Quatro anos e meio depois, os tubos adquiridos para implantar uma rede de esgoto continuam abandonados num terreno da rua Ambrósio Spengler, no bairro Poço Grande. Do trecho de cerca de um quilômetro de tubulação, cerca de 750 metros já foram feitos em gestões anteriores da Prefeitura. Os 250 metros restantes, no entanto, arrastam-se desde 2008 e impedem o aproveitamento dos materiais comprados com recursos públicos, além de prejudicar os moradores, que sofrem com a falta de um sistema central de coleta de esgoto.
No total, são cerca de 250 tubos de concreto que estão expostos ao relento. Parte deles já chegou a ser coberta pelo mato. Em uma consulta informal com lojas do ramo, o Cruzeiro do Vale constatou que o valor médio de cada tubo daquele perfil é de R$ 150, o que faz com que o total dos tubos hoje parados possa chegar a R$ 37,5 mil. Quem passa pelo local percebe que o material, adquirido com recursos públicos, permanece exposto ao tempo, o que pode até comprometer o uso deles caso a obra seja retomada.
Segundo estimativa dos moradores que lutam pela conclusão da obra, a ligação do esgoto das ruas em frente à empresa Bunge até o Ribeirão Poço Grande poderia beneficiar cerca de 300 residências ? ou 1,2 mil moradores. Segundo eles, alguns vereadores acompanham a situação de perto, mas a iniciativa precisa partir do Executivo, que ainda não sinalizou um prazo para o reinício e a conclusão dos trabalhos.
Contraponto
Procurado pela reportagem, o prefeito Pedro Celso Zuchi reconheceu o problema, mas alegou que a demora no aproveitamento dos tubos vem desde a gestão anterior, do prefeito Adilson Schmitt. Segundo ele, a retomada da obra estaria sendo impedida por um problema ambiental, cujos detalhes ele ainda precisa discutir com a Secretaria de Obras. ?Não é tão fácil quanto alguns dizem. Se fosse, já teria sido feito?, justificou. Ainda assim, ele disse que pretende voltar a discutir o caso com os secretários no início desse ano.
A reportagem também tentou contato com o secretário de Obras, Solly Waltrick, mas até o fechamento desta edição ele não havia atendido nem retornado as ligações. Os moradores confessam que já ouviram a justificativa do problema ambiental, mas garantem que o trecho está livre para as obras. Nas ruas da localidade, o maior apelo é para que o material seja aproveitado e que a obra possa, enfim, levar mais qualidade de vida à população.
Edição 1452

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