Resíduo industrial: Fumaça prejudica moradores em Ilhota - Jornal Cruzeiro do Vale

Resíduo industrial: Fumaça prejudica moradores em Ilhota

11/02/2014

fotopg10abrecolorMD.jpg

Móveis, roupas e paredes sujas. Casa com cheiro de fumaça. Janelas e portas fechadas durante todo o dia. Essas são situações enfrentadas por diversos moradores de Ilhota, que vivem próximos à empresa Têxtil Cristina, instalada no bairro Vila Nova. A fumaça negra que sai das duas chaminés da empresa e, em certos momentos, a fuligem, devido à queima de madeira, trazem incômodos a quem vive próximo a ela há pelo menos cinco anos. Segundo a comunidade local, o problema se agrava durante a noite, quando a fumaça é despejada em maior quantidade.

Marisa Merlo Siementkowski, que vive a poucos metros da Têxtil Cristina, diz que a fuligem preta produzida pela empresa fica impregnada em todos os cantos da casa. ?O cheiro da fumaça já está em nossas roupas e até mesmo os nossos cachorros estão sofrendo, já que ficam com os pêlos escuros?, ressalta. A moradora precisa varrer a casa diversas vezes ao dia, além de conviver com o cheiro de fumaça que se instala nas peças de roupa e roupas de cama. ?Toda a comunidade está apavorada. Vizinhos meus já estão com problemas respiratórios e outros não suportam essa situação, assim como eu. Já registrei um Boletim de Ocorrência, fiz registro no Fórum, conversei com pessoas da empresa e nada. Não podemos mais sofrer com isso?, relata.

Rosa Weiguert, 50 anos, afirma que a fuligem e a fumaça despejadas pela empresa têxtil já trouxeram muitos incômodos aos seus pais, que moram próximos ao local. Os pisos da casa da família de Rosa precisam ser lavados várias vezes por semana e as janelas ficam fechadas o dia todo para que os cômodos da residência não fiquem sujos rapidamente. ?Meu pai precisou colocar uma porta na varanda, pois não conseguíamos ficar ali sem sofrer com os incômodos da fumaça?, conta. Ainda conforme a moradora, o problema já se estende há mais de duas décadas, sendo que até alguns anos atrás a maior dificuldade era o mau cheiro e hoje é a fuligem.

O que diz a Prefeitura

De acordo com o secretário de Agricultura de Ilhota e também responsável pelo departamento de Meio Ambiente, Roberto Poerner, a Têxtil Cristina chegou a receber notificações da Prefeitura recentemente. Por este motivo, a empresa aumentou em cinco metros as chaminés. ?Caso a fumaça continue afetando a comunidade, poderemos notificá-la de novo para que as chaminés sejam novamente aumentadas?, explica. Entretanto, o secretário destaca que a Têxtil Cristina não apresenta nenhum outro problema e que, apesar desta situação, ela beneficia a cidade gerando empregos e movimentando a economia. 

Contraponto

A técnica em segurança e responsável pela parte patrimonial da empresa, Márcia Silveira, reconhece que, em certas ocasiões, o problema pode atingir a comunidade, mas esclarece que anualmente a Fundação do Meio Ambiente, Fatma, realiza vistoria na empresa. ?Nosso último relatório foi protocolado em 19 de dezembro de 2013?, ressalta. Para tentar amenizar a situação, a Têxtil Cristina implantou um sistema de lavagem de gases das caldeiras e multiciclones, que já está funcionando de forma automatizada em uma das chaminés e será implantado em poucos dias na outra. Com esse sistema, toda a fumaça passa por uma espécie de container com água capaz de separar a fuligem e expelir somente a fumaça branca. ?Acreditamos que essas ações irão resolver cerca de 90% do problema, já que também precisamos contar com os fatores que não dependem de nós, como a umidade do ar e o vento?, aponta. Segundo Márcia, as dificuldades podem se agravar no inverno, já que há o risco da utilização de madeiras molhadas, o que piora os efeitos. Ela ressalta ainda que o local em que a Têxtil Cristina está instalada é considerado área industrial. ?Estamos sempre em contato com a comunidade, mas alguns moradores também precisam entender que estamos aqui há mais de 26 anos realizando um importante trabalho e trazendo 240 empregos para a cidade?, justifica.

Edição 1561
 

Comentários

cecilia werner
13/02/2014 01:47
COLABORANDO COM OS DEMAIS QUE BUSCAM FERÍR O PLANETA E A SAÚDE DAS PESSOAS E ANIMAIS .CADA UM É RESPONSAVEL PELOS SEUS ATOS UMA TRISTE HISTÓRIA QUE DEIXA PARA OS FILHOS E NETOS QUE VÃO ENFRETAR UMA DURA REALIDADE DEIXADA PELA GERAÇÃO ATUAL QUE SÓ PENSA NO PRÓPRIO UMBIGO.
Pablo
12/02/2014 17:19
Realmente é um inferno esta fumaça, o cheiro de queimado nos incomoda todo o dia, mesmo morando a mais de 300 metros da Malharia todo o dia esta fumaça invade minha casa causa um grande incomodo com o este cheiro ruim e suja a roupa, até perguntei para a FATMA se esta empresa estava de acordo com as normas, mas não tive retorno.
Também acredito que quando a empresa foi vistoriada não estavam queimando nada.
Marisa Merlo Siementykowski
11/02/2014 22:11
Com referencia ao contraponto da técnica de segurança da empresa, este relatório da FATMA deve ter sido feito com a caldeira desligada ou foi manipulado. Digo isto porque ninguém da FATMA veio ao encontro dos moradores questionar.Espero que a instalação de multiciclones na caldeira com problema seja rápido, visto que todos sabemos onde é o problema.
Nós não estamos falando em geração de emprego e renda e sim de um problema gravíssimo de fuligem por falta de manutenção ou operação e até mesmo respeito pelos moradores vizinhos ou quer dizer que por ser área industrial pode prejudicar o meio ambiente?
Marisa.

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.