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A polêmica sobre o local de reconstrução da escola Angélica Costa realmente mobilizou a comunidade do bairro Sertão Verde. Na noite desta segunda-feira, dia 2, cerca de 300 pessoas compareceram à audiência pública que discutiu o assunto, na Sociedade União, bairro Margem Esquerda. O encontro durou cerca de duas horas e dividiu opiniões entre autoridades, que defenderam a reconstrução da escola no loteamento às margens da BR-470, e moradores, que cobram que a instituição de ensino seja reerguida em um terreno dentro da localidade.
O vereador Marcelo Brick, que solicitou a audiência, comandou o encontro. Na avaliação dele, o município precisava se posicionar sobre a possibilidade de construir a escola em um dos terrenos sugeridos pela comunidade ou, pelo menos, propor alternativas para a comunidade, como a construção de uma creche ou um posto de saúde. ?Acredito que a audiência cumpriu um papel importante. Os moradores precisavam ser ouvidos. Mas pelo que o Executivo apresentou o local para a reconstrução da escola está definido?, destacou.
O prefeito Pedro Celso Zuchi, a secretária de Planejamento Patrícia Scheidt e a representante da Secretaria de Educação participaram da audiência em nome do Executivo. Em entrevista, Zuchi afirmou que a Prefeitura levou à audiência as mesmas explicações que já haviam sido dadas em encontros anteriores com a comunidade sobre a reconstrução da escola e destacou que, se a comunidade estiver descontente, uma opção seria buscar a construção de uma creche ou de outra escola, algo que chegou a ser discutido no final do encontro. A comunidade cobrou a reconstrução da escola no Sertão Verde, mas o Executivo foi enfático na escolha do terreno do loteamento da BR-470 para reerguer a escola.
?A escola vai ser construída?
A representante da Fundação Bunge, Cláudia Calais, esteve na audiência e, instigada por Zuchi, confirmou que a entidade não pensa em estudar um novo local para a escola em virtude dos custos extras que isso traria à reconstrução da escola. Durante o discurso para a comunidade, o prefeito Pedro Celso Zuchi relembrou o cenário pós-catástrofe, argumentou sobre a escolha do terreno no loteamento da BR-470 e foi enfático sobre a sequência da reconstrução da Angélica Costa. ?A escola vai ser construída. Não sou louco de perder uma escola. A escola ficará no loteamento, mas nenhuma criança do Sertão Verde vai ficar desassistida?, garantiu, sugerindo que a comunidade reivindique outra escola ou creche na localidade, mas sem dar mais detalhes. A promessa do município é de que a obra comece ainda este ano.
O presidente da Associação de Moradores do Sertão Verde, Carlos Alberto Barbacovi, mostrou-se satisfeito com a ampla participação da população, que levou cartazes defendendo a escola na localidade, mas garantiu que a comunidade vai continuar na luta para ter a escola Angélica Costa em um local mais próximo, sem os riscos como o da BR-470 criticados pelos moradores. ?A comunidade quer a escola. Se não houver avanço após a audiência, vamos fazer manifestação na Prefeitura, na rodovia. Vamos levar o assunto adiante?, prometeu.
Entenda o caso
Em novembro de 2008, o prédio que abrigava a Escola Angélica de Souza Costa, na localidade do Sertão Verde, veio abaixo em um deslizamento de terra e deixou a comunidade sem um espaço adequado para que as aulas. A empresa Bunge se prontificou a reconstruir a escola após a calamidade. Depois de estudos e reuniões, o município definiu que a reconstrução seria no loteamento às margens da BR-470, a aproximadamente 2,5 quilômetros do local da antiga escola. A comunidade deseja que o educandário seja reconstruído dentro do Sertão Verde e já até sugeriu três terrenos como possibilidades para o município erguer o prédio, que seriam afastados de risco de cheias ou deslizamentos, segundo os moradores. O município e a Fundação Bunge, no entanto, preferem o local Enquanto isso, segue o cenário de indefinição sobre o local, os prazos e até mesmo a certeza de reconstrução da Escola Angélica Costa.
