Usuários apontam falta de medicamentos na Farmácia Básica - Jornal Cruzeiro do Vale

Usuários apontam falta de medicamentos na Farmácia Básica

29/11/2013

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?Não há previsão de chegada?. É isto que o aposentado Rogério Hostins relata ter ouvido várias vezes no atendimento da Farmácia Básica, no Centro de Gaspar. Hipertenso e com problemas de colesterol, o morador do bairro Sete de Setembro ainda não conseguiu retirar os medicamentos que precisa para o mês de novembro. ?Está muito complicado. Semana após semana não há uma solução e sim prazos indeterminados?, revela.

Outros usuários da farmácia confirmam a falta de alguns medicamentos ligados a problemas como hipertensão, diabetes e depressão. Dos 152 remédios autorizados para liberação aos pacientes segundo a Relação Municipal de Medicamentos, Remume, 36 estavam em falta até a terça-feira, dia 26, na Farmácia Básica de Gaspar. Localizada ao lado do Posto de Saúde Central, a unidade disponibiliza medicamentos básicos que tratam as doenças que mais atingem a população, como hipertensão, diabetes, úlcera, asma, depressão e infecções. Para ter acesso aos remédios, disponibilizados gratuitamente, o paciente precisa ser atendido em uma unidade básica de saúde ou hospital e ter uma prescrição do médico válida por seis meses.

Segundo o farmacêutico responsável pela Farmácia Básica, Dorimar Stiz, houve um aumento de consumo dos usuários em Gaspar de aproximadamente 20% entre 2012 e 2013. Como a farmácia trabalha com projeções de demanda feitas no ano anterior e também com um teto financeiro, de aproximadamente R$ 100 mil mensais, às vezes a renovação do estoque de alguns remédios depende de novos pedidos. ?Todo dia há muitos usuários novos cadastrados. Trabalhamos com nossa demanda segundo a estimativa populacional do IBGE e temos um limite orçamentário, então temos sempre de buscar o ponto de equilíbrio em nossas contas?, explica Dorimar.

Segundo ele, apesar da carência de determinados remédios sentida atualmente, a falta de determinado medicamento às vezes pode ser compensada com dosagens diferentes do mesmo remédio que estejam disponíveis. ?É uma série de variáveis, cada caso precisa ser analisado com cuidado. Procuramos explicar com muita atenção o porquê de às vezes não haver o medicamento que o usuário precisa?, pondera Dorimar.

Alto custo

Mesmo em menor escala, é possível perceber problemas também na distribuição dos chamados remédios de alto custo. Com a receita em mãos e um semblante nada animador, Tânia Mara sai da Farmácia Básica sem perspectiva de conseguir seu remédio de epilepsia. Segundo a moradora do bairro Bela Vista, o tempo de espera já ultrapassou os seus limites. ?Até o momento estou sem perspectiva. Estou inconformada, pois já tenho autorização do SUS e preciso de minha medicação?, cobra.

Na farmácia de alto custo, de responsabilidade do Estado e da União, quem precisa de medicamento precisa seguir procedimentos que podem levar até um mês. Em Gaspar, a distribuição de remédios controlados e de insulinas é centralizada na Farmácia Básica.

fotopg9boneco1colorMD.jpg Aposentado Rogério Hostins não conseguiu os medicamentos
Tânia Mara tem epilepsia e não sabe quando terá o remédio fotopg9boneco2colorMD.jpg



Secretaria alega problema com fornecedores

Devido às reclamações de usuários sobre a falta de remédios na Farmácia Básica, a Secretaria de Saúde elaborou um comunicado interno informando que as medicações em falta não foram entregues devido a atrasos de fornecedores. ?Da listagem em falta ainda temos medicamentos que aguardam liberação da licitação através da Associação dos Municípios do Médio Vale do Itajaí, a Ammvi, que ocorrerá na primeira semana de dezembro. Os usuários do SUS estão sendo orientados a retirarem os medicamentos sem custo nas Farmácias Populares?, argumenta a secretária de Saúde, Márcia Cansian.

