Prefeitura reafirma decisão sobre Angélica Costa - Jornal Cruzeiro do Vale

Prefeitura reafirma decisão sobre Angélica Costa

12/11/2013
Jean Laurindo  Jean Laurindo 
 Jean Laurindo  Jean Laurindo

A polêmica sobre o local de reconstrução da escola Angélica Costa realmente mobilizou a comunidade do bairro Sertão Verde. Na noite desta segunda-feira, dia 2, cerca de 300 pessoas compareceram à audiência pública que discutiu o assunto, na Sociedade União, bairro Margem Esquerda. O encontro durou cerca de duas horas e dividiu opiniões entre autoridades, que defenderam a reconstrução da escola no loteamento às margens da BR-470, e moradores, que cobram que a instituição de ensino seja reerguida em um terreno dentro da localidade.

O vereador Marcelo Brick, que solicitou a audiência, comandou o encontro. Na avaliação dele, o município precisava se posicionar sobre a possibilidade de construir a escola em um dos terrenos sugeridos pela comunidade ou, pelo menos, propor alternativas para a comunidade, como a construção de uma creche ou um posto de saúde. ?Acredito que a audiência cumpriu um papel importante. Os moradores precisavam ser ouvidos. Mas pelo que o Executivo apresentou o local para a reconstrução da escola está definido?, destacou.

O prefeito Pedro Celso Zuchi, a secretária de Planejamento Patrícia Scheidt e a representante da Secretaria de Educação participaram da audiência em nome do Executivo. Em entrevista, Zuchi afirmou que a Prefeitura levou à audiência as mesmas explicações que já haviam sido dadas em encontros anteriores com a comunidade sobre a reconstrução da escola e destacou que, se a comunidade estiver descontente, uma opção seria buscar a construção de uma creche ou de outra escola, algo que chegou a ser discutido no final do encontro. A comunidade cobrou a reconstrução da escola no Sertão Verde, mas o Executivo foi enfático na escolha do terreno do loteamento da BR-470 para reerguer a escola.

 

?A escola vai ser construída?

A representante da Fundação Bunge, Cláudia Calais, esteve na audiência e, instigada por Zuchi, confirmou que a entidade não pensa em estudar um novo local para a escola em virtude dos custos extras que isso traria à reconstrução da escola. Durante o discurso para a comunidade, o prefeito Pedro Celso Zuchi relembrou o cenário pós-catástrofe, argumentou sobre a escolha do terreno no loteamento da BR-470 e foi enfático sobre a sequência da reconstrução da Angélica Costa. ?A escola vai ser construída. Não sou louco de perder uma escola. A escola ficará no loteamento, mas nenhuma criança do Sertão Verde vai ficar desassistida?, garantiu, sugerindo que a comunidade reivindique outra escola ou creche na localidade, mas sem dar mais detalhes. A promessa do município é de que a obra comece ainda este ano.

O presidente da Associação de Moradores do Sertão Verde, Carlos Alberto Barbacovi, mostrou-se satisfeito com a ampla participação da população, que levou cartazes defendendo a escola na localidade, mas garantiu que a comunidade vai continuar na luta para ter a escola Angélica Costa em um local mais próximo, sem os riscos como o da BR-470 criticados pelos moradores. ?A comunidade quer a escola. Se não houver avanço após a audiência, vamos fazer manifestação na Prefeitura, na rodovia. Vamos levar o assunto adiante?, prometeu.

 

 

Entenda o caso

 

Em novembro de 2008, o prédio que abrigava a Escola Angélica de Souza Costa, na localidade do Sertão Verde, veio abaixo em um deslizamento de terra e deixou a comunidade sem um espaço adequado para que as aulas. A empresa Bunge se prontificou a reconstruir a escola após a calamidade. Depois de estudos e reuniões, o município definiu que a reconstrução seria no loteamento às margens da BR-470, a aproximadamente 2,5 quilômetros do local da antiga escola. A comunidade deseja que o educandário seja reconstruído dentro do Sertão Verde e já até sugeriu três terrenos como possibilidades para o município erguer o prédio, que seriam afastados de risco de cheias ou deslizamentos, segundo os moradores. O município e a Fundação Bunge, no entanto, preferem o local Enquanto isso, segue o cenário de indefinição sobre o local, os prazos e até mesmo a certeza de reconstrução da Escola Angélica Costa.

 

Edição 1546

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Comunidade diverge sobre reconstrução de escola

 

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Terreno escolhido pela Prefeitura desagrada líderes comunitários do Sertão Verd

Moradores do bairro pressionam o poder público para que a escola seja construída dentro da comunidade, próximo ao local onde ela funcionava até ser destruída. Enquanto isso, Prefeitura de Gaspar e Fundação Bunge dão sequência ao projeto original de reconstrução, que prevê que a nova escola seja erguida no loteamento às margens da BR-470, criado após a calamidade de 2008.Em novembro de 2008, o prédio que abrigava a Escola Angélica de Souza Costa, na localidade do Sertão Verde, veio abaixo em um deslizamento de terra e deixou a comunidade sem um espaço adequado para que as aulas. Exatos cinco anos depois, o projeto de reconstrução da instituição de ensino vem causando polêmica.

