Amor à arte circense é o combustível de Luiz Salgueiro para não deixar morrer a vocação da quinta geração de sua família em levar pelo Brasil afora uma das maiores culturas artísticas do país: o circo. Instalado no Centro de Gaspar durante um mês, o Circo Fantasy terminou suas apresentações na cidade nesse domingo, dia 24, após atrair muitos moradores para acompanhar as apresentações.
Com vocação sacerdotal, o circo de Curitiba percorre com suas turnês os estados do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e, recentemente, Santa Catarina. Pela primeira vez no estado catarinense, a trupe do Fantasy tem levado na bagagem apresentações focadas no público infantil. No cardápio, mágicos, malabaristas, equilibristas e palhaços. Antes de vir para Gaspar, o circo esteve armado em Camboriú e Joinville. A próxima cidade será Blumenau ou Indaial.
Morando com a esposa e os três filhos sempre em um trailer, Luiz Salgueiro precisa fazer malabarismo para administrar as contas do circo. A falta de incentivo à cultura circense por parte do poder público tem sido um dos maiores entraves, pois gastos com pagamento de impostos e documentações deixam as contas sempre no limite. ?Temos 25 profissionais conosco. Seria bom os governantes apoiarem de alguma forma, pois raramente vermos circos formados por uma mesma família que repassa o conhecimento de geração em geração. Estamos falando de uma cultura que cativa milhões de pessoas pelo mundo. Temos de nos virar. Nós mesmos vendemos salgados e doces para gerar receita, pois só a bilheteria não faz girar o caixa financeiro?, destaca Luiz Salgueiro.
A vida dura dos artistas circenses é recompensada pela satisfação do respeitável público, segundo Luiz Salgueiro. Ele conta que por onde passa o circo recebe boa aceitação. ?Nosso galardão é a alegria que damos às pessoas, em especial às crianças. Em um mundo televisionado e hiperconectado, fazemos parte de um pequeno grupo que ainda proporciona às pessoas aquela magia de ir ao circo com parentes e amigos?, relata.
O morador do bairro Margem Esquerda, Naim Rodrigo Barbieri, 29 anos, foi um dos que acompanhou a apresentação do Circo Fantasy na cidade. Ele decidiu atender ao pedido dos filhos, Letícia e Igor, e foi com a família ao circo. ?Quando éramos menores sempre nos divertíamos indo ao circo, então decidi trazer os pequenos para ter essa experiência?, conta. Durante a apresentação, como de costume, o palhaço foi quem mais prendeu a atenção dos pequenos. A mesma sensação de nostalgia influenciou Vanessa Mara dos Santos, 23 anos, moradora do Centro, a levar as filhas Larissa, de três anos, e Yasmin, de apenas 1, para acompanhar as atrações do picadeiro. ?É uma opção de diversão muito saudável, sobretudo para as crianças?, ressalta.
O nome Kelvin Circos já diz tudo. No picadeiro desde os 16 anos, o blumenauense de 33 anos é um dos artistas do Circo Fantasy. Malabarista, equilibrista e comediante, com passagem pelo Beto Carreiro World, Kelvin também sobrevive da arte circense. Ele já teve de escolher, por duas vezes, entre a namorada e o picadeiro. ?Passei duas vezes pela mesma experiência. Pelo fato de não ser compreendido em minha vocação, tive de optar entre a namorada ou o circo. Não tive dúvidas em minha decisão, pois minha raiz nunca deixará de ser a arte circense. Mesmo que eu ganhe na loteria, não deixarei o circo por nada?, afirma Kelvin.Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).