Dez anos sem Pamela Thays Cunha - Jornal Cruzeiro do Vale

Dez anos sem Pamela Thays Cunha

23/09/2012

fotopg12abrecolorMD.jpg Por Ana C. Bernardes

A dor da perda e a saudade ainda fazem parte da rotina de Iara Cunha, mãe da pequena Pamela Thays Cunha. A falta que a filha faz está estampada em seu rosto, juntamente com a inconformidade de não tê-la mais ao seu lado.

Duas datas marcam o calendário da família e trazem ainda mais tristeza para esta jovem e sofrida mãe. Os dias 23 de setembro e 8 de outubro de 2002, quando sua filha, que na época tinha apenas nove anos e idade, desapareceu, e quando seu corpo foi encontrado em um matagal, no Morro do Parapente. 

No próximo mês de setembro completam-se 10 anos desde que Pamela deixou sua família, amigos e muita saudade, e Iara não consegue deixar de pensar ou falar sobre ela em nenhum momento do seu dia. 

Hoje, a mãe imagina como a filha estaria, se cursaria a faculdade e se teria se casado, já que completaria 20 anos de idade no dia 30 de outubro. ?Eu vejo meus familiares, que têm praticamente a mesma idade que ela teria, casando-se e alguns tendo seus filhos, e penso se isso aconteceria com ela também. É inevitável?, diz Iara, emocionada. 

Para ela, Pamela estaria na universidade, já que era uma menina muito dedicada aos estudos e bastante esperta, e próxima de se casar. Ela não seria muito alta, continuaria magra e teria os cabelos compridos. ?Ela nunca gostava quando eu cortava seus cabelos curtos. Às vezes, não sei se imaginar como ela poderia estar é algo que me deixa feliz ou triste. A dor da sua falta ainda é muito intensa?, revela.

 

Momentos de altos e baixos

Os últimos dez anos foram de altos e baixos para Iara, seu marido Lupércio e suas filhas Tainara, 15 anos, e Vitória, 9 anos. A mãe de Pamela afirma que, por algum tempo, aguentou firme a angústia de não ter uma resposta concreta sobre o caso e também o vazio que ficou instalado em seu peito desde o desaparecimento da filha primogênita. 

Porém, neste ano, grande parte da dor voltou com muita força, e ela precisou retornar seu tratamento psiquiátrico. ?Esta, por exemplo, é uma das piores épocas que existe. Vem setembro e outubro, e a minha tristeza só aumenta. Penso nela todos os dias, a todo momento. Principalmente este ano, que a Tainara, que nunca comentou sobre esse caso com ninguém, colocou uma foto dela em seu quarto. Isso me chocou bastante?, lamenta. Quando estas datas se aproximam, Iara prefere ficar em sua própria casa, sozinha com suas lembranças. 

Sua vida hoje segue com um vazio em seu peito, porém, como ela mesma diz, a vida deve continuar, principalmente por ter outras duas filhas que precisam de uma mãe forte. Iara trabalha cuidando de um idoso, e isso a ajuda a ter outros pensamentos. ?Muitas pessoas me dizem que eu falo muito sobre a Pamela, mas eu prefiro isso a guardar para mim. Se esse assunto fica guardado apenas na minha cabeça eu sofro ainda mais?, destaca. Após todos os acontecimentos, o jeito de tratar as outras duas filhas mudou. O medo e a preocupação são ainda maiores, e a atenção é sempre redobrada. 

Sem esperanças de justiça

Quanto à solução do caso, Iara diz que sua esperança teve fim há alguns anos. Segundo a mãe, o único acusado do crime, Dinart Fernandes Júnior, preso em 2003 e, mais tarde, absolvido do envolvimento no crime, seria realmente o responsável pela morte de sua filha. ?Isso nunca sairá da minha cabeça. Para mim, foi ele sim, mas a justiça não foi feita e isso me revolta ainda mais?, conta.

Ao contrário de Iara, a avó de Pamela, Inês Cunha, ainda acredita que o cruel assassino será encontrado, e a angústia de toda a família terá um ponto final. ?Não saber quem fez nos incomoda e machuca muito. Nós tivemos que nos conformar com a sua perda, porém jamais esqueceremos da criança linda e doce que era a Pamela?, emociona-se. 

Um dia de desespero e angústia para a família Cunha

fotopg13colorMD.jpgO dia 23 de setembro de 2002 foi marcado pelo desespero e pela angústia de toda a família e amigos da pequena Pamela, que na época tinha apenas nove anos de idade. Foi neste dia que a menina desapareceu, depois que saiu de casa para comprar orelhas de gato em uma padaria próxima ao local onde morava. Os 16 dias que se seguiram ao desaparecimento da menina foram de intensa apreensão para os familiares e toda comunidade gasparense, que ainda tinham esperanças de que ela estivesse viva. 

