Além da paciência necessária para esperar pelos remédios de pressão alta no posto de saúde do Barracão, em Gaspar, Osni Mello, de 58 anos, tem enfrentado o calor sufocante da sala de espera da unidade. Um único ventilador é compartilhado pelos atendentes do posto e pela população. ?É um absurdo. O vento quente do ventilador não chega nem à segunda fileira das cadeiras onde esperamos a vez de ser atendido?, reclama Osni.
A costureira Solange da Costa tem ido ao posto com frequência. Ela precisa agendar uma possível visita domiciliar para o seu pai, vítima de um AVC e de um enfarte recente. Solange não tem opção: ou encara o calorão ou fica sem a visita médica. ?Fazer o quê? Tomara que o posto de saúde obtenha logo pelo menos o ar-condicionado da recepção. Fico indignada com o sofrimento de mães, idosos e gestantes com este caldeirão da sala de espera?, revolta-se.
Atualmente, há um ar-condicionado no posto de saúde do Barracão, na sala onde precisam ser armazenadas as vacinas. No setor de espera, não é possível nem abrir as janelas devido a um problema nas novas maçanetas. A saída é ficar com a porta de entrada aberta. No consultório médico e na enfermaria, alguns atendimentos chegam a ser feitos de portas abertas devido ao calor que atinge médicos e pacientes.
Servidores e comunidade estão convivendo com a falta de climatização desde o início do ano, quando a unidade passou para a ala nova, na parte da frente do terreno. Atrás desta área, o antigo posto passa por uma obra de ampliação, que segundo os profissionais deve trazer melhorias após a conclusão, apesar dos transtornos causados neste verão a servidores e pacientes. ?Também ficamos alguns dias sem nosso galão de água?, acrescenta uma das funcionárias do posto.
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Bela Vista e Margem Esquerda
No posto de saúde do bairro Margem Esquerda, os pacientes estão sem ar-condicionado na sala de espera. A saída é tentar manter abertas as portas das salas que têm o aparelho, como a odontológica, a de vacina, a da enfermaria e a médica. ?Quando há grande fluxo de pessoas na sala de recepção e as salas que têm ar-condicionado precisam ser fechadas devido aos atendimentos, o calor se torna um problema?, afirma uma das servidoras.
No bairro Bela Vista, o usuário só irá encontrar ar frio no consultório da médica da unidade. Um ventilador de teto na sala de recepção e um ventilador pequeno perto do balcão de atendimento tentam aliviar o calor em um dos postos de saúde mais movimentados de Gaspar. Setores como recepção, sala de espera, almoxarifado, triagem, enfermaria e até mesmo o consultório ginecológico não contam com o aparelho de ar-condicionado. Morador do bairro Bela vista, o frentista João Carlos tem utilizado o posto para trazer a filha para fazer exames e realizar consultas. ?É muito complicado você já estar com problema de saúde na família e ainda ter que suportar um calor de verão em uma sala de recepção em uma unidade saúde?, critica. Angélica dos Santos levou sua enteada de cinco anos para agendar consulta nesta semana e ficou decepcionada com o fato de o posto não ter ar-condicionado. ?Foi a primeira vez que eu vim à unidade e é uma vergonha os pacientes ficaram esperando num calor escaldante deste. Estou morando há pouco tempo no bairro e tomara que os aparelhos sejam conseguidos o quanto antes?, pede Angélica.
Segundo servidores dos postos de saúde dos bairros Barracão, Margem Esquerda e Bela Vista, a solicitação dos aparelhos de ar-condicionado já teria sido feita à Secretaria de Saúde e as unidades estariam à espera do equipamento.
Secretaria de Saúde depende de solicitações
A secretária de Saúde, Márcia Cansian, informou que os postos de saúde sem aparelhos de ar-condicionado em determinadas alas precisam fazer solicitações à Secretaria de Saúde para obter os equipamentos. ?Conforme as solicitações enviadas pelas unidades de saúde, fazemos um levantamento do posto em questão e enviamos e instalamos o aparelho de acordo com a necessidade de cada unidade?, declara Márcia. A secretária acredita que os aparelhos que já foram pedidos sejam entregues entre os meses de fevereiro e março. ?No caso do Barracão, por exemplo, como é uma localidade distante, temos encontrado algumas dificuldades para a entrega do aparelho por parte da empresa que presta este serviço à Prefeitura, mas esta situação já está sendo verificada para ser resolvida?, avisa.
A moradora do bairro Santa Terezinha, Cátia de Mello Karstedt, 32 anos, procurou o posto de saúde da localidade na tarde de terça-feira, dia 5, para buscar atendimento com um clínico geral. A marcação de consultas, que ocorre uma terça-feira de manhã e outra à tarde, iniciava às 13h, mas desde as 11h as filas começaram a se formar.
Cátia chegou com cerca de uma hora de antecedência e, a exemplo de outros pacientes, teve que esperar a abertura da unidade de saúde após o horário de almoço debaixo do sol escaldante, que vem beirando os 40 graus nestas últimas semanas. ?Havia pessoas com crianças no colo, com problema de pressão baixa e que tiveram que esperar nessas condições?, critica a moradora.
Rosicler de Mello Karsted, 52 anos, também tentou marcar consulta nesta terça e passou pela mesma situação, que só foi amenizada após as 13h, quando os pacientes puderam entrar na unidade de saúde. ?É muito ruim ter que passar por isso e não saber se você vai conseguir marcar uma consulta?, lamenta. Cerca de 30 pessoas teriam deixado a unidade de saúde nesta terça sem conseguir agendar atendimento médico.
Contraponto
Procurados pela reportagem do Cruzeiro do Vale, os responsáveis pela unidade não se manifestaram. Já a secretária de Saúde, Márcia Cansian, afirmou que foi um caso pontual, mas disse não concordar com a situação a que foram submetidos os pacientes e que é preciso buscar o bom senso na questão dos agendamentos. ?Ninguém merece ficar exposto a esse sol para buscar atendimento. Já na próxima semana vamos reorganizar alguns procedimentos junto à própria coordenação para evitar conflitos nos horários de marcação de consultas?, ressaltou.
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