Outubro, mês conhecido pelas festas de outubro, repletas de alegria e também com amplo consumo de bebida alcoólica, reforça um alerta ainda maior para donos de estabelecimentos comerciais como casas noturnas, bares e restaurantes.
Estabelecida como crime desde 2013, a venda de bebidas alcoólicas para jovens com idade abaixo de 18 anos tem prevenido os comerciantes na hora de fornecer o produto. ?Peço o RG como comprovação da idade. Não corro risco, pois não arranharia a imagem do meu estabelecimento por causa de uma venda ilegal. No contato visual já percebemos quando se trata de um menor e na hora já pedimos o documento de identidade?, afirma um comerciante do centro de Gaspar, que deseja não ser identificado.
A lei prevê de dois a quatro anos de prisão e multa para dono de estabelecimento que vender a bebida para menores. Ainda há uma multa prevista de até R$10 mil para cada infração. A lei alterou o Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, e a Lei das Contravenções Penais, que definia a venda de bebida para menores de 18 anos como contravenção, um ato ilegal considerado menos grave, e não tido como crime.
Pais orientam filhos
Preocupado desde a infância com a educação dos filhos em relação aos danos do consumo precoce do álcool, o aposentado Lorival Carline, morador do bairro Lagoa, frisa que sempre orientou os quatro filhos na prevenção desde assunto. ?Meus filhos já são maiores de idade, mas na época da adolescência lembro que orientava sobre os riscos do consumo do álcool. Hoje todos eles me agradecem, pois fiz minha parte?, conta. Com um filho de 17 anos, Neusa Aparecida Oliveira não perde tempo e aconselha o filho com freqüência, desde as consequências físicas até criminais. ?Até hoje não tive problema, pois meu filho não tem hábito de consumir bebidas alcoólicas, no entanto é sempre bom prevenir nossos filhos?, ressalta a mãe.
Estudos mostram relação entre jovens e álcool
Com o objetivo de medir os profissionais envolvidos com a venda de bebidas alcoólicas no estímulo ao consumo responsável, um estudo foi realizado em oito países e concluiu que, ao longo de um ano, os brasileiros têm o RG solicitado em média 29 vezes nos pontos de venda de bebida alcoólica, número alinhado com a média global que é de 30 solicitações ao ano. O país melhor colocado nesse ranking é os Estados Unidos, com 47. De acordo com a pesquisa, 44% dos brasileiros disseram que não se incomodam quando alum funcionário do ponto de venda solicita que apresente o RG antes de comprar alguma bebida alcoólica.
Segundo recente estudo divulgado pela Organização das Nações Unidas, ONU, em comparação com os países da América Latina, o Brasil apareceu em terceiro lugar no consumo de álcool entre adolescentes. A pesquisa foi feita em estudantes do ensino médio e incluiu 347.771 meninos e meninas, de 14 a 17 anos, do Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Peru, Uruguiai, Colômbia e Paraguai. Entre os brasileiros, 48% admitiu consumir álcool.
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