
Valdomiro Garcia se aposentou há 17 anos. Foi para a sua casa no bairro Coloninha e retornou no dia seguinte ao batente. Motivo? ?É impossível ficar parado dentro de casa, não pretendo deixar o meu trabalho tão cedo. Amo a rotina de poder ir trabalhar, conversar com os colegas, com os clientes. A hora do intervalo é especial, é o momento de comer e brincar com todo mundo?, avisa o açougueiro de 65 anos.
Valdomiro faz parte de uma boa leva de aposentados que optaram pela chamada desaposentadoria, que é a possibilidade de o segurado seguir trabalhando ou retornar ao mercado após se aposentar e, ainda, requerer novo cálculo para aumentar o benefício.
O advogado especialista em direito previdenciário Sílvio José Morestoni alerta que a desaposentadoria não está prevista em lei. Por isso, não basta pedir revisão ao INSS. A troca do benefício antigo por um novo só pode ser buscada na Justiça. Sílvio Morestoni informa que cada vez mais aumenta o número de atendimentos em Gaspar dedicado a este assunto. ?Tem dia que chegamos a atender 30 aposentados que desejam voltar ao mercado. Embora cada caso tenha a sua diretriz, é feito um cálculo comparativo conforme o rendimento do aposentado, que geralmente permite uma determinada subida no salário?, comenta Sílvio.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, de 2013, a esperança de vida dos brasileiros que chegam aos 60 anos é de mais 29,2 anos, para os homens, e de 30,9 anos, para as mulheres, ou seja, há muito tempo para se trabalhar ainda. É o que pensa Salete Terezinha Veiga Marques, moradora da rua 7 de Setembro, de 59 anos, que se aposentará em janeiro de 2015. ?Nem pensar parar de trabalhar, tenho muitos quilômetros a percorrer ainda. Já estou planejando minha desaposentadoria?, diz a auxiliar de serviço gerais de um supermercado de Gaspar.
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