Trabalhando com inúmeros fornecedores de medicamentos simultaneamente, a Farmácia Básica costuma notificar os fornecedores que não cumpriram o prazo após 30 dias de atraso. ?Os atrasos são em média de 40 dias. Porém, ressalto que os profissionais da Farmácia Básica sempre fazem o pedido antecipado. Nosso entrave atual é o atraso dos fornecedores, não é por falta de recursos que faltam remédios?, afirma a secretária.

Em janeiro de 2014 deve haver ainda a licitação anual para a definição dos fornecedores de medicamentos para o ano que vem. ?A Prefeitura de Gaspar está estudando a possibilidade de fazer um pedido conjunto de medicamentos com algumas cidades vizinhas, pois assim também conseguiríamos um menor preço?, complementa.

Informatização promete mais eficiência

Ainda no papel e em planilhas eletrônicas, as unidades de saúde de Gaspar poderão ter seu sistema informatizado até junho de 2014, segundo a Secretária de Saúde, Márcia Cansian. Na busca por agilizar o atendimento e diminuir a burocracia na rede municipal, a Prefeitura instalou a informatização do sistema na Farmácia Básica. Mas para dar eficiência e controle dos usuários nas unidades e na farmácia básica, é necessária a instalação do programa de informática em toda rede de saúde do município. ?O sistema informatizado vai unificar o cadastro dos cidadãos gasparenses em todos os módulos de atendimento. O programa irá armazenar e controlar dados sobre atendimentos dos usuários, independente do local em que ele esteja sendo atendido?, detalha. 

Edição 1545
 

Comentários

Flavio de Souza
30/11/2013 22:13
Falta de medicamentos não é só em Gaspar, a realidade é Nacional, não que isso exima o Município das suas obrigações com os usuários, entretanto observo o seguinte, a falta de entendimento do usuário, pois o próprio Governo ( união, estado, município) promove alternativas para os pacientes que necessitam do medicamento de uso contínuo, as farmácias populares, basta que o paciente não recebendo o medicamento na rede SUS, por qualquer motivo, cito como exemplo, faça um cadastro e leve a receita na rede credenciada para retirar o medicamento, mas a população é muito acomodada, pois sempre vai em um único lugar e não aceita outras formas por ser mais fácil, falam que pagam impostos e não são atendidos, mas não percebem que o imposto que pagam está também na rede alternativa - Farmácia Popular - aos medicamentos de alto custo existe um processo e esse deve ser seguido devido a liberação ser do Estado. O sistema funciona basta que cada parte faça a sua, União, Estado, Município e Pacientes.
Indignação
30/11/2013 09:33
Esta administração deve acreditar que a população é burra, e que não tem o mínimo de conhecimento, hoje todos temos acesso a informatização e principalmente as leis.
Antes de vincularem as respostas deveriam conferir a veracidade das mesmas, dizer que a população de Gaspar aumentou em 20% entre 2012 e 2013, basta acessar os dados do IBGE e verificar que de 2010 a 2013 o aumento foi de 7%...Além disso, a Secretária de Saúde, Márcia Cansian, dizer que ano que vem esta estudando a compra com os outros municípios para diminuir os custos, pois é, como ela mesmo relata na resposta a compra dos medicamentos pela AMMVI, a AMMVI para quem não sabe é um consórcio que realiza uma licitação com vários municípios e isto já vem sendo feito desde administrações passadas...que feio tentar se valorizar com o mérito dos outros.
Seria mais bonito e honesto...alegar erro de planejamento. Por que todas estas variáveis estiveram presentes nas outras administração também e nunca faltaram tantos medicamentos. Seria interessante vocêis entrarem em um acordo e mandarem uma resposta melhor, por que esta não ficou boa.
Elton Reis
29/11/2013 13:13
A que ponto chegamos em nossa cidade, que agora estamos negando medicamentos para os mais necessitados? Sera que "nosso" prefeito PTralha esta esperando a morte tragica de algum inocente para sanar essa situação degradante.

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