Edição 1546
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| Terreno escolhido pela Prefeitura desagrada líderes comunitários do Sertão Verd |
Moradores do bairro pressionam o poder público para que a escola seja construída dentro da comunidade, próximo ao local onde ela funcionava até ser destruída. Enquanto isso, Prefeitura de Gaspar e Fundação Bunge dão sequência ao projeto original de reconstrução, que prevê que a nova escola seja erguida no loteamento às margens da BR-470, criado após a calamidade de 2008.Em novembro de 2008, o prédio que abrigava a Escola Angélica de Souza Costa, na localidade do Sertão Verde, veio abaixo em um deslizamento de terra e deixou a comunidade sem um espaço adequado para que as aulas. Exatos cinco anos depois, o projeto de reconstrução da instituição de ensino vem causando polêmica.
O presidente da Associação de Moradores do Sertão Verde, Carlos Alberto Barbacovi, garante que em 2009, quando iniciaram as discussões para a reconstrução, a promessa era de que a nova escola ficaria na comunidade, onde estava o prédio antigo do educandário. No decorrer do processo, no entanto, o município decidiu levar a escola para o novo local. No mês passado, um anúncio revelou a possibilidade de início das obras ainda esse mês.
A reivindicação da comunidade do Sertão Verde se baseia em duas preocupações. A principal delas é a distância do local escolhido para construir a escola, que fica a 2,5 quilômetros da localidade, e o risco causado pela BR-470. ?Nossa comunidade é formada por gente trabalhadora. Qual o pai que vai ficar tranquilo indo trabalhar sabendo que os filhos precisam passar por uma rodovia perigosa como essa para ir à escola??, questiona o presidente.
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| Carlos Alverto Barbacovi |
A segunda justificativa é a localização da área prevista para a nova escola. O terreno fica a poucos metros das estações de gás do loteamento das casas de plástico, o que segundo a comunidade também representaria um risco para os estudantes. ?Temos aproximadamente 350 famílias à direita da BR-470 e mais 300 famílias no lado esquerdo da rodovia, que também pertence ao Sertão Verde. Não entendo porque fazer a escola em um loteamento com número de moradores menor?, critica Barbacovi.
Alternativas
Nos últimos meses, os líderes da comunidade têm buscado alternativas para discutir melhor o local de reconstrução da escola Angélica Costa. Em abril, uma reunião entre moradores do Sertão Verde e representantes da Prefeitura, como o secretário de Educação, Neivaldo da Silva e a secretária de Planejamento, Patrícia Scheidt, reafirmou a vontade da comunidade. No início de outubro, em uma nova reunião, representantes da Fundação Bunge e da Prefeitura confirmaram que o novo local da escola já estava definido. ?O pessoal da nossa comunidade é honesto, trabalhador, nunca pede nada a ninguém. Tem direito de que a escola fique onde ela sempre esteve, dentro da comunidade?, ressalta o ex-vereador e líder comunitário Antônio Zonta.
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| Área na Estrada Geral teria morro cortado e é sugerida por moradores locais |
Os líderes da comunidade, que têm recebido assessoria e consultoria jurídica dos advogados Mário Mesquita e Danilo Visconti, preparam uma série de ações para levar as reivindicações adiante. A primeira delas ocorreu na tarde desta segunda-feira, quando foi apresentada uma moção de apelo na Câmara de Vereadores. A intenção é tentar agendar uma audiência pública para rediscutir o local de reconstrução da escola Angélica Costa. A segunda ação é uma representação no Ministério Público para que o órgão acompanhe as decisões envolvendo a reconstrução. Por fim, as lideranças do bairro ainda devem mover uma ação para tentar embargar a obra prevista para o loteamento da BR-470, segundo eles uma área considerada irregular.
Como outras opções de locais para a escola Angélica Costa, lideranças do bairro já trabalham com algumas sugestões de terrenos. O principal deles está situado no centro da localidade, onde hoje há um campo de futebol, no primeiro quilômetro da Estrada Geral do Sertão Verde. A área, que teria cerca de 10 mil metros quadrados, tem apenas um morro nos fundos e o proprietário já teria se colocado à disposição para retirar o barro da localidade e aterrar a área. ?É um espaço mais que suficiente e que permite ainda a construção de uma área de esporte e lazer para os moradores?, argumenta o presidente da Associação de Moradores.
