Por Ana C. Bernardes
?Mulher, mulher, na escola em que você foi ensinada jamais tirei um dez. Sou forte, mas não chego aos seus pés?. Lançada há mais de 30 anos, a música Mulher (sexo frágil), de Erasmo Carlos, ainda consegue traçar certas características do perfil feminino atual. Forte, decidida e batalhadora, mas ao mesmo tempo delicada, protetora e carinhosa, a mulher vem ganhando cada vez mais notoriedade e se tornando uma figura presente em todos os espaços da sociedade.
Pensando em homenagear as mulheres nesta sexta-feira, 8 de março, quando é comemorado o Dia Internacional delas, a reportagem do Cruzeiro do Vale entrevistou três personagens do universo feminino: Vera Beduschi, Erica da Silva e Anelita Seibel Lessa. Em comum, elas possuem a força de vontade e a dedicação para lutar por aquilo que querem e vencer os obstáculos que lhe foram impostos. Cada história traz um pouco da sensibilidade da mulher, aliada à coragem e à determinação, sempre presentes em cada uma.
A risada de Vera Beduschi, 52 anos, pode ser reconhecida de longe. Alta, bem humorada e sincera, a risada pode ser ouvida várias vezes por dia, mostrando uma das características mais marcantes de Vera: a alegria. Forte, decidida, independente e cheia de determinação, a gasparense nasceu em 3 de junho de 1960. Desde nova se mostrava muito independente e, ainda na adolescência, viajou sozinha para os Estados Unidos. ?Sempre tive esse desejo por conhecer lugares, pessoas e costumes novos. Se eu pudesse, estaria sempre embarcando em algum avião rumo a um novo país?, confessa. Desde então, Vera já conheceu e até morou em vários países.
Em Gaspar, ela iniciou sua profissão aos 18 anos, dando aulas em uma escola multisseriada do bairro Bela Vista. Mais tarde, a servidora pública se formou em Letras e começou a lecionar Inglês em escolas de Gaspar e Blumenau. Após algum tempo, deixou de lecionar para trabalhar no setor público. Hoje, está no Departamento de Cultura, onde colabora com os trabalhos desenvolvidos pelo setor.
Vera se casou na Alemanha, onde morou por alguns anos, e teve um filho. O casamento durou cerca de cinco anos e, após o término, retornou a Gaspar. Atualmente, ela é casada e vive no bairro Sete de Setembro com o filho.
?Hoje, o arco-íris é mais colorido?
A maior dificuldade enfrentada por Vera surgiu em 1992, quando descobriu que estava com câncer de mama. O diagnóstico surgiu logo no início da doença e o obstáculo foi superado com o tratamento, que durou cerca de um ano e meio. Para Vera, os primeiros três dias após a descoberta foram difíceis e revoltantes, mas a aceitação veio em seguida. ?Eu falei que Deus sabe o que faz e continuei vivendo a minha vida, um dia de cada vez. Com certeza, isso serviu para que meus olhos ficassem mais abertos para o mundo e eu comecei a aproveitar cada momento muito mais?, ressalta.
A mulher de hoje
?Nós mulheres lutamos tanto e conseguimos ganhar nosso espaço na sociedade. Mas ainda temos que repensar certas questões, que estão nos deixando sobrecarregadas. Temos tantas funções, trabalhamos, cuidamos da casa e dos filhos, que às vezes falta tempo de fazer as coisas simples, que nos deixam mais felizes e realizadas?
A expressão no rosto de Erica da Silva, 60 anos, transborda gentileza e carinho. Sempre compreensiva e bem humorada, dona Erica é uma mulher forte e batalhadora, que sempre correu atrás dos objetivos e alcançou grande parte deles. Nascida em Tubarão, em 23 de junho de 1952, ela e a família vieram para Gaspar poucos anos depois. Aqui, a vida profissional iniciou ainda muito jovem, como professora. Em 1982, dona Erica se casou e se mudou para o Rio Grande do Sul, onde ficou por seis anos. Ao retornar, ela engravidou pela primeira vez e parou de trabalhar. A segunda filha nasceu alguns anos depois.
Lutas e conquistas
Na década de 1980, dona Erica e outras voluntárias viram a necessidade de uma unidade de apoio no combate ao câncer na cidade, já que as mulheres da comunidade precisavam se deslocar até Blumenau para realizar exames. Trabalhando com empenho, dedicação e força de vontade, elas conseguiram realizar esse grande sonho e fundaram a primeira Rede Feminina de Combate ao Câncer de Gaspar. Desde a fundação, ela esteve presente e trabalhando na entidade, tanto na diretoria, presidência e também como voluntária. ?É um trabalho que sempre realizei com muito amor e dedicação. Ver que você está promovendo o bem e ajudando tantas mulheres é algo gratificante e enriquecedor?, destaca.
A mulher de hoje
?Com certeza, com o passar dos anos, a mulher mudou bastante. Ela se tornou mais independente, decidida e confiante. Passou a se amar e se valorizar mais. Isto é muito importante para que nós sejamos mais valorizadas por todos e, acima de tudo, mais valorizadas por nós mesmas.?
Dedicação ao emprego e à família é algo que nunca faltou para Anelita Seibel Lessa, 54 anos. Embora não tenha nascido em Gaspar, ela já vive no município há mais de três décadas e foi aqui que colecionou muitas conquistas na área profissional. Natural de Presidente Getúlio, Anelita nasceu no dia 14 de janeiro de 1959. Ainda no Ensino Médio, começou a dar aulas para crianças. Após algum tempo trabalhando como professora, ela deixou a profissão para trabalhar em um banco, onde ficou por aproximadamente 20 anos. Durante estas duas décadas, Anelita se casou e teve o primeiro e único filho. Por ter perdido o marido quando estava grávida, a professora teve que criar o filho sozinha, desafio que exigiu coragem e dedicação. Mais tarde ela voltou a se casar e, como o filho é casado, hoje vive apenas com o marido na Margem Esquerda.
Amor pela Educação
Mesmo tendo deixado de lado a profissão de professora por 20 anos, Anelita nunca deixou de gostar da vocação. Exatamente por isso que, em 1995, voltou a lecionar. Logo após, conseguiu terminar a faculdade de Letras, interrompida na década de 1980, e deu aulas em diversas escolas de Gaspar. Hoje, Anelita já está aposentada, mas ainda leciona para algumas turmas quando é solicitada. ?É uma profissão muito gratificante e que sempre gostei de exercer. Claro que houve diversas mudanças, já que comecei muito nova, mas ainda é algo que faço com prazer e alegria?, afirma.
A mulher de hoje
?Acredito que com o passar dos anos a mulher tenha se tornado mais atuante, decidida e firme em todas as decisões. Mas, às vezes, é necessário que tenhamos em mente que não podemos fazer de tudo. Ainda precisamos ter um tempo para nós e saber repartir as funções com os homens.?
Edição 1468

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