Um ano da tragédia de Santa Maria: Cresce preocupação com a segurança - Jornal Cruzeiro do Vale

Um ano da tragédia de Santa Maria: Cresce preocupação com a segurança

28/01/2014

Um ano depois, cuidado é maior 

 

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Há exatamente um ano, o Brasil inteiro se emocionava com uma das maiores tragédias já registradas no país. No dia 27 de janeiro de 2013, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, mais de 240 vidas foram ceifadas em consequência de um incêndio que atingiu a Boate Kiss. O fogo começou no palco do local, após um integrante da banda que estava se apresentando na casa noturna ter lançado um sinalizador. As chamas atingiram a espuma do teto da boate e rapidamente começaram a se alastrar, produzindo monóxido de carbono e cianeto. Materiais inflamáveis, superlotação, falta de extintores e de sinalização adequada para a porta de saída foram alguns dos fatores que causaram a morte de 242 pessoas naquela noite, na maioria jovens, e deixaram outras 123 feridas. 

Desde então, cidades de todo o país passaram a intensificar a fiscalização em locais que recebem um grande número de pessoas e a buscar outras maneiras de prevenção. Em Gaspar, cinco locais realizam grandes eventos anualmente, recebendo milhares de pessoas. Desde a tragédia de Santa Maria estes espaços vêm tornando ainda mais rígidas as medidas de segurança.

Segundo um dos responsáveis pela Associação Bunge, Guilherme Spengler, após o incêndio na Boate Kiss as questões de segurança e promoção de eventos ficaram mais burocráticas no município. ?Na Associação Bunge começamos a ter em todos os eventos dois bombeiros militares, que ficam de prontidão. Além disso, eles orientam todos quanto aos procedimentos em caso de emergência. Também temos uma ambulância com dois profissionais treinados, caso precise remover alguém ou fazer um atendimento no local?, explica. Guilherme lembra ainda que a Associação Bunge  tem capacidade para até 1300 pessoas, sendo que o espaço é totalmente aberto, o que, em caso de emergência, auxilia na saída do local. ?Hoje, com todos os órgãos fiscalizando, fica praticamente impossível promover eventos se não estiver dentro das normas?, destaca.

Bela Vista Country Club

Na sede do Bela Vista Country Club, desde a tragédia em Santa Maria, é proibido decorações com velas. Nas poucas vezes que elas são utilizadas devem estar em um pote com água. A responsável pelos eventos e comunicação do clube, Tamara Ambrosi, explica que medidas de segurança estão sempre sendo discutidas pela administração do local. ?Nossa capacidade máxima é de duas mil pessoas e não deixamos passar desse limite. Por este motivo, nossos ingressos são sempre limitados?, afirma. 

Sociedade Alvorada

O responsável pela Sociedade Alvorada, Antônio Soares, ressalta que a fiscalização tornou-se ainda mais intensa na cidade desde janeiro de 2013 e diz que o limite de pessoas e as portas de saída são suas maiores preocupações ao promover eventos. ?É muito importante cuidarmos de tudo para oferecer ao público um local seguro, onde possam se divertir sem medo?. 

Nudh Club

A Nudh Club, inaugurada em Gaspar meses após a tragédia, também tem como prioridade a segurança do espaço. De acordo com o sócio-diretor Matahari/Nudh, Henrique Ortmann, o local possui um socorrista à disposição durante todo o evento, além de contar com cinco saídas de emergência devidamente posicionadas e sinalizadas. ?Após a tragédia na Boate Kiss a fiscalização aumentou muito. Novas regras e normas passaram a ser exigidas, o que acho excelente, pois muitas casas noturnas não cumpriam todas as exigências feitas pelos bombeiros e poder público. Agora temos clubes mais seguros para frequentar?, ressalta. Para ele, a fiscalização na cidade funciona corretamente e com profissionais preparados. 

Sociedade Canarinhos

Na Sociedade Canarinhos também são realizados anualmente diversos eventos. Segundo o presidente da sociedade, Pedro Paulo Schramm, o local sempre esteve adequado às normas de segurança e a capacidade máxima de público, que no salão principal é de 800 pessoas. ?Estamos equipados com todo o material necessário e não possuímos nenhum material inflamável em nossas instalações. Segurança sempre foi importante para nós?, aponta. 

Fiscalização é responsabilidade dos Bombeiros 
fotopg9colorlGG.jpgO Corpo de Bombeiros Militar de Gaspar é responsável por fiscalizar os locais de evento da cidade para que estejam em condições de promover um evento. Conforme o soldado e analista de projetos do Corpo de Bombeiros, Rafael Araújo de Freitas, o local precisa estar com o projeto de um engenheiro ou arquiteto aprovado e com o alvará do Corpo de Bombeiros para que possa realizar tal evento. Na vistoria, os bombeiros irão conferir os extintores de incêndio, luminária de emergência, sinalização das saídas e existência de saídas de emergência, que são de extrema importância em casos semelhantes à tragédia em Santa Maria. Para ele, as saídas de emergência e sinalização são pontos que merecem maior destaque durante os eventos, já que são cruciais em uma eventual emergência. ?Nós temos que garantir que a pessoa consiga sair de qualquer local em segurança e é isso que estamos fazendo ao fiscalizar estes lugares?. Além disso, a equipe vai conferir a largura das portas e exigir um laudo técnico de engenheiro ou arquiteto que possa se responsabilizar pelos materiais utilizados durante o evento. ?Também conferimos se todo o material usado é incombustível e não permitimos a utilização de objetos pirotécnicos e velas, embora ainda haja muitas empresas que possuem certa resistência a isso?, destaca. 
 
Se o local sofrer alguma alteração de layout, o Corpo de Bombeiros também solicita um croqui que possa mostrar como ficará após as mudanças. ?Hoje, a situação em Gaspar é tranquila. O município vem evoluindo na questão de segurança, pois sabe que tudo está ainda mais rigoroso?, salienta o bombeiro militar. Para conseguir o alvará é necessário que a associação ou clube entre em contato com os bombeiros em até 20 dias antes para que fique pronto em tempo hábil. Caso contrário, a vistoria pode não ser realizada. Exemplo disso foi registrado na festa de São Sebastião, que estava marcada para acontecer no último fim de semana e precisou ser adiada por não ter o alvará da Polícia Militar, que não teve tempo hábil para fazê-lo.

Alvará municipal prioriza segurança

Para realizar algum evento na cidade, os clubes e associações precisam do alvará da Prefeitura de Gaspar, que prioriza a segurança do público. O documento deve ser emitido a cada evento, exceto nas festas promovidas pela Nudh Club, que possui um alvará anual por ser uma casa de festas. De acordo com o diretor de Fiscalização do município, Emerson Barth, para conseguir o alvará para eventos o responsável deve apresentar o alvará emitido pelos bombeiros, alvará da Polícia Militar e também do Fórum. ?Caso alguma estrutura seja montada também solicitamos rt dos engenheiros responsáveis e se o evento for muito grande o estudo de impacto de vizinhança?, explica.

Edição 1557
 

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