O presidente da Associação de Moradores do Sertão Verde, Carlos Alberto Barbacovi, garante que em 2009, quando iniciaram as discussões para a reconstrução, a promessa era de que a nova escola ficaria na comunidade, onde estava o prédio antigo do educandário. No decorrer do processo, no entanto, o município decidiu levar a escola para o novo local. No mês passado, um anúncio revelou a possibilidade de início das obras ainda esse mês.

A reivindicação da comunidade do Sertão Verde se baseia em duas preocupações. A principal delas é a distância do local escolhido para construir a escola, que fica a 2,5 quilômetros da localidade, e o risco causado pela BR-470. ?Nossa comunidade é formada por gente trabalhadora. Qual o pai que vai ficar tranquilo indo trabalhar sabendo que os filhos precisam passar por uma rodovia perigosa como essa para ir à escola??, questiona o presidente.

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Carlos Alverto Barbacovi

A segunda justificativa é a localização da área prevista para a nova escola. O terreno fica a poucos metros das estações de gás do loteamento das casas de plástico, o que segundo a comunidade também representaria um risco para os estudantes. ?Temos aproximadamente 350 famílias à direita da BR-470 e mais 300 famílias no lado esquerdo da rodovia, que também pertence ao Sertão Verde. Não entendo porque fazer a escola em um loteamento com número de moradores menor?, critica Barbacovi.

 

Alternativas

Nos últimos meses, os líderes da comunidade têm buscado alternativas para discutir melhor o local de reconstrução da escola Angélica Costa. Em abril, uma reunião entre moradores do Sertão Verde e representantes da Prefeitura, como o secretário de Educação, Neivaldo da Silva e a secretária de Planejamento, Patrícia Scheidt, reafirmou a vontade da comunidade. No início de outubro, em uma nova reunião, representantes da Fundação Bunge e da Prefeitura confirmaram que o novo local da escola já estava definido. ?O pessoal da nossa comunidade é honesto, trabalhador, nunca pede nada a ninguém. Tem direito de que a escola fique onde ela sempre esteve, dentro da comunidade?, ressalta o ex-vereador e líder comunitário Antônio Zonta.

 

 

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Área na Estrada Geral teria morro cortado e é sugerida por moradores locais

Comunidade toma medidas e busca opções de terrenos

 

Os líderes da comunidade, que têm recebido assessoria e consultoria jurídica dos advogados Mário Mesquita e Danilo Visconti, preparam uma série de ações para levar as reivindicações adiante. A primeira delas ocorreu na tarde desta segunda-feira, quando foi apresentada uma moção de apelo na Câmara de Vereadores. A intenção é tentar agendar uma audiência pública para rediscutir o local de reconstrução da escola Angélica Costa. A segunda ação é uma representação no Ministério Público para que o órgão acompanhe as decisões envolvendo a reconstrução. Por fim, as lideranças do bairro ainda devem mover uma ação para tentar embargar a obra prevista para o loteamento da BR-470, segundo eles uma área considerada irregular.

 

Como outras opções de locais para a escola Angélica Costa, lideranças do bairro já trabalham com algumas sugestões de terrenos. O principal deles está situado no centro da localidade, onde hoje há um campo de futebol, no primeiro quilômetro da Estrada Geral do Sertão Verde. A área, que teria cerca de 10 mil metros quadrados, tem apenas um morro nos fundos e o proprietário já teria se colocado à disposição para retirar o barro da localidade e aterrar a área. ?É um espaço mais que suficiente e que permite ainda a construção de uma área de esporte e lazer para os moradores?, argumenta o presidente da Associação de Moradores.

 

 

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Segunda área proposta pela comunidade

Um laudo técnico chegou a ser contratado pela própria comunidade do Sertão Verde. O documento afirma que, se for realizado o corte do morro que fica ao lado do terreno, deixariam de existir as áreas de risco no local. Outras duas áreas também são apontadas como alternativas. Uma delas fica próximo à BR-470, mas poderia ser acessada por dentro do bairro por uma nova via.

 

 

 

 

 

 

Prefeitura quer manter ideia original

A intenção da Prefeitura é de que o projeto original seja mantido e que as obras possam ser iniciadas em breve. A secretária de Planejamento e Desenvolvimento, Patrícia Scheidt, revela que na última reunião com os moradores ela se comprometeu a levar um geólogo até a área sugerida pelos moradores para receber a escola Angélica Costa. Ela afirma que a visita do profissional, que é ligado à Furb e auxiliou outras cidades do Vale após a calamidade de 2008, deve ocorrer nos próximos dias. A intenção é saber qual a possibilidade de redução do risco se for executado o corte do morro que fica ao lado do terreno sugerido pelos moradores.

