Da Redação
Por Jean Laurindo

Treze. Esse é o número máximo de funcionários que a reportagem do Cruzeiro do Vale encontrou trabalhando na recuperação da Ponte Hercílio Deeke, no Centro de Gaspar.
Foram pelo menos 10 visitas feitas entre o último sábado, dia 20 de outubro, e esta quinta-feira, 25, em diferentes horários do dia.
O registro máximo de funcionários ocorreu na quarta-feira, às 8h, quando seis operários trabalhavam na parte superior da ponte e sete atuavam na parte inferior. Em contrapartida, por duas vezes não foram encontrados funcionários na obra: no sábado, às 10h, e na segunda-feira, ao meio-dia.
Nas demais visitas, o número de operários variava de sete a 11. Pelo que foi possível observar, os funcionários trabalham de segