Josué Cezário não só gosta como já está habituado a ouvir músicas em volume alto. Quando tinha 15 anos de idade, o jovem morador do bairro Bateias sentia algumas dores de ouvido devido ao excesso de músicas que ouvia em alto volume. Hoje com 19 anos, Josué conta que tem ouvido suas músicas preferidas com um volume adequado, sem exageros. ?Antigamente eu colocava no volume máximo, hoje costumo ouvir no volume certo, seja em músicas que ouço pelo celular, computador, carro ou em outros ambientes?, afirma.
Um estudo da Organização Mundial da Saúde, OMS, alerta que 360 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de perda auditiva. A entidade considera que a exposição ao som em volumes elevados é a segunda maior causa de surdez no mundo.
João Vitor, estudante de 17 anos e residente do bairro Belchior Alto, admite que só escuta músicas em alto volume. ?Tenho tido este hábito e sei que faz mal à saúde. Tenho tentado me habituar a ouvir músicas em volume médio?, declara João.
Segundo o estudo, é aconselhável evitar o volume alto nos fones dos celulares ou em players como o iPod que cheguem a mais de 110 decibéis (dB). De acordo com dados do estudo, as boates são um perigo em potencial para os ouvidos, assim como ouvir música com volume fora do aconselhado dentro de casa ou em carros.
O casal Mozart e Neide Nunes, moradores do Barracão, tem se incomodado com vizinhos que escutam músicas em volume alto. ?Nossa vizinhança acaba extrapolando com músicas altas. Já presenciei motoristas de veículos que colocam músicas a todo volume e ficam perambulando pelas ruas aqui do bairro. Isto traz estresse a terceiros, inclusive às vezes no fim de semana e depois das 22h. Precisa haver mais respeito?, pede Mozart, de 67 anos.
Danos podem ser irreversíveis
Embora o uso de fone de ouvido faça parte da rotina de muitas pessoas atualmente, a fonoaudióloga da Univali Raquel Schillo, especialista em audiologia e mestranda em saúde e gestão do trabalho, destaca que estes dispositivos sonoros podem afetar a audição de forma irreversível. ?As pessoas não devem ouvir músicas ou serem expostas a qualquer ruído de 85 decibéis ou mais, por mais de oito horas por dia. Os efeitos da exposição ao ruído são acumulativos. O entendimento da fala é afetado também e mais tarde se chega à perda auditiva, observando, inclusive, um comprometimento no meio social e até um quadro de depressão por parte do cidadão?, alerta.
De acordo com Raquel, a utilização de MP3 e similares representa um risco muito alto para a saúde auditiva, já que os fones estão inseridos no canal auditivo e levam o som diretamente à membrana timpânica, sem nenhum meio de proteção às delicadas estruturas que compõem o ouvido interno. A fonoaudióloga ressalta que a juventude, em sua maioria adolescente na faixa etária de 12 a 18 anos, aumentou muito o uso de fones de ouvido, muitas vezes usados por muitas horas e em intensidades elevadas.
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