Ainda assim, a tendência é de que a decisão já anunciada pelo município seja mantida, com a construção da escola no loteamento da BR-470. ?O assunto vem sendo discutido com a Bunge há anos. Eles não vão investir em uma área de risco - e aquela área vai ser sempre monitorada. Depois, se o morro for baixado e for comprovado que não há risco, podemos levar uma creche ou outro equipamento para esse local. Mas se esperarmos mais corremos o risco de perder a escola?, argumenta a secretária.

O secretário de Educação, Neivaldo da Silva, também defende que a reconstrução não se estenda mais. Ele lembra que a decisão de reconstruir a escola no loteamento da BR-470 levou em conta os laudos técnicos sobre áreas de risco, com a intenção de garantir a segurança dos alunos. O secretário destaca que entende as preocupações dos moradores, mas ressalta que será oferecido transporte escolar para os alunos para reduzir o risco que a travessia da rodovia pode oferecer. ?Os alunos que hoje estudam na Norma Mônica Sabel também precisam passar pela BR-470, mas com o transporte escolar conseguimos garantir a segurança. Além disso, com a duplicação da rodovia algumas melhorias estão previstas para aquele trecho?, ressalta.

Sobre o gasoduto, tanto Neivaldo quanto Patrícia destacam que o município têm documentos da empresa responsável pela rede referentes à segurança do local. ?Se o lugar não fosse seguro não poderíamos nem ter casas lá?, argumenta Patrícia.

 

A diretora-executiva da Fundação Bunge, Cláudia Calais, destaca que desde o primeiro momento o direcionamento era para reconstruir a escola Angélica Costa no loteamento da BR-470, em função da falta de áreas sem risco de alagamentos e deslizamentos no trecho da comunidade do Sertão Verde. ?A Fundação Bunge nunca teve nenhuma restrição em construir no lado A ou no lado B, mas nunca se cogitou a possibilidade de ser no Sertão Verde justamente em função das questões técnicas, da falta de áreas seguras disponíveis?, explica. Ela reforça que melhorias como uma passagem prevista durante a duplicação da rodovia e o transporte escolar prometido pela Secretaria de Educação devem garantir a segurança dos alunos. ?Essa questão da distância da escola às vezes acaba vindo à tona, mas não dá mais para adiar. Nossa ideia é começar a reconstrução ainda no final desse ano?, finaliza.

 

 

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Risco na BR


O risco de acidentes e atropelamentos na BR-470 já foi sentido na pele por pelo menos um morador da localidade, Santo Gervásio, 60 anos. Em 1995, a filha dele, Patrícia Gervásio, então com 15 anos, ia para a escola quando acabou sendo atropelada ao atravessar a rodovia. ?Eu e minha mulher sentimos essa dor até hoje. Com uma construção como uma escola perto de uma rodovia, como garantir que algum aluno não vá se atrever a brincar perto da BR? As crianças nem sempre têm noção do perigo?, sugere.

 

 

Edição 1540

Comentários

Eleno
03/12/2013 18:43
Se esse local na BR e' tao perigoso assim, por que nao instalar um semaforo para pedestres? Nao precisa ser muito inteligente pra resolver um problema desses...
Antonio Luiz da Silva
03/12/2013 17:39
Parabéns ao prefeito e fundação bunge que não cederam as pressões de alguns irresponsáveis que se dizem defensores da população do Sertão Verde. Parece que não têm sentimentos pelos seus liderados.
Pois aquele morro e as enchentes deixam eles preocupados com cada chuva que cai; eles próprios são prova do sofrimento e agonia.
Não adianta esbrabejar depois do ocorrido;querendo acusar todos; mas precisamente o poder público.
O que deu para perceber deste exaltados, é que eles querem promover-se politicamente
Loide
12/11/2013 17:05
eu tbém quero que a escola seja construida no sertão verde pois é mais perto porém foi feita uma reunião para decidir onde seria a nova escola e a comunidade aceitou o local proposto pela prefeitura eu não fui na reunião então perdi meu direito de reclamar,fazer oque né?Eu tbém morro de medo da br 470 pois tenho duas filhas que vão depender do ônibus pra ir
Vidal
12/11/2013 09:06
Só quem passa pela BR no horário do meio dia quando o ônibus escolar para no acostamento sabe a aflição que é. As crianças descem em grande número..ai ficam no acostamento ameaçando ir..voltam..alguns vão..outros ficam...uns correm, outros atravessam de mãos dadas puxando os outros. Meu Deus eu passo ali e rezo pra eles atravessarem logo..porque dá uma aflição ver aquelas crianças todas passando por este risco todos os dias.

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