Porém, no dia 8 de outubro, a esperança foi substituída pela dor e sofrimento, quando o corpo da criança foi encontrado em um barranco em meio a um matagal no morro do Parapente, no Poço Grande, em adiantado estado de decomposição. 

A informação de que poderia haver um corpo naquele local foi dada por Élcio Carlos de Oliveira, que é piloto de parente e, naquela época, ia até o local todos os fins de semana. ?Quando fui até o morro do Parapente no sábado, dia 5 de outubro, estranhei a quantidade de urubus que estavam no local, e também o forte cheiro, mas não fui verificar. Quando voltei no domingo, dia 6, também para voar de parapente, percebi que as aves ainda estavam por lá. Nem passou pela minha cabeça, naquele momento, que poderia ser o corpo da criança que estava atraindo os urubus?, explica. 

Élcio acordou assustado na madrugada de terça-feira, dia 8 de outubro, após sonhar que era o corpo da menina Pamela que estava naquele matagal. ?Logo pela manhã, encontrei um soldado da Polícia Militar e contei sobre os urubus, o mau cheiro e o meu sonho. Fomos até o local, juntamente com o Corpo de Bombeiros?, lembra. 

O sonho de Élcio foi confirmado, e o corpo foi encontrado por volta das 8h45. A menina estava sem a roupa de cima e usando apenas uma saia verde. Exames periciais comprovaram que Pamela foi violentada sexualmente e morta por asfixia. ?Foi chocante, e é algo do qual me recordo até hoje. É impossível não lembrar desta terrível história toda vez que vou até o local?. 

Diante da brutalidade do crime, toda a comunidade se uniu para que, juntamente com a polícia, o autor do assassinato pudesse ser encontrado. Manifestações, protestos e passeatas foram realizados por centenas de pessoas, que imploravam pela solução do caso e pela prisão do assassino. Entretanto, o culpado de ter cometido tal ato nunca foi encontrado. 

Durante as investigações, a polícia chegou a um suspeito, que foi preso em 2003. Dinart Fernandes Júnior foi acusado de ser o autor do sequestro, estupro, atentado violento ao pudor e ocultação do cadáver de Pamela, porém, em agosto de 2006 o juiz de direito da Terceira Vara da Comarca de Gaspar, Sérgio Agenor de Aragão, julgou improcedente a denúncia contra Dinart e o caso foi arquivado. 

Investigações

Após as investigações policiais, e o encaminhamento do processo a Terceira Vara da Comarca de Gaspar, o caso Pamela foi arquivado em 2006, e até hoje não foi reaberto. Na época, a justiça julgou o caso com as provas que tinha, porém não foram suficientes para a solução do mesmo. 

Cronologia do caso

- No dia 23 de setembro de 2002, por volta das 15h30, a menina Pamela saiu de casa para ir até à padaria comprar orelhas de gato, a pedido da sua mãe, e não retornou.

- No dia 8 de outubro, 16 dias após o desaparecimento da menina, o corpo foi encontrado, no Morro do Parapente. Exames periciais comprovaram que ela foi estuprada e morta por asfixia.

- No dia 10 de maio de 2003, Dinart Fernandes Júnior foi detido pela polícia. Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pela Comarca de Porto Belo, onde era acusado de atentado violento ao pudor contra uma criança de oito anos.

- No dia 6 de abril de 2004, o Ministério Público pediu que Dinart fosse a júri popular por estupro, assassinato e ocultação de cadáver.

- No dia 17 de maio de 2004, a então juíza Nádia Inês Schmidt oficializou decisão de não mandar Fernandes a júri popular, por falta de provas.

- No dia 2 de maio de 2006 o juiz da Terceira Vara da Comarca de Gaspar, Sérgio Agenor Aragão, absolveu Dinart e encerrou o caso.  

Semelhanças em outros dois casos não resolvidos

Outros dois casos ocorridos em 1991 idênticos com o de Pamela e que até hoje não foram solucionados ainda permanecem na memória dos gasparenses. Fabiana Carla de Freitas, 13 anos, foi estuprada, morta e escondida em um matagal próximo à ponte pênsil do Ribeirão Gaspar Grande, divisa dos bairros Gasparinho e Gaspar Grande. A garota foi encontrada no dia 17 de maio, e estava seminua, vestindo apenas uma camiseta. Ela foi estrangulada. Fabiana estava desaparecida desde o dia 14 de maio, quando saiu para ir à escola e não retornou para casa. 

