Passado o momento inicial em que as manifestações ganharam a rua em todo o país, a população e os grupos que lideraram as principais reivindicações arrefeceram os ânimos e agora acompanham, de perto, os reflexos de tanta insatisfação: redução de tarifas de ônibus, votação de temas importantes para o futuro do país, mais vigilância sobre os atos políticos, numa sensação de novos ares sobre a política. Cerca de 30 dias após as primeiras manifestações, resta saber se as ações anunciadas pelo governo são superficiais ou se houve uma mudança na gestão pública do Brasil.
O vereador José Hilário Melato, presidente da Câmara de Vereadores de Gaspar, confessa que recebeu com surpresa a notícia de que o povo gasparense articulava uma manifestação do tamanho que ocorreu nas ruas. Para ele, a pauta de reivindicações na cidade foi bastante madura, cobrando ações em nível local, mas também no âmbito nacional. ?O povo foi às ruas e exigiu essas mudanças. O prefeito foi sensível, fez a redução na tarifa do transporte coletivo, e na esfera nacional a reivindicação também tocou em pontos cruciais, como a saúde pública e a segurança, um direito de todos?, avaliou Melato.
Segundo o presidente, esse fato demonstra que o país passa por um processo de maturidade, mas também denota a sensibilidade dos governantes, em atender às principais reivindicações. ?O principal reflexo pôde ser notado no Congresso Nacional, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado, em que projetos importantes que nem estavam na pauta acabaram sendo votados, por força da cobrança popular. O povo está mais atento, está cobrando, acompanhando, e isso é o mais importante?, explicou.
O vereador acredita que outro reflexo será uma reforma na política nacional. No que se refere ao número de partidos, por exemplo, vê com naturalidade a redução das siglas que povoam o cenário político brasileiro. ?Essa reforma é fundamental, já que temos um número expressivo de partidos, muitos deles única e exclusivamente fazendo composições para barganhar cargos em futuras administrações federais, estaduais e municipais. Tudo isso precisa ser revisto?, ponderou o presidente da Câmara gasparense.
Uma consequência inevitável será a renovação das principais cadeiras políticas do país. De acordo com o vereador Luis Carlos Spengler Filho, o Lú, essa nova postura da população, mais questionadora e menos passiva, já deve ser sentida no período eleitoral de 2014, em que o povo escolherá novos governadores, senadores, deputados estaduais, federais e presidente da República.
?Nas próximas eleições, vamos ter muitas surpresas, em função disso devemos aguardar, mas todo aquele candidato que colocar seu nome a julgamento popular vai passar por um crivo muito maior do que havia anteriormente. Hoje a população acordou, não somente em Gaspar, mas em todo o país, e vai saber avaliar melhor para quem vai dar essa confiança?, sintetizou o vereador.
Lú avalia como positiva a participação popular nas manifestações, mas pensa numa nova maneira de fazer política. ?Acho que a pressão da comunidade e do povo não deve parar por aí, e cada vez precisamos ser mais rigorosos na escolha dos representantes. Essa mudança a curto prazo foi feita, mas muito ainda precisa para se mudar, não só no Brasil, mas em Gaspar principalmente. Aqui também há uma reflexão de quem administra e que com certeza vai olhar na prioridade que a comunidade manifestou nas ruas do nosso município?, projetou o vereador.
Ele reforçou ainda a necessidade de o vereador estar cada vez mais presente na comunidade, como forma de unir forças para cobrar dos governantes de modo mais eficaz as principais mudanças necessárias para o país.
Edição 1509
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