A madrugada do dia 8 de novembro de 2003 tinha tudo para ser tranquila para o jovem Dionei Waldrich, mas tornou-se trágica quando a moto em que estava de carona colidiu com uma camionete na BR-470, nas proximidades do bairro Belchior.
Milagrosamente, Dionei, o amigo que pilotava a moto e o casal ocupante da picape sobreviveram. Mas as piores consequências do acidente ficaram com os motociclistas: ambos tiveram que amputar uma de suas pernas. ?Tinha o sonho de me tornar piloto de Motocross, mas quis o destino que justo um acidente de moto mudasse o meu futuro?, conta o jovem, hoje com 25 anos, e que devido à paixão pela moto chegou a ter uma pista improvisada no terreno de sua casa, no bairro Belchior.
Dionei voltava da casa de um amigo em Blumenau. Após o acidente, foi encaminhado para o Hospital Santa Catarina e fez dele sua casa durante dois meses. A irmã Daiane Waldrich se lembra de cada fato como se fosse ontem. A tristeza pelo ocorrido e a indignação pela demora na solução do caso, parado na Justiça, são visíveis na fala dela. ?Revezávamos entre nossa família para não deixá-lo sozinho um dia sequer no hospital. Embora meu irmão tenha sobrevivido, ainda estamos em busca de Justiça e dos devidos reparos morais e materiais, pois nossa família não teve responsabilidade nesta tragédia?, afirma.
Segundo Daiane, no mesmo mês do acidente um laudo da Polícia Rodoviária teria comprovado a responsabilidade da camionete no acidente. ?Formamos até um dossiê com as provas. O casal que estava na picape era conhecido nosso, do mesmo bairro, mas lamentavelmente nossos direitos foram ignorados. Há 10 anos estamos em uma batalha jurídica para, no mínimo, amenizar as dores físicas e psicológicas de meu irmão?, desabafa a irmã.
Sem decisão
Correndo na Justiça há uma década, a ação movida pelos familiares de Dionei contra o casal residente do bairro Belchior ainda corre o risco de durar mais cinco anos, segundo um dos advogados da família Waldrich. ?Ainda não temos um parecer definitivo devido à possibilidade da defesa estar sempre recorrendo nas instâncias permitidas. Inclusive, há um bom tempo, houve um parecer de um juiz determinando que o Dionei recebesse uma pensão da outra parte envolvida no acidente, mas até o momento ele não recebeu nenhum centavo. O Dionei quer simplesmente seus direitos?, afirma o advogado.
A ação judicial de Dionei tem por objetivo reparos que envolvem indenizações como danos morais e materiais, pensão vitalícia, reposição de despesas médicas da época e compra de uma nova prótese. O caso está na Comarca de Gaspar. Segundo Daiane, como o irmão está impedido de trabalhar devido a problemas de saúde por causa do acidente, Dionei recebe um benefício do INSS, porém insuficiente para cobrir despesas mensais com medicamentos e, em especial, a nova prótese de que ele necessita. ?A seguradora da camionete chegou a entrar no caso, mas nada foi resolvido. Já chegamos a pagar um tratamento alternativo que foi muito eficiente para meu irmão, no valor de R$ 10 mil. Na época do acidente, quem custeou as despesas de medicação e internação foi a Assistência Social?, revela Daiane.
O advogado Everton FreyGang, da outra família envolvida na tragédia, afirma que a tese da defesa é de que houve invasão por parte dos motociclistas na pista em que estava a camionete. ?Temos a convicção da inocência dos nossos clientes, pois a batida ocorreu na parte lateral da picape, e não na frontal. Nos autos do processo consta inclusive o pagamento do conserto do automóvel de meus clientes por parte da família do condutor da moto. Todo cuidado é pouco neste caso, pois não houve testemunhas na hora do acidente?, declara o advogado.
Colaboração: Quem quiser colaborar com Dionei Waldrich pode entrar em contato pelo telefones (47) 9188-8891 e 9262-3264.
Edição 1539
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