Quando deixou o bairro Santa Terezinha para morar no Residencial Milano, no bairro Coloninha, em maio do ano passado, Ivonete Arieli Frotscher teve que tirar o filho da creche que ele frequentava pelos altos custos de transporte escolar entre os dois bairros, que chegavam a R$ 220 ao mês. No novo endereço, porém, Ivonete passou a sofrer, junto com outras famílias, com a falta de vagas nas creches municipais e particulares próximas à localidade. ?O Conselho Tutelar pressiona os pais para que as crianças frequentem a creche, mas a gente pergunta: onde estão as vagas??, questiona a moradora.
Neste mês, Ivonete conseguiu matricular o filho de 5 anos na escola Ivo D?Aquino no período matutino, mas ainda terá que desembolsar R$ 170 para que o filho fique em uma creche particular à tarde. A mesma situação não ocorre com Andreia Machado, que trabalhava em uma fábrica no primeiro turno, mas teve que sair do emprego para cuidar de um dos dois filhos, Luis Felipe, de apenas 3 anos. ?As creches públicas e particulares dizem que nós estamos na lista de espera, mas nunca somos chamados?, critica.
Helenice Maria é outra moradora do residencial Milano que também aguarda por vagas para os dois filhos em idade de educação infantil do bairro Coloninha, um dos locais onde há maior demanda de vagas em função das mais de 200 famílias que chegaram à localidade em 2013. Enquanto isso, permanece com olhares atentos, cuidando dos filhos que tentam se ocupar com brincadeiras no pátio do residencial. ?É muito complicado até mesmo para podermos trabalhar fora?, ressalta.
Essa semana, uma decisão judicial voltou a cobrar a Prefeitura de Gaspar para que as crianças em espera por vagas na educação infantil tenham a garantia de matrícula nas creches, na rede municipal ou em unidades conveniadas. O secretário de Educação, Neivaldo da Silva, afirma que o município ainda não foi notificado e que os posicionamentos só serão definidos depois disso. No entanto, ele afirma que o município já havia firmado alguns compromissos e que parte dos casos incluídos no processo já foi atendida com novas vagas. ?Não se faz creche de um dia para o outro, mas estamos evoluindo. Já aumentamos as vagas em 30% nos últimos quatro anos e estamos acolhendo os novos alunos aos poucos, a exemplo de outros municípios, que também têm demanda reprimida na educação infantil?, argumenta.
Sobre a situação das famílias do residencial Milano, Neivaldo afirma que a construção de uma creche no bairro Coloninha, com pouco mais de 200 vagas, foi aprovada no FNDE e pode começar a sair do papel esse ano. Enquanto isso, as crianças da localidade estariam sendo chamadas por CDIs de diferentes bairros, o que todavia implica custos com transporte, alvo de queixas das famílias. ?O ideal é ter a creche perto de casa e estamos trabalhando para isso?, finaliza.
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