
Mesmo com a não renovação do convênio com a Prefeitura de Gaspar, o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro permanece com atendimento normal na área de pronto-socorro. A decisão foi tomada para não prejudicar os serviços de saúde oferecidos à população, já que o hospital é o único local da cidade apto a realizar procedimentos como cirurgias de emergência.
Desde o dia 1º, a Secretaria de Saúde ampliou o horário de funcionamento do Centro de Acolhimento de Risco, CAR, até a meia-noite e também aos finais de semana. Segundo a secretária de Saúde de Gaspar, Márcia Cansian, a movimentação foi baixa nos primeiros dias, mas já foi possível notar um aumento nos atendimentos. ?Dessa forma auxiliamos os atendimentos ambulatoriais enquanto o hospital segue com urgência e emergência?.
No final do ano passado, a Secretaria de Saúde anunciou que o convênio que em 2013 garantia R$ 245 mil mensais ao hospital não seria renovado em função de pendências na prestação de contas. Notas fiscais totalizando R$ 898 mil apresentadas no primeiro semestre do ano passado, ainda na gestão anterior do hospital, estariam sendo questionadas pelo município, que quer mais detalhes sobre o uso destes recursos. Carente de verbas para dar sequência à reestruturação financeira, a gestão atual busca informações com os antigos administradores para tentar pôr fim ao impasse.
Essa semana, a diretora administrativa do hospital, Dilene Jahn Mello Santos, entregou à secretária de Saúde um documento destacando o trabalho feito nos últimos 150 dias e revelando a existência de uma ação para que os responsáveis pela gestão anterior apresentem os detalhes da prestação de contas. Dilene se mostra confiante e diz que o município não tem motivos para não querer renovar o convênio. ?Acredito que as notas fiscais em questão foram alguma manobra de contabilidade, porém não acho que nada foi feito de má-fé. Estamos buscando informações, mas tudo o que estava em nosso alcance foi apresentado. O que precisamos é que todos tenham o entendimento de que o hospital precisa existir, precisa ser forte porque isso vai beneficiar todo mundo?, defende.
Recuperação
Dilene destaca a melhoria financeira da instituição, obtida segundo ela por melhorias na gestão que vão desde a economia interna até ações como rifas, pedágios e campanhas ligadas à conta de energia elétrica. Com esse planejamento, segundo contas apresentadas pela diretora administrativa, o hospital registrou um déficit total de R$ 120 mil desde agosto até janeiro, enquanto o prejuízo médio anterior era de R$ 150 mil ao mês. O hospital também investiu cerca de R$ 400 mil para se adequar a normas de vigilância e do Corpo de Bombeiros e, assim, obter as certificações necessárias para receber verba de doações e convênios.
Para dar sequência a essa recuperação, a gestora espera conseguir renovar o convênio municipal e também pretende repetir a busca por recursos junto ao governo do Estado. ?Enquanto isso, nosso trabalho e nosso atendimento continuarão normalmente. Para buscar dinheiro há sempre uma alternativa, mas para salvar os pacientes não há segunda chance?, argumenta.
Secretaria mantém exigência de informações
A secretária de Saúde, Márcia Cansian, reconhece que a gestão do hospital tem mostrado interesse em resolver o problema, mas aponta que a devolução do dinheiro em questão ou a apresentação dos detalhamentos dos pagamentos feitos pela empresa ligada ao ex-administrador são os únicos caminhos para o fim do impasse. ?Estamos em contato com a controladoria do município para buscar opções como contratar serviços de saúde por meio de licitações, mas é provável que a pendência atual impeça todas essas opções. Nossa equipe está junto do hospital tentando achar uma solução?, garante.
Na ação apresentada pelo hospital, é mencionado um prazo de cinco dias para que sejam apresentados detalhes das contas questionadas pelo município. Os documentos foram entregues também no Fórum de Gaspar.
Pronto atendimento
Com uma média de 2,6 mil atendimentos/mês, o pronto atendimento do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro segue atendendo normalmente, independente do impasse financeiro com a Prefeitura. Nesta quinta-feira, ao menos dois pacientes que procuraram a unidade de saúde precisaram ser entubados e receberam atendimento semelhante aos de unidades de tratamento intensivo. ?Precisa ficar claro para toda a população que o hospital é o único local capaz de oferecer um atendimento com esta complexidade nos casos de urgência?, reiterou a administradora do hospital.
Edição 1552
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