O caso de um bebê encontrado morto no final da última semana em um latão nos fundos de uma residência na rua Barão do Rio Branco, no bairro Santa Terezinha, expõe dificuldades que os serviços de saúde encontram para atender com eficiência toda a população de gestantes e, principalmente, recém-nascidos.
Além desse caso, em que a mãe estaria no oitavo mês de gravidez e que a criança teria nascido sem vida, também na quinta-feira, 18, uma mãe já havia dado à luz no banheiro de casa, em Ilhota, sem saber que estava grávida. Três dias antes, na mesma cidade, uma moradora teve o parto realizado pelos bombeiros voluntários na ambulância, a caminho do hospital.
Os casos sugerem uma dificuldade no atendimento ligado ao período de gestação e às primeiras semanas de vida dos bebês. A distância de algumas famílias do acompanhamento pré-natal, capaz de antecipar problemas até a hora do parto, eleva o risco de que casos como os da última semana se repitam por falta de prevenção da rede de saúde e orientação das pacientes.
Em Gaspar, a secretária de Saúde Márcia Cansian explica que as gestantes são atendidas nas 11 unidades que fazem parte do programa Estratégia de Saúde da Família, ESF. Quando há necessidade de atendimento especializado, as pacientes são encaminhadas ao Centro de Referência de Saúde da Mulher, no Centro. Ultrassonografias são feitas em Blumenau. Partos sem risco são feitos no Hospital de Gaspar e, em gestações de alto risco, a referência é o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.
A secretária afirma que as famílias costumam procurar o sistema de saúde e ressalta que os grupos de gestantes ajudam a difundir a orientação e a aproximar as gestantes das unidades de saúde. Sobre a quantidade de procedimentos realizada em Blumenau, ela considera normal e afirma que a estrutura atende bem à demanda do município. ?O Hospital Santo Antônio é referência em gestações de alto risco até para Itajaí e a ultrassonografia esbarra na falta de clínicas conveniadas ao SUS?, argumenta.
Sobre a situação da semana passada, ela reitera que é preciso primeiro saber o que aconteceu e informa que já solicitou informações para saber se a gestante havia sido atendida na rede municipal. Paralelo a isso, ela reforça que o município sempre busca fazer o acompanhamento pré-natal, que segundo o Ministério da Saúde deve ter ao menos sete consultas. ?O município está aderindo junto com outras cidades da região à Rede Cegonha, o que deve reforçar as metas no atendimento à gestante na região?, assinala.
Cenário em Ilhota
O secretário de Saúde de Ilhota, Amarildo Laureano, reconhece dificuldade no atendimento a gestantes. Segundo ele, ao assumir a pasta, havia falta de informações sobre famílias cadastradas no sistema de saúde e deficiências no suporte. A partir disso, foi criado um grupo de gestantes, com foco em palestras e orientação a gestantes. Um profissional do programa ESF se dedica a organizar o grupo, que já se reuniu duas vezes.
?As equipes do ESF que visitam as residências identificam as gestantes, passam os casos para o Posto de Saúde Central, onde as pacientes recebem acompanhamento com ginecologista?, assegura o secretário. Ele afirma ainda que 90% dos moradores já foram cadastrados pelas equipes que visitam as residências. Na hora do parto, o hospital que recebe os encaminhamentos é o Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí.
Casos
> Na noite de quinta-feira, 19, um bebê foi encontrado morto em um latão nos fundos de uma residência na rua Barão do Rio Branco, no bairro Santa Terezinha. O bebê pesava cerca de quatro quilos e aparentava estar no oitavo mês de gestação. Segundo a avó da criança, após ouvir um grito a senhora encontrou a filha deitada na cama com o bebê morto ao lado. O corpo do bebê foi examinado no Instituto Médico Legal de Blumenau. A Polícia Civil de Gaspar está ouvindo familiares e espera esclarecer o caso ainda essa semana.
> Também na quinta-feira, os bombeiros voluntários de Ilhota atenderam uma jovem do bairro Ilha Bela, que entrou em trabalho de parto no banheiro de casa. Segundo o bombeiro que atendeu a ocorrência, Letícia alegou que não sabia que estava grávida e por isto não teria iniciado o pré-natal.
> Ainda na segunda-feira, dia 15, os bombeiros voluntários de Ilhota realizaram um parto dentro da ambulância. A mãe estava a caminho do hospital quando deu à luz a terceira filha, já em Itajaí, a poucos quilômetros do hospital. Segundo os bombeiros, foi o nono caso semelhante na cidade.
Edição 1482

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