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Segunda área proposta pela comunidade |
Um laudo técnico chegou a ser contratado pela própria comunidade do Sertão Verde. O documento afirma que, se for realizado o corte do morro que fica ao lado do terreno, deixariam de existir as áreas de risco no local. Outras duas áreas também são apontadas como alternativas. Uma delas fica próximo à BR-470, mas poderia ser acessada por dentro do bairro por uma nova via.
Prefeitura quer manter ideia original
A intenção da Prefeitura é de que o projeto original seja mantido e que as obras possam ser iniciadas em breve. A secretária de Planejamento e Desenvolvimento, Patrícia Scheidt, revela que na última reunião com os moradores ela se comprometeu a levar um geólogo até a área sugerida pelos moradores para receber a escola Angélica Costa. Ela afirma que a visita do profissional, que é ligado à Furb e auxiliou outras cidades do Vale após a calamidade de 2008, deve ocorrer nos próximos dias. A intenção é saber qual a possibilidade de redução do risco se for executado o corte do morro que fica ao lado do terreno sugerido pelos moradores.
Ainda assim, a tendência é de que a decisão já anunciada pelo município seja mantida, com a construção da escola no loteamento da BR-470. ?O assunto vem sendo discutido com a Bunge há anos. Eles não vão investir em uma área de risco - e aquela área vai ser sempre monitorada. Depois, se o morro for baixado e for comprovado que não há risco, podemos levar uma creche ou outro equipamento para esse local. Mas se esperarmos mais corremos o risco de perder a escola?, argumenta a secretária.
O secretário de Educação, Neivaldo da Silva, também defende que a reconstrução não se estenda mais. Ele lembra que a decisão de reconstruir a escola no loteamento da BR-470 levou em conta os laudos técnicos sobre áreas de risco, com a intenção de garantir a segurança dos alunos. O secretário destaca que entende as preocupações dos moradores, mas ressalta que será oferecido transporte escolar para os alunos para reduzir o risco que a travessia da rodovia pode oferecer. ?Os alunos que hoje estudam na Norma Mônica Sabel também precisam passar pela BR-470, mas com o transporte escolar conseguimos garantir a segurança. Além disso, com a duplicação da rodovia algumas melhorias estão previstas para aquele trecho?, ressalta.
Sobre o gasoduto, tanto Neivaldo quanto Patrícia destacam que o município têm documentos da empresa responsável pela rede referentes à segurança do local. ?Se o lugar não fosse seguro não poderíamos nem ter casas lá?, argumenta Patrícia.
A diretora-executiva da Fundação Bunge, Cláudia Calais, destaca que desde o primeiro momento o direcionamento era para reconstruir a escola Angélica Costa no loteamento da BR-470, em função da falta de áreas sem risco de alagamentos e deslizamentos no trecho da comunidade do Sertão Verde. ?A Fundação Bunge nunca teve nenhuma restrição em construir no lado A ou no lado B, mas nunca se cogitou a possibilidade de ser no Sertão Verde justamente em função das questões técnicas, da falta de áreas seguras disponíveis?, explica. Ela reforça que melhorias como uma passagem prevista durante a duplicação da rodovia e o transporte escolar prometido pela Secretaria de Educação devem garantir a segurança dos alunos. ?Essa questão da distância da escola às vezes acaba vindo à tona, mas não dá mais para adiar. Nossa ideia é começar a reconstrução ainda no final desse ano?, finaliza.

Risco na BR
O risco de acidentes e atropelamentos na BR-470 já foi sentido na pele por pelo menos um morador da localidade, Santo Gervásio, 60 anos. Em 1995, a filha dele, Patrícia Gervásio, então com 15 anos, ia para a escola quando acabou sendo atropelada ao atravessar a rodovia. ?Eu e minha mulher sentimos essa dor até hoje. Com uma construção como uma escola perto de uma rodovia, como garantir que algum aluno não vá se atrever a brincar perto da BR? As crianças nem sempre têm noção do perigo?, sugere.
Edição 1540
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