| Moradores filmaram primeira demolição de casa |
Mesmo com a insatisfação de parte dos moradores, que chegaram a montar uma comissão para pedir mais diálogo com a Prefeitura, a urbanização do Loteamento Jardim Primavera deu os passos iniciais nesta semana, com a demolição da primeira casa construída na área que receberá as obras de infraestrutura e habitação.
Na próxima semana o trabalho de demolição dos imóveis deve ter sequência. Mais 15 casas devem ser colocadas abaixo em duas etapas, ainda antes do início das obras. Informações como data e horário das intervenções não são divulgadas, mas as ações devem contar com forte apoio policial.
A secretária de Planejamento e Desenvolvimento de Gaspar, Patrícia Scheidt, explica que as demolições podem ser feitas antes da assinatura da ordem de serviço, já que os terrenos agora pertencem à Prefeitura, e informa que também na próxima semana deve ser definida nova data para a assinatura da permissão para o início das obras de urbanização da localidade.
Patrícia reforça a promessa de moradia para as famílias que terão os imóveis destruídos e conta que a primeira demolição foi feita com autorização da proprietária, que se mudou para um apartamento no Residencial Milano, inaugurado semana passada no bairro Coloninha. ?A urbanização deve se tornar nossa prioridade nos próximos meses?, afirma.
Um dos integrantes da comissão criada por moradores do Jardim Primavera, Valdecir Rodrigues Castro, afirma que por enquanto os representantes estão conversando com advogados e juntando materiais que possam servir de provas. Ele afirma que foi chamado para uma reunião no Centro de Referência em Assistência Social, Cras, do bairro, mas garante que as dúvidas sobre o destino das famílias permanecem em aberto.
Tema de requerimento

Na sessão desta terça-feira, a vereadora Marli Iracema Sontag apresentou requerimento solicitando ao Executivo mais informações sobre a urbanização do Jardim Primavera, com detalhes sobre critério de escolha dos contemplados com as novas moradias, possíveis projetos futuros na área habitacional voltados aos moradores da localidade, destino das famílias que terão que deixar as residências e detalhes técnicos sobre a obra. O documento foi encaminhado ao Executivo, que tem prazo legal de 15 dias para responder.
Urbanização
O projeto de urbanização do Loteamento Jardim Primavera, também conhecido como Marinha, prevê ações de infraestrutura urbana com drenagem pluvial, pavimentação de ruas e calçadas, implantação de sistema de tratamento de esgotamento sanitário, construção de duas praças, um mirante, um galpão para geração de trabalho e renda, instalação de água e de luz. A proposta também prevê a demolição de casas em área de risco ou em locais onde passarão as obras, o que vem deixando alguns moradores insatisfeitos, para a construção de 70 unidades habitacionais pelo programa Minha Casa, Minha Vida.
Edição 1491
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A proposta de urbanização do Loteamento Jardim Primavera, no bairro Bela Vista, parece virar alvo de um impasse. Após sofrer adiamento da assinatura da ordem de serviço, prevista para ocorrer no último fim de semana, o projeto também vem sendo questionado por moradores da localidade, que alegam não ter sido informados sobre detalhes das obras e se sentem inseguros quanto ao destino das famílias que possam não ser beneficiadas com novas moradias.
Moradores da localidade participaram de reuniões no dia 14 e no último sábado, dia 18 (foto), no horário em que estava prevista a assinatura da ordem de serviço. No encontro, foi criada uma comissão que agora pede mais transparência no processo, com informações sobre a obra, eventuais indenizações, quem irá receber novas moradias e o destino de quem não estiver incluído no projeto.
A bronca dos moradores ocorre também por que, segundo representantes da comissão, há pessoas que moram há menos de um ano na localidade e que estariam na lista para receber nova moradia no residencial do programa Minha Casa, Minha Vida projetado para o Jardim Primavera, enquanto alguns moradores que estão há mais de 10 anos no local não teriam sido contemplados. A necessidade de indenização é outro ponto defendido. ?Quem puxou água e luz para as residências foram os próprios moradores. Foi um investimento alto e agora eles não querem nos dar nada?, critica o integrante da comissão Valdecir Rodrigues Castro.
Contraponto
Procurada pela reportagem do Cruzeiro do Vale, a secretária de Planejamento e Desenvolvimento, Patrícia Scheidt, afirmou que participou de pelo menos três reuniões para apresentar o projeto à comunidade. Segundo ela, 79 residências precisarão ser demolidas, algumas por estarem em área de risco, na margem do Rio Itajaí-Açu, e outras por estarem no local das obras. Na fase inicial, apenas 16 imóveis da área em que será erguido o residencial devem ser demolidos.
Três dessas famílias irão para o Residencial Milano, inaugurado semana passada no Coloninha, e outras terão aluguel custeado pela Prefeitura até a conclusão dos apartamentos ? os recursos para isso já estariam reservados no orçamento do município. ?Algumas famílias alegaram que precisam de espaço para equipamentos como betoneiras, então uma saída seriam os lotes da Margem Esquerda ou do Gaspar Mirim?, diz.
Sobre as indenizações desejadas por quem terá imóvel demolido, Patrícia é direta. ?O município não tem como indenizar uma construção feita em área irregular. Se eles quiserem levar a janela, as telhas, podem levar, mas o município comprou os terrenos e vai precisar da área para as obras de infraestrutura. Isso já havia ficado bem claro entre as famílias?, garante.
Uma das preocupações manifestadas pelos moradores está ligada ao perfil socioeconômico de algumas famílias, que não atenderia a todas as exigências e poderia deixá-las de fora das novas moradias. ?Se há mais de três pessoas em casa e todas trabalham, o valor já ultrapassa o limite de R$ 1,6 mil?, argumenta o morador José Carvalho, outro integrante da comissão.
Patrícia informa que o departamento de Habitação está analisando as situações, mas cita os terrenos dos bairros Margem Esquerda e Gaspar Mirim como alternativas para as famílias que tiverem renda acima do perfil estipulado e garante que ninguém ficará sem moradia. A mudança para bairros distantes, no entanto, não agrada a comissão da localidade.
Patrícia pretende solicitar que o Ministério Público acompanhe as próximas etapas da obra e minimiza as reclamações, que segundo ela não correspondem à vontade da maioria das 300 famílias que moram na localidade. ?A gente sabe que não é uma obra fácil, mas ninguém da comissão veio falar conosco. O que não podemos é perder os R$ 8 milhões para as obras de infraestrutura, porque esse dinheiro não vai voltar. Já discutimos bastante com a comunidade, mas nossas portas estão abertas para atender a comissão?, finaliza.
Edição 1490

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