Em 2009, quando precisou fazer uma mamografia de rotina, Valeri Tassi, moradora do bairro Santa Terezinha, precisou esperar três meses para conseguir uma requisição para realizar o exame através do Sistema Único de Saúde, SUS.
A demora se deu, pois o Município não possuía o equipamento para realizar o exame e a paciente precisou ser encaminhada para Blumenau.
Até hoje, três anos depois, Gaspar, assim como muitos municípios brasileiros, ainda não possui o equipamento e por isso muitas mulheres esperam vários meses para poder realizar o exame através do SUS.
Para diminuir este tempo de espera, o Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira, 31, uma portaria que regulamenta a habilitação para o Programa de Mamografia Móvel, que consiste na liberação de Unidades Oncológicas Móveis que percorrerão locais estratégicos dos municípios para a realização de mamografias.
Segundo a portaria, a oferta do serviço de mamografia móvel à população se dará por adesão pelos gestores locais de saúde, ou seja, Secretarias de Estado e Municipais, que deverão solicitar habilitação ao Ministério da Saúde. Para a secretária de Saúde de Gaspar, Márcia Adriana Cansian, o serviço é importante, porém, não se pode deixar de apontar que na grande maioria dos municípios, incluindo Gaspar, a dificuldade não é pela falta do equipamento e sim do profissional habilitado à realização do exame.
Atualmente, o município encaminha, em média, 195 mulheres para a realização do exame de mamografia nas cidades de Blumenau e Pomerode. ?O número de faltas que acontecem hoje neste serviço é em torno de 30%, não dando oportunidade de reagendarmos outro usuário. É importante a conscientização da população, não só da procura de exames como a mamografia, exame preventivo, mas como o compromisso do usuário no comparecimento no dia do exame. Isto tem dificultado em vários procedimentos, mas em especial nos serviços de mamografia?, destaca a secretária.
Segundo Valeri, no ano de 2010 ela pediu ao médico do Posto de Saúde uma nova requisição para fazer mamografia, pois sentia algo estranho nas mamas, porém, o médico falou que não havia necessidade. ?Em 2011 voltei a pedir o exame. Solicitei no início do ano e a requisição veio apenas em dezembro. Mas nesta época eu já havia feito um exame particular e que detectou o câncer de mama?, lembra.
Hoje, Valeri faz todo o tratamento contra o câncer através do SUS e diz ser sempre muito bem atendida. ?Não há o que reclamar, recebo todos os atendimentos necessários. Só acho que, se tivéssemos o exame de mamografia em nossa cidade haveria melhor acompanhamento para as mulheres. Caso este serviço móvel chegue a Gaspar será muito bom para a saúde de todas nós?, opina a paciente.
A mesma opinião tem a presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer, Erica da Silva. A voluntária diz não conhecer o funcionamento da unidade móvel, porém garante que, caso a Secretaria de Saúde consiga trazer este serviço para a cidade, terá sempre todo o apoio das voluntárias da Rede Feminina.
Conforme prevê a portaria assinada nesta quarta-feira, cada unidade móvel deverá ter obrigatoriamente um técnico em radiologia e ser equipada com pelo menos um mamógrafo. Dependendo da estrutura do serviço, o gestor também poderá disponibilizar médico radiologista, mastologista ou ginecologista obstetra.
A dinâmica do trabalho prevê que a mulher seja encaminhada ao serviço, preferencialmente, por meio das Unidades Básicas de Saúde ou Postos de Saúde. O gestor local deverá estar preparado para atender as mulheres que apresentarem alterações mamárias, prestando atendimento via Atenção Básica, com encaminhamento aos serviços especializados de diagnóstico e tratamento.
Os exames feitos nas unidades poderão ser entregues no dia do exame ou por agendamento. Dependendo do tipo de unidade móvel, o resultado também poderá ser enviado via satélite para um estabelecimento de saúde de referência para que um médico especialista avalie o exame e apresente o resultado em até 24 horas. A estimativa é que as unidades móveis tenham capacidade de fazer 800 mamografias por mês.
A contratação e execução do programa serão de responsabilidade dos estados e municípios, cabendo ao Ministério da Saúde o repasse financeiro referente aos procedimentos realizados aos gestores estaduais e municipais.
Edição 1437

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