Soletrar o alfabeto completo, contar de um a mil, conhecer as formas geométricas e ler. Estas são ações que deixam qualquer mãe orgulhosa sempre que o filho, ainda criança, aprende a fazê-las. Geralmente, estes conhecimentos vêm logo após o filho iniciar os estudos, ou até mesmo algum tempo depois disso. Mas no caso de Felipe Vieira, hoje com 26 anos, as habilidades surgiram já aos 3 anos e, o mais interessante, sempre de trás para frente.
A mãe de Felipe, Raquel Cadore, lembra da sensação de notar o conhecimento precoce do filho. ?Era surpreendente. Com esta idade ele soletrava todo o alfabeto de Z a A, assim como os numerais de mil a 1 e lia de cabeça para baixo?, revela Raquel. A mãe de Felipe destaca também que o menino aprendeu a ler com as placas colocadas nas ruas e, ainda com três anos, tinha como livro preferido o dicionário.
Aos 4 anos, Felipe foi matriculado no pré-escolar da Escola Ervino Venturi. O garoto tinha facilidade em aprender, principalmente na área da matemática. Na metade da terceira série, então com 7 anos, a diretora da escola sugeriu que ele pulasse diretamente para a quarta série. Com apenas 15 anos, o gasparense terminou o ensino médio no Colégio São Luis, em Brusque, e logo foi prestar vestibular. ?Sempre fui muito bom com matemática e física. Era algo que eu entendia com facilidade e por isso quis seguir nesta área?, explica Felipe.
Ele prestou vestibular apenas para o curso de bacharel em Matemática na Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC. ?O bacharelado é mais forte e direciona o acadêmico a dar aulas no ensino superior. E isso foi o que eu sempre quis?, acrescenta.
Felipe passou logo no primeiro vestibular e se mudou para Florianópolis, ainda aos 15 anos. Embora fosse muito novo, ele afirma que a adaptação foi rápida, principalmente por querer conhecer novos lugares e pessoas. Felipe terminou a faculdade em quatro anos e, dos 40 estudantes que haviam ingressado com ele, apenas um se formou junto com ele.
Mestrado e doutorado
Assim que se formou, em 2005, aos 19 anos, Felipe iniciou mestrado também na UFSC, com uma bolsa de estudos. Em menos de dois anos, Felipe conseguiu concluir o curso e, aos 21 anos, começou a atuar como professor substituto da UFSC, lecionando quatro disciplinas durante um semestre. ?Neste tempo eu tive a certeza de que eu estava no caminho certo?, ressalta.
Ao descobrir que havia uma cooperação entre Brasil e Alemanha voltada a especializações profissionais, Felipe se interessou pela ideia. ?Consegui um professor na Alemanha e, mais tarde, também consegui uma bolsa para fazer doutorado na Alemanha?, revela. Em abril de 2009, o jovem deu início ao doutorado, concluído em fevereiro deste ano. Felipe e a esposa, que também fazia doutorado no país europeu, voltaram ao Brasil na semana passada e estão na casa da mãe, no bairro Sete de Setembro. Após anos de estudos e muita dedicação, Felipe procura agora por vagas no ensino universitário. ?Já estou pleiteando vagas e espero voltar a lecionar em breve?, conta. O desejo de continuar estudando, no entanto, segue tão vivo no jovem que ele já se candidatou a uma bolsa de pós-doutorado.
Edição 1477

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