainda naquela sexta-feira. No dia seguinte veio a confirmação que ninguém esperava: um câncer raro no rim. Na segunda-feira, dia 29, apenas três dias depois de procurar o hospital por causa de uma dor que parecia passageira, ela foi submetida a uma cirurgia robótica para retirada completa do rim comprometido e do tumor.

Hoje, ao recordar cada detalhe daqueles dias, ela não consegue enxergar a sequência de acontecimentos como uma coincidência. Para Solange, a dor, a batida de Gilmar na porta de vidro, a insistência dele para que ela também fosse ao médico e a rapidez com que encontrou atendimento fazem parte de um propósito muito maior. "Se o Gilmar não tivesse insistido, eu não teria ido ao hospital. Deus colocou um anjo no meu caminho para cuidar de mim. Eu recebi um verdadeiro milagre. Além disso, pude sentir a presença e o cuidado do meu falecido marido Ney [Cesário José dos Santos] durante a internação e cirurgia. Essa semana completa dois anos do seu falecimento e tenho certeza de que essa descoberta também teve participação dele”.

O tumor retirado agora passa por exames para identificar sua origem. Segundo os médicos, trata-se de um tipo raro, pouco encontrado na prática clínica, o que torna o caso ainda mais complexo. Se o tumor não tivesse sido descoberto naquele momento, ela teria cerca de um mês de vida.

Pouco mais de uma semana após a cirurgia, a recuperação impressiona até a própria paciente. "Quem me vê nem acredita que eu passei por tudo isso. É a mão de Deus”.

Sol compartilhou sua história nas redes sociais e recebeu centenas de mensagens de apoio e orações de familiares, amigos e até de pessoas com quem tinha pouco contato. Foi nesse momento que percebeu o quanto é querida. "O carinho das pessoas fortalece muito. A gente não imagina o quanto é amado até passar por uma situação dessas. No dia a dia, trabalhando tanto, acaba ficando cego para muita coisa”.

Passar por essa experiência também mudou sua forma de enxergar a vida. Acostumada à correria, às longas jornadas de trabalho e à ansiedade de querer resolver tudo rapidamente, ela diz que aprendeu uma das maiores lições justamente quando precisou parar. "Eu sempre quis tudo para ontem. Agora entendi que a nossa vida acontece no tempo de Deus, não no nosso”.

Além de todos os acontecimentos que antecederam o diagnóstico, Solange guarda uma lembrança que considera mais um sinal de que Deus estava cuidando dela. Cerca de 15 dias antes de descobrir o câncer, um bem-te-vi passou a aparecer todas as manhãs em sua casa. O pássaro batia repetidamente contra a porta de vidro da cozinha, com tanta força que chegava a deixar pequenas marcas de sangue na calçada. Sempre que ela se aproximava, ele voava. Depois da cirurgia, porém, o bem-te-vi nunca mais apareceu. “Para mim, este é mais um sinal de que tudo vai ficar bem”.

Enquanto aguarda os próximos exames e a definição das próximas etapas do tratamento, Sol escolhe olhar para frente com esperança. A motorista que enfrentava uma rotina pesada de trabalho, agora celebra algo muito maior: uma nova oportunidade de viver. "Eu já sou uma vencedora. Deus me deu uma nova oportunidade de viver. Se Ele quiser, vou continuar vencendo”.

 

 

Edição 2232 

 

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