Quando o rio Itajaí-Açu alcançou os 7,80 metros na medição da régua da Círculo, em Gaspar, na madrugada de segunda-feira, dia 23, cerca de 40 ruas da cidade, em bairros como Coloninha, Bela Vista, Figueira e Sertão Verde, já registravam alagamentos. O número é menor do que o registrado em outras cheias de maior dimensão em Gaspar. No entanto, o controle exato de qual rua é atingida a cada metragem do rio Itajaí-Açu ainda não pode ser feito na cidade. Isso porque o município não possui a chamada carta de cheias, relação que mostra a cota exata de alagamento para cada via.
A coordenadora de Defesa Civil de Gaspar, Mari Inez Testoni Theiss, afirma que a elaboração de uma carta de cheias no município depende da obtenção de recursos junto ao Estado ou à União, já que o trabalho envolve a contratação de técnicos e engenheiros e tem custo estimado entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. ?Já chegamos a elaborar um projeto para buscar recursos junto ao Ministério das Cidades e da Integração para criarmos nossa carta de cheias, mas não houve sucesso?, revela. Atualmente a relação de cotas de alagamento por ruas já auxilia a prevenção em cidades como Blumenau e Itajaí.
Mari Inez explica que o documento pode auxiliar a própria Defesa Civil e demais órgãos de prevenção no trabalho de orientação à comunidade, que saberá com maior precisão quais vias deverão ser alagadas de acordo com a previsão de metragem do rio Itajaí-Açu em Gaspar. Na inundação do último fim de semana a Defesa Civil usou como base os registros da enchente de 2011 e um levantamento topográfico da Secretaria de Planejamento, mas que não serve como cotas oficiais. ?Isso realmente é algo que precisa ser melhorado. Nessa semana, após as cheias, fizemos uma reunião de avaliação e já colocamos a elaboração dessa carta de cheias como uma ação importante?, garante.
Estrutura de abrigos
A coordenadora de Defesa Civil mostra-se satisfeita com o trabalho desenvolvido durante o último alerta de enchente, que evitou prejuízos às famílias das áreas mais baixas da cidade. No entanto, outro ponto mencionado por Mari Inez para expandir o esquema de prevenção na cidade é a estrutura dos abrigos provisórios. ?Temos que ter ainda mais agilidade para abrir os abrigos e começar a receber as pessoas. Para isso, o contato com os responsáveis precisa ser um pouco aprimorado?, explica.
Atualmente a cidade conta com 15 abrigos mapeados. Sete deles foram ativados no último final de semana, quando aproximadamente 80 pessoas que precisaram sair de casa em função de alagamentos foram acolhidas. Em 2011, cerca de 500 pessoas chegaram a procurar os abrigos.
Instalado há pouco mais de um mês, o pluviômetro da rua Frei Canísio, no bairro Coloninha, funcionou normalmente durante o alerta de enchente do último final de semana. Segundo informações da Defesa Civil, ele chegou a registrar 170 milímetros de chuva num intervalo de 72 horas, entre a sexta-feira, dia 20, e o domingo, 22. O volume está dentro da previsão, que apontava possibilidade de chuva entre 150 e 200 milímetros nesse período para a região.
Os outros quatro equipamentos enviados ao município ainda precisam ser instalados, nos bairros Bateias, Figueira, Gaspar Grande e Macuco. A previsão é de que esse trabalho seja retomado na próxima semana, com a preparação das bases de concreto por parte da comunidade. ?Os dados dos pluviômetros são importantes porque comprovam as previsões e ajudam a saber que, se esse volume de chuva se repetir no mesmo espaço de tempo, com uma condição de nível de rio já elevado, provavelmente teremos alagamentos naquela localidade?, explica o agente de Defesa Civil de Gaspar, Luiz Mario da Silva.
Já as réguas de medição do nível do rio Itajaí-Açu chegaram a divergir em até 60 centímetros em determinado momento do último fim de semana, segundo a Defesa Civil de Gaspar. À reportagem do Cruzeiro do Vale, o Ceops, que opera a estação telemétrica instalada na Margem Esquerda, reconheceu a diferença e apontou como possíveis explicações a localização diferente dos dois pontos de medição, a interferência da maré ou até um problema no sensor ou nos equipamentos. A medição na régua instalada na empresa Círculo, monitorada pela Epagri/Ciram e considerada o cálculo oficial do município, não registrou problemas. O Ceops não descartou levar a estação telemétrica para o mesmo local.
Em um aspecto geral, a Defesa Civil de Gaspar faz uma avaliação positiva do trabalho nas cheias. ?O alerta antecipado ajudou, deu tempo para todos retirarem seus móveis, as equipes estiveram nos bairros dando assistência à população e as famílias não tiveram danos?, afirma a coordenadora Mari Inez Testoni Theiss.
Outro ponto destacado por ela que ajudou a comunidade foi a capacitação dos Núcleos de Defesa Civil, Nudecs, formados junto às associações de moradores do município. Os grupos foram orientados sobre como agir em períodos de calamidade e tiveram até aulas de remo. ?Nós entregamos as bateras para as pessoas capacitadas e esses voluntários, com camisa e colete da Defesa Civil, puderam ajudar os moradores nos locais onde já havia alagamentos?.
O agente de Defesa Civil Luiz Mario da Silva destaca ainda o trabalho do Grupo de Respostas Coordenadas, que esteve reunido na central montada na Prefeitura, e também a disponibilidade de caminhões do município para moradores que precisaram retirar os móveis de casa.
Prevenção em Ilhota
Em Ilhota, as principais necessidades apontadas pela Defesa Civil são um mapeamento de risco, com cotas de cheias por ruas, e uma régua para acompanhar o nível do rio, item que já começou a ser discutido juntamente com o Ceops. A secretária de Defesa Civil, Tatiana Reichert, revela que um mapeamento de setorização de áreas alagáveis já foi iniciado pelo governo federal e destaca o benefício do alerta antecipado para a Defesa Civil e a comunidade, que pôde se prevenir e evitar prejuízos. ?Conseguimos montar uma base de apoio no Baú, que deu mais segurança àquela localidade, e tivemos o apoio das outras secretarias e de todas as instituições, como Bombeiros Voluntários, Polícia Civil e Militar, para agir durante o alerta de risco?, ressalta.
Edição 1527
Copyright Jornal Cruzeiro do Vale. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Cruzeiro do Vale (contato@cruzeirodovale.com.br).