Um ano depois, cuidado é maior

Há exatamente um ano, o Brasil inteiro se emocionava com uma das maiores tragédias já registradas no país. No dia 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, mais de 240 vidas foram ceifadas em consequência de um incêndio que atingiu a Boate Kiss. O fogo começou no palco do local, após um integrante da banda que estava se apresentando na casa noturna ter lançado um sinalizador. As chamas atingiram a espuma do teto da boate e rapidamente começaram a se alastrar, produzindo monóxido de carbono e cianeto. Materiais inflamáveis, superlotação, falta de extintores e de sinalização adequada para a porta de saída foram alguns dos fatores que causaram a morte de 242 pessoas naquela noite, na maioria jovens, e deixaram outras 123 feridas.
Desde então, cidades de todo o país passaram a intensificar a fiscalização em locais que recebem um grande número de pessoas e a buscar outras maneiras de prevenção. Em Gaspar, cinco locais realizam grandes eventos anualmente, recebendo milhares de pessoas. Desde a tragédia de Santa Maria estes espaços vêm tornando ainda mais rígidas as medidas de segurança.
Segundo um dos responsáveis pela Associação Bunge, Guilherme Spengler, após o incêndio na Boate Kiss as questões de segurança e promoção de eventos ficaram mais burocráticas no município. ?Na Associação Bunge começamos a ter em todos os eventos dois bombeiros militares, que ficam de prontidão. Além disso, eles orientam todos quanto aos procedimentos em caso de emergência. Também temos uma ambulância com dois profissionais treinados, caso precise remover alguém ou fazer um atendimento no local?, explica. Guilherme lembra ainda que a Associação Bunge tem capacidade para até 1300 pessoas, sendo que o espaço é totalmente aberto, o que, em caso de emergência, auxilia na saída do local. ?Hoje, com todos os órgãos fiscalizando, fica praticamente impossível promover eventos se não estiver dentro das normas?, destaca.
O Corpo de Bombeiros Militar de Gaspar é responsável por fiscalizar os locais de evento da cidade para que estejam em condições de promover um evento. Conforme o soldado e analista de projetos do Corpo de Bombeiros, Rafael Araújo de Freitas, o local precisa estar com o projeto de um engenheiro ou arquiteto aprovado e com o alvará do Corpo de Bombeiros para que possa realizar tal evento. Na vistoria, os bombeiros irão conferir os extintores de incêndio, luminária de emergência, sinalização das saídas e existência de saídas de emergência, que são de extrema importância em casos semelhantes à tragédia em Santa Maria. Para ele, as saídas de emergência e sinalização são pontos que merecem maior destaque durante os eventos, já que são cruciais em uma eventual emergência. ?Nós temos que garantir que a pessoa consiga sair de qualquer local em segurança e é isso que estamos fazendo ao fiscalizar estes lugares?. Além disso, a equipe vai conferir a largura das portas e exigir um laudo técnico de engenheiro ou arquiteto que possa se responsabilizar pelos materiais utilizados durante o evento. ?Também conferimos se todo o material usado é incombustível e não permitimos a utilização de objetos pirotécnicos e velas, embora ainda haja muitas empresas que possuem certa resistência a isso?, destaca. Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).