O laudo dos exames feitos no corpo de Ana Luísa Gonçalves para apontar a causa da morte da menina de três meses deve sair entre 20 e 30 dias. A informação é de técnicos do Serviço de Verificação de Óbito, SVO, do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, de Joinville. O corpo de Ana Luísa passou por necropsia na tarde desta quarta-feira, 3, e novos exames devem ser feitos com amostras no Centro de Exames Patológicos de Joinville até a conclusão do laudo.
O corpo de Ana Luísa foi liberado ainda na noite desta quarta e foi sepultado na manhã desta quinta-feira, no Cemitério Municipal de Gaspar. O Hospital informou ontem que abriu uma sindicância para apurar possível omissão de socorro à criança. A Secretaria de Saúde também prometeu avaliar o caso enquanto a Polícia Civil informou que abrirá inquérito para apurar a situação.
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Imagens do circuito interno mostram família procurando atendimento (Reprodução / Rádio Sentinela do Vale) |
A pediatra Carla Hess, funcionária do Hospital de Gaspar, afirma que estava de plantão na tarde de terça-feira, 2, quando a família de Ana Luísa Gonçalves procurou atendimento na unidade hospitalar. A médica explica que estava prestando apoio a uma cesariana no Centro Obstetrício, mas que havia solicitado para ser acionada em casos de urgência na área de pediatria, o que não aconteceu. ?Só me ausentei por alguns minutos para ir ao banco pagar uma conta, mas foi antes do horário em que a família esteve no hospital e mesmo assim permaneci atenta ao celular, porque pedi para ser chamada se houvesse pacientes?, revela.
Ela informa que trabalhou até as 19h20 e que só soube do caso de Ana Luísa no dia seguinte, pela imprensa.
O corpo da menina Ana Luísa Gonçalves foi sepultado por volta das 8h desta quinta-feira, 4, no Cemitério Municipal de Gaspar, no bairro Santa Terezinha. Após passar por exames durante essa quarta-feira em Joinville, o corpo da menina chegou a Gaspar por volta das 22h e foi velado durante a noite na Capela Santa Rita de Cássia. Segundo familiares, nenhuma informação foi passada sobre os exames e a divulgação dos resultados deve levar de 20 a 30 dias.
A Secretaria de Saúde de Gaspar emitiu uma nota sobre a morte da menina Ana Luísa Gonçalves na noite desta quarta-feira, 3. No texto, a secretaria afirma que a criança foi atendida no Centro de Acolhimento de Risco, CAR, por profissionais de enfermagem e um pediatra e, segundo laudo, teria chegado com parada cardiorrespiratória e óbito.
A nota também fala sobre a vacina, aplicada em Ana Luísa no próprio CAR cerca de oito horas antes da morte da menina. ?A Secretaria de Saúde está executando todos os procedimentos necessários para elucidar as causas do evento, inclusive qualquer possibilidade de relação entre a vacinação e o óbito, o que é muito remota?, afirma o texto.
Por fim, a secretaria destaca que irá solicitar providências ao Ministério Público e à Secretaria de Estado de Saúde para investigar a responsabilidade do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que teria negado atendimento à família minutos antes da morte de Ana Luísa.
Confira a nota na íntegra:
Considerando o óbito da menor A. L. G., de 3 meses de idade, nesta terça-feira, 02/04/2013, a Secretaria de Saúde de Gaspar tem a esclarecer que a criança foi recebida no CAR (Centro de Acolhimento de Risco) por volta das 15h35min por profissionais médicos e de enfermagem, entre eles um pediatra. Conforme laudo médico a criança chegou em Parada Cardiorrespiratória e óbito. Os procedimentos de reanimação foram executados pela equipe, não sendo possível a recuperação dos sinais vitais.
A criança recebeu a 1ª dose da vacina anti-meningocócica tipo ?C? cerca de 8h antes da ocorrência, onde a Secretaria de Saúde está executando todos os procedimentos necessários para elucidar as causas do evento, inclusive qualquer possibilidade de relação entre a vacinação e o óbito, que é muito remota.
A vacina anti-meningocócica tipo ?C? foi introduzida em outubro de 2010 no Calendário Vacinal Nacional para crianças de até 1 ano de idade e seu esquema consiste de 02 doses abaixo de 01 ano e 01 reforço aos 15 meses. De outubro de 2010 a fevereiro de 2013 foi aplicado mais de 6.200 doses da anti-meningocócica tipo ?C? em Gaspar, sendo mais de 2.200 administradas na mesma faixa etária da criança em questão e não houve nenhum evento adverso pós-vacinal ligado exclusivamente a esta vacina.
