O incidente registrado na boate Kiss, de Santa Maria, Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, 27, sensibilizou pessoas de todo o mundo. Aproximadamente 1 mil pessoas estavam no local no momento em que o fogo começou a se alastrar, mais de 230 jovens perderam a vida e outros ainda estão hospitalizados.
A discussão sobre a validade do alvará de funcionamento da boate, que segundo o Corpo de Bombeiros de Santa Maria estava vencido desde agosto, acende um alerta para a fiscalização das condições de prevenção e combate a incêndios em todo tipo de estabelecimento, mesmo em cidades mais distantes da tragédia ocorrida na cidade gaúcha.
O tenente do Corpo de Bombeiros de Gaspar, Alcione Amilton de Fragas, explica que no Brasil se trata o assunto de segurança contra incêndio como uma despesa muito grande na hora de abrir um estabelecimento. ?Apesar de já termos vivenciado incêndios que vitimaram muitas pessoas, ainda não estamos conscientes dos riscos de um incêndio de grandes proporções?, destaca.
Locais regularizados
Em Gaspar, os salões de festas, bares e restaurantes obtêm regularização anualmente, segundo o tenente Fragas. Além dos alvarás de funcionamento do Corpo de Bombeiros, existem também as permissões para funcionamento emitidas por outros órgãos como Polícia Civil, Polícia Militar, Vigilância Sanitária e Juizado Local. ?Esta ação conjunta aumenta o nível de exigência e obriga os proprietários a regularizar todas as questões pendentes no estabelecimento, inclusive a segurança contra incêndios?, afirma.
É importante lembrar, segundo ele, que o município possui poucos locais de concentração de público. ?Os existentes, em sua maioria, estão regulares e os demais estão em processo de regularização?. Quanto às festas de igreja, tradicionais na cidade, o Corpo de Bombeiros realiza um trabalho de conscientização para que os administradores das capelas consigam regularizar os locais dos festejos. De acordo com ele, a maioria já está de acordo. ?Trabalhamos agora com a Secretaria de Desenvolvimento Regional de Blumenau e a Secretaria de Educação Municipal para regularizar as escolas estaduais e municipais, que ainda não estão totalmente regularizadas?, revela Fragas. Uma das maiores preocupações dos bombeiros também está ligada às malharias e empresas do ramo têxtil, que trabalham com produtos inflamáveis e contam com muitos funcionários.
Edição 1457

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