O segundo caso é o de Adriana da Conceição, 15 anos, encontrada no dia 10 de outubro, daquele mesmo ano, nos fundos da Escola Professor Honório Miranda, em um matagal. Ela estava desaparecida desde o dia 20 de setembro. O corpo foi descoberto por dois estudantes que brincavam no local. Devido ao avançado estado de decomposição do corpo, há cerca de 20 dias no mato, não foi possível descobrir qual a causa de sua morte. Até hoje, nenhum acusado foi preso.


Edição 1419
 

 

Comentários

Eduardo Püschel
30/04/2018 14:49
Nos EUA o nível de investigação é muito avançado, tenho certeza que haviam traços de DNA do criminoso no corpo desse anjo. Mas aqui tudo é rudimentar e a polícia de investigação carece de equipamentos mais avançados.Não sei se na época enviaram material para análise em SP, acho que nem havia onde guardar esses fluidos corporais. O assassino com certeza tinha conhecimento de investigação criminal tanto que cometeu o crime perfeito e ainda está solto. Foi um crime que marcou muito a todos, sinto pelos pais dela, um sofrimento que não tem fim. A mãe sofre mais, o que fazer? Só nos resta rezar por um milagre, que esse mostro tenha se suicidado para não fazer mais mal a nenhuma criança. Que Deus conforte essa mãe e toda a família.
Andrea
07/08/2013 18:44
O pior é saber que o responsável está à solta, e pode continuar cometendo crimes, fazendo novas vítimas... Se já não o fez...
JOICE
25/09/2012 10:20
FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DO MARCOS... NAQUELA MANHÃ DE 8 DE OUTUBRO DE 2002... A TRISTEZA QUANDO OS GASPARENSES SOUBERAM QUE O CORPO DE PÂMELA HAVIA SIDO ENCONTRADO... E DE COMO FOI... ACHO QUE NÃO HOUVE NINGUÉM EM GASPAR QUE NÃO SE EMOCIONOU QUANDO OUVIU NO RÁDIO A NOTÍCIA...E OS DIAS QUE PASSARAM DESDE O DESAPARECIMENTO... A CADA DIA UMA ESPERANÇA DE QUE A PEQUENA SERIA ENCONTRADA COM VIDA !!! ESTEJA EM PAZ PÂMELA, POIS SE A JUSTIÇA DOS HOMENS NÃO PREVALECEU, MAS COM CERTEZA A JUSTIÇA DIVINA NÃO FALHA E ESSE MONSTRO VAI PAGAR PELO QUE FEZ !!!
roseli teresinha cunha
23/09/2012 13:52
a nossa dor sempre sera muito grande .jamais tivemos alguma resposta da policia ou outro poder pulbico.sempre a mesma historia nao a provas concretas . mas em outros estados conseguem ilucidar sera que nao falta empenho policia e poder pulbico vestir a camisa e descobri quem fez. pois é me lembro bem quando nos falaram que nao poderiam fazer nada por falta de provas ,é como minha cunhada diz acho que eles querem que provas qnt as que a menina de balneario falo nao valeu nada , querem algo na hora do ato . por isso sempre vou afirma porque essa dor nao é eles que estao passado. e rezo para nunca mais nenhuma familia passa pelo que nós passamos até hj.
Adriano
23/09/2012 09:48
Na verdade que esses 3 casos relatados pela matéria podem ter sido cometidos pela mesma pessoa, mas a incapacidade de investigação das nossas polícias no Brasil é muito grande por falta de investimento em segurança. Lamentável esses 3 casos não terem sido resolvidos e ainda estarem arquivados, e bandidos assim teria que ficar presos por no minimo uns 50 anos sem direto a visitas e regalias.
couto
05/09/2012 21:39
é lamentavel para a cidade de gaspar estes acontecimentos!!!! horríveis
não resolvidos pela segurança publica da cidade e aonde estão os representantes do povo gasparense para cobrar dos orgãos competentes da cidade soluções para estes casos macabros .que lenbra do povo só em época das eleições ai prometen seguraça saude e mais um monte de mentira!!!! o povo precisa de resposta urgente quanto a segurança acorda politicos lembre que é o povo que coloca vocês no poder antes de encher os bolsos o povo mereçe respeito não só promessas.me refiro ao caso mensaleiro e escandalo na politica brasileira quanto tempo perdido e povo sendo prejudicado deixam de trabalhar para o povo para perder seus tempos em cpi disso cpi da quilo e aí vai quantas leis e projetos deixam de ser aprovados e feitas em beneficio do povo brasileiro e trabalhador. e pagador de impostos aja empostos nesse pais indiguinação total!!!!..
Bruno
01/09/2012 18:15
Nem sei o que falo fui um dos alunos que estudei com ela!!!lembro que reprovei na 3 série e ela passou para a 4...na época foi a coisa mais terrivel de forma mais cruel que qualquer pessoa do mundo nao passasse dor..
