O período de colheita do arroz começou há pouco mais de uma semana e, em algumas propriedades, deve seguir até final de fevereiro. O otimismo da época de plantação deu lugar à desconfiança na hora das vendas. As primeiras sacas chegaram a ser comercializadas ao valor de R$ 34, valor considerado suficiente para pagar ao menos o custo de produção, mas nesta semana o valor já havia chegado em R$ 30 pela saca de 50 quilos.
Segundo a presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Gaspar, Ivanilde Rampelotti, a previsão é de que o valor caia para menos que os R$ 30 atuais, embora o preço possa voltar a subir no período final da colheita. Na avaliação dela, os rizicultores foram prejudicados com a recente venda de engenhos da região. ?A falta de concorrência faz com que não haja opções de venda e, com isso, o preço acaba caindo?, esclarece.
A pequena alta no preço em comparação com a safra anterior acaba compensada pelo aumento na quebra ? diferença entre o que foi colhido no ano passado e nesse ano. Segundo a presidente do sindicato, o volume de produção é em média 15% menor do que o colhido em 2012. ?Quando os rizicultores plantaram, choveu muito e a época da florada coincidiu com aquela onda forte de calor de dezembro. Em função disso, o peso acaba ficando um pouco abaixo do esperado?, explica.
No aguardo
Ivanilde esteve reunida com alguns rizicultores e revela que eles estão esperando para descobrir como irá ficar a situação à medida que a colheita avance. ?Eles não estão pessimistas, mas não estão dos mais animados?, define. Segundo ela, no ano passado, o valor obtido não cobriu o custo de produção. ?Esperamos que em 2013 ele cubra e sobre algo para o produtor, se não muitos vão aterrar arrozeiras?.
Ainda assim, ela lamenta a redução de preço já vista nesse início de colheita. ?Pelo que víamos nas plantações, pensamos que esse seria um ano em que os rizicultores não iriam se incomodar?, recorda. Na avaliação da presidente do sindicato, falta incentivo do governo federal para subsidiar a agricultura do Estado, forte responsável pela produção alimentícia. ?Os produtores não podem estar contentes se as dívidas não puderem ser saldadas?, enaltece.
A estimativa é de que em Gaspar sejam colhidas cerca de 500 mil sacas de 50 quilos. Em peso, o número corresponde a 25 mil de toneladas. As áreas em que há maior concentração de plantações de arroz são os bairros Gaspar Grande, Belchior e Arraial. A rizicultura é considerada a maior atividade agrícola do município e movimenta a economia, principalmente nos bairros do interior. Nos casos de produtores que precisem transportar máquinas em rodovias para a colheita, a orientação do sindicato é de que os responsáveis entrem em contato com a Polícia Rodoviária, que costuma ajudar neste deslocamento.
Edição 1456

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