Esgoto a céu aberto, mau cheiro, mosquitos, falta de infraestrutura. Essa é a situação que acompanha diariamente moradores da Vila Cohab, loteamento na rua Valdemar Werner, no Braço do Baú, em Ilhota. Cerca de 20 famílias atingidas pela calamidade de 2008 residem na localidade, mas além de terem que enfrentar problemas com casas que não estão totalmente terminadas, precisam conviver com a falta de infraestrutura e de saneamento.
A maior parte das famílias reside no local desde o ano passado, quando os problemas já começaram a aparecer. Não há tubulação para o esgoto que sai das casas e os resíduos são levados por pequenas valas, feitas pelos próprios moradores. A situação expõe idosos e crianças com problemas de saúde ao risco de contrair doenças pelo contato direto com a água poluída.
Raul Roden mora na região há pouco mais de dois anos. Ele foi um dos primeiros moradores da localidade e ganhou a casa após ter perdido tudo na calamidade de 2008, quando a casa e os animais que tinha foram levados por um deslizamento. ?Como não tem tubulação, o esgoto das casas é jogado nos bananais e nos terrenos dos fundos das propriedades?, conta.
Risco à saúde
Diomar Antônio Veloso mora há quatro meses com a esposa e dois filhos em uma das casas do loteamento e também sofre na pele os problemas de infraestrutura. ?O esgoto passa no meio do meu terreno e segue pelo lado da rua, até embaixo do morro?, explica, reclamando do mau cheiro e da possibilidade de doenças que isso causa.
Parte do loteamento foi erguida por meio de uma parceria com o Instituto Ressoar, mas segundo a comunidade, algumas casas foram entregues sem estar concluídas, o que forçou os moradores a acabarem a obra, e outras ainda estão inacabadas e precisarão ser desmanchadas por apresentarem problemas. ?No tempo em que estou aqui não apareceu ninguém da Prefeitura para propor uma solução?, relata Onório Kotlewski, 31 anos, que há dois mora no local com a esposa e três filhos.
A reportagem do Cruzeiro do Vale tentou contato com o secretário de Obras de Ilhota, Vanderlei da Costa, mas até o final da tarde desta quinta não obteve retorno. Já a coordenadora de Defesa Civil de Ilhota, Tatiana Reichert, conta que as casas foram construídas por uma parceria entre Instituto Ressoar e Cohab e que a Defesa Civil ficou responsável pela fiscalização dos trabalhos.
?Notificamos o empreiteiro responsável e o prazo para ele recomeçar a obra venceu em 20 de maio. Diante disso, fizemos pedidos extrajudicais e enviamos ofícios à Cohab e à Ressoar, para explicar a situação e descobrir quais caminhos essas entidades nos indicam?, argumenta Tatiana. A retomada das obras envolve a conclusão de algumas casas e a construção de outras, totalizando 22 residências.
Quanto à tubulação de esgoto, a Defesa Civil pretende solicitar o andamento do projeto junto à Secretaria de Obras. No entanto, a coordenadora antecipa que será necessário um trabalho de regularização fundiária, já que o terreno não foi demarcado por lotes. ?Estamos fazendo um recadastramento das famílias e, em princípio, vamos tentar uma parceria com o governo para que as famílias não precisem arcar com os custos dessa nova demarcação. Mas isso tudo ainda depende de conversas?, destaca.
Sentindo-se prejudicados com a situação, os moradores decidiram buscar apoio para cobrar melhorias nas residências e na infraestrutura da localidade. Após elaborar um abaixo-assinado, a comunidade procurou o vereador Luiz Fischer, que apresentou uma indicação em abril pedindo a instalação de tubulação de esgoto na localidade. ?Até agora não tivemos resposta?, lamenta o parlamentar.
Fischer afirma ainda que a comunidade estuda uma manifestação na Câmara de Vereadores. Antônio Hammes, que mora na Vila Cohab desde novembro de 2012, acredita que o saneamento é a prioridade para os moradores. ?Temos outros problemas como a conclusão das casas e a nossa caixa d?água, que já apresentou defeitos, mas com certeza o mais urgente é a tubulação de esgoto?, afirma.
Edição 1495

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