Os eventos adversos que podem ser esperados após a administração da vacina anti-meningocócica tipo ?C? são basicamente os mesmos para todas as outras, ou seja, febre, irritabilidade, choro, diminuição do apetite e sonolência, sinais e sintomas que não se assemelham aos apresentados naquela data pela criança.
Soma-se ao descrito que a Secretaria de Saúde tem concentrado seus esforços para que o caso possa ser esclarecido com maior brevidade, bem como ofertar suporte aos familiares naquilo que lhe compete. No que tange a responsabilidade do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Gaspar, segundo o entendimento da mãe da criança que afirmou a negativa do atendimento, informamos que a Secretaria de Saúde solicitará aos órgãos competentes, Ministério Público e Secretaria de Estado da Saúde, para que os mesmos tomem as devidas providências.
Márcia Adriana Cansian/Secretária Municipal de Saúde de Gaspar/SC
O corpo da menina Ana Luísa Gonçalves passou por exames de necropsia na tarde desta quarta-feira, 3, no Serviço de Verificação de Óbito, SVO, do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, de Joinville, e deve retornar a Gaspar por volta das 21h. A intenção da família é iniciar o velório ainda na noite desta quarta.
Segundo pessoas que acompanham o corpo de Ana Luísa, será feita uma biópsia que poderá detectar a causa da morte. O resultado deve sair em até 30 dias. O pai de Ana Luísa acompanha o corpo e deve deixar o Norte do Estado por volta das 19h.
Sindicância
A administração do Hospital de Gaspar abriu uma sindicância interna para apurar eventuais erros na conduta de funcionários envolvidos no atendimento prestado à menina Ana Luísa Gonçalves, que morreu no Centro de Acolhimento de Risco, CAR, na tarde desta terça-feira, 2, após passar pelo pronto-atendimento do hospital.
A informação foi confirmada em nota oficial do hospital, em que a administração ressalta que o exame pericial que aponte a causa da morte da criança irá ser o ponto de partida para averiguar eventual responsabilidade do hospital no episódio. ?Nada obstante a apuração de eventual equívoco no atendimento prestado a Ana Luísa Gonçalves, o hospital repisará, imediatamente, aos seus funcionários as instruções sobre o correto procedimento a ser adotado nessas situações?, diz a nota, que termina manifestando solidariedade com a família da criança.
Confira abaixo a íntegra da nota:
Diante da notícia veiculada na mídia impressa e de rádio do falecimento da criança Ana Luísa Gonçalves, em que é imputado ao nosocômio omissão de socorro, cumpre ao HOSPITAL NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO, entidade filantrópica e de assistência social sem fins lucrativos, com sede à Rua José Krauss, n.º 97, Centro, cidade de Gaspar/SC, esclarecer à comunidade, através da imprensa, o seguinte:
O HOSPITAL acaba de instaurar uma sindicância interna para apurar eventual equívoco/erro na conduta dos funcionários envolvidos no atendimento prestado à criança Ana Luísa Gonçalves.
Revela-se, contudo, imprescindível seja antes apurado, mediante realização de exame pericial, a causa da morte da criança para, somente após, averiguar eventual responsabilidade por parte do Hospital no trágico episódio.
Nada obstante a apuração de eventual equívoco no atendimento prestado à criança Ana Luísa Gonçalves, o HOSPITAL repisará, imediatamente, aos seus funcionários as instruções sobre o correto procedimento a ser adotado nessas situações.
Traz-se, ainda, que todos os funcionários do HOSPITAL sempre prezaram pela prestação de um serviço médico hospitalar de excelência, buscando, diuturnamente e apesar das dificuldades que afligem a grande maioria dos hospitais do país, melhorar o atendimento à população que dele depende.
O HOSPITAL, da mesma forma, não se furtará de prestar às autoridades competentes todas as informações e esclarecimentos referentes ao caso.
Por fim, cumpre ao HOSPITAL manifestar sua consternação pelo trágico falecimento da criança Ana Luísa Gonçalves, comungando com a família a mesma dor, colocando-se à inteira disposição para, se é que possível, de alguma forma minimizá-la.
HOSPITAL NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

A Polícia Civil de Gaspar vai investigar a morte da pequena Ana Luísa Gonçalves, de apenas três meses, que morreu na tarde desta terça-feira, 2, no Centro de Acolhimento de Risco, CAR, no Centro de Gaspar. Um inquérito deve ser aberto para apurar a causa da morte e a possível omissão de socorro no Hospital de Gaspar.
De acordo com o delegado Egídio Maciel Ferrari, do Setor de Investigações Criminais da Polícia Civil de Gaspar, o primeiro passo é o exame cadavérico para definir a causa da morte e saber se houve responsabilidade dos profissionais de saúde que atenderam Ana Luísa, seja por negligência ou por erro em procedimento. Paralelo a isso, os envolvidos devem ser ouvidos sobre a possível ausência de atendimento no hospital.