EU TINHA 9 ANOS,e lembro que tinha muito medo de sair da escola pelo fato que vira ter acontecido,hoje fico pensando eu ja vou fazer 20 anos em outubro ela tbn iria fazer,COMO ELA SERIA O QUE FARIA???
Com certeza uma grande pessoa...A JUSTIÇA BRASILEIA É MUITO FALHA,MUITO CORRUPTA,MUITO DESONESTA!!!!
Lembro tbn que na epoca falavam que tinha vinte anos para solucionar este caso,eu pensava eles vao descubrir o safado!!!Mas já se passaram DEZ anos e até agora?????
força familiares de Pamela!!
fatima maria reinert
01/09/2012 13:24
tenho muita pena dessa familia que ate hoje o assasino nao esta prezo porque e familia de baixa renda porque fosse filla de uma pessoa rica de gasha par ja tinha sido julgado e presso isso deicha e gente muito triste porque eu tb sou mae e se alquem fazer algum mal a eles eu viro um bicho mas forca Iara deus esta vendo pode ter certeza que a hora dele mas cedo ou mas tarde vai chegar ele vai sentir tudo o que vc esta sentindo ou pior fique com deus um abraco
marcos
31/08/2012 23:47
Um dia negro na história do município... Lendo a reportagem, vieram a mente cada cena da época... No dia 08 de outubro de 2002 não teve uma casa nessa cidade que não tivesse ao menos um rádio sintonizado na Rádio Sentinela do Vale, acompanhando as notícias. Assim como também não teve quem não deixasse escorrer uma lágrima dos olhos quando veio a confirmação de que era o corpo da menina. todos queriam entender como alguém poderia ter feito tudo isso com uma criança. ainda mais em nossa cidade. estávamos acostumados a ver esse tipo de coisa só na tv. e derepente nos deparamos convivendo com essa triste realidade. Aquele laço preto, enorme pendurado na sinaleira perto do Gascig anunciava a tristeza que se encontrava a cidade naquele dia. Muitos tentavam e ainda hoje tentam confortar a família. Uma perda irreparável... uma ferida aberta que jamais irá cicatrizar. Mas como mesmo disse a mãe, ela precisa estar forte para suas outras 2 filhas. que Deus continue consolando e abençoando essa família.....
Vanessa
31/08/2012 17:35
É lamentável a justiça ser tão imprestável em situações como essa! Qualquer pessoa que comete erros pequenos, ou muitas vezes a justiça acha que cometeu, fica preso por 5, 10 anos ... Ai uma pessoa completamente sem coração comete um crime como esse, não fica preso, ou a justiça simples mente arquiva o caso! Será que essas pessoas, que ficam do lado de lá num julgamento já se colocou no lugar da Iara? Será que já conseguiu imaginar a dor que ela sente? Ela perdeu uma filha da pior maneira possível, ela sumiu, foi estuprada e depois morta? Imagina a situação dessa mãe quando soube que sua filha estava jogada num morro, rodeada por urubus? Vocês conseguem imaginar a dor que isso tudo causa? A Iara, é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço! Ela vem sendo cada vez mais forte durante esses dez anos, e independente de tudo, ela é a pessoa mais doce que existe! Ela encanta todo mundo, porque apesar de se lamentar por tudo, ela fala da Pamela com orgulho, ela conta histórias lindas, ela merece uma resposta, a família toda merece! Gaspar inteiro apoiou ela quando tudo isso aconteceu, e devemos continuar apoiando, porque só quem passa por isso sabe a dor que é, e pior .. ver que a justiça não resolveu nada! Força pra continuar Iara, porque tu é guerreira, e sempre vai ter o apoio de todos!
Alessandro
31/08/2012 12:59
Eu não morava em Gaspar nesta época. Tanto que fiquei sabendo deste fato hoje. Porém lendo esta notícia, fiquei muito triste e chocado com o que aconteceu com esta menina e com a família. Não há palavras para expressar o quanto sinto repulsa por este criminoso, covarde, estuprador... E dizer que este assassino está livre e pode sim cometer mais crimes. Cada ano que passa, fica mais difícil para a polícia encontrar pistas. Imagina a dor que essa família deve estar passando: vendo que o assassino cruel, covarde está solto e que esta família nunca mais poderá ter a Pamela de volta. Crime brutal, grotesco, cruel. Desejo que as famílias sejam fortes e tenham esperança em encontrar o culpado por estes crimes horríveis.

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