Na noite desta terça, a Polícia Civil solicitou ao Instituto Médico Legal de Blumenau, IML, que examinasse o corpo, mas o órgão se recusou e afirmou que só faz análises em casos de mortes com violência. Após um impasse, na manhã desta quarta-feira, 3, após intervenções da Secretaria de Saúde e do Ministério Público, a família recebeu a notícia de que o corpo será examinado em um laboratório de Joinville.
Enquanto isso, a família não conseguiu definir local para velório e sepultamento da criança. Com o laudo em mãos, o delegado espera poder dar sequência ao inquérito para apurar as duas situações envolvendo a morte de Ana Luísa. ?Minha prioridade agora é liberar o corpo para a família, mas a partir da semana que vem já pretendemos ouvir todos os envolvidos?, afirmou Egídio.
O caso
A família da pequena Ana Luísa Gonçalves, três meses, afirma que ela foi levada ao posto de saúde do Centro na manhã desta terça-feira para tomar uma vacina de rotina. À tarde, ela começou a apresentar sintomas como dificuldade de respiração e a família decidiu levá-la ao Hospital de Gaspar. O tio de Ana Luísa, Carlos Alberto dos Santos, afirma que o hospital teria alegado falta de profissionais e orientado os familiares a levar a criança ao CAR.
Por volta das 15h30, quando Ana Luísa chegou ao CAR, os médicos chegaram a levá-la para iniciar o atendimento, mas logo chamaram a mãe, Daviane dos Santos, e o tio para dar a notícia da morte. ?Ela foi uma criança que nunca ficou doente, estava boa antes de receber o primeiro atendimento. Queremos que o caso seja examinado para descobrir a causa da morte e os responsáveis?, afirma Carlos.
O semblante de Daviane dos Santos, mãe da pequena Ana Luísa, expõe a mistura de dor e indignação que toda a família sente desde esta terça-feira, 2. A reportagem do Cruzeiro do Vale conversou com exclusividade na manhã desta quarta com ela e relembrou o caminho percorrido em busca de socorro para a filha de apenas três meses. O pai, João Gonçalves, estava na estrada acompanhando o corpo da filha até Joinville, onde será feito um exame para apontar a causa da morte. No momento de dor, Daviane, que trabalha como bordadeira em uma empresa da rua Itajaí, se apega ao filho Luís Ricardo, de 2 anos, e aos irmãos em busca de superação.
Cruzeiro do Vale ? Como foi o dia de ontem?
Daviane dos Santos ? Pela manhã, por volta das 9h30, fui levar a Ana Luísa para tomar uma vacina de rotina, contra meningite. É a vacina normal da carteirinha para a idade dela (três meses). No posto de saúde do Centro fui atendida rapidamente. Só havia ela para tomar a vacina. De lá, vim para casa e a menina estava normal, até dormiu. À tarde, ela começou a ficar pálida e, aí pelas 15h30, ela começou a ficar ruinzinha mesmo. Não chegou a ter febre, ela só teve febre uma noite antes. Aí a levei no Hospital de Gaspar e eles não quiseram atendê-la. Nem olharam para ela.
CV ? Você chegou a preencher alguma ficha no hospital? Foi atendida?
Daviane ? Não. Eles só falaram que não tinha pediatra e nem médico nenhum no hospital. Falaram isso no balcão do hospital. Como eles disseram que só tinha pediatra no CAR, meu irmão nos levou direto para lá. Ela ainda estava viva quando chegamos, estava respirando. Chegou a passar mal na sala de espera. Então eles a levaram lá para dentro e um pouco depois pediram para o meu marido ou para o meu irmão irem até lá. Só aí nos chamaram e falaram que ela tinha morrido.
CV ? Como você está hoje, em meio a essa situação?
Daviane ? Tá difícil. Se o hospital tivesse atendido, teria dado tempo, eles teriam salvado ela. No posto eles falaram que ela já chegou morta lá, mas não é verdade, porque ela estava respirando e chegou a passar mal.
CV ? Como o pai da criança está reagindo?
Daviane ? Tá difícil, ele tá mal também. A gente não conseguiu dormir nada essa noite. Agora ele foi para Joinville acompanhar o exame. Procuramos a Delegacia (de Polícia Civil) para saber o que aconteceu, porque ela estava boa e morreu do nada. Não sei o que pode ter acontecido, porque ela estava boa. Era uma criança que nunca tinha ficado doente.
Em dezembro do ano passado, o Hospital de Gaspar já havia sido acusado de não atender o aposentado André Pacheco, de 64 anos, que acabou morrendo em um hospital de Blumenau. Clique aqui para reler a carta da família sobre o caso, publicada na coluna Chumbo.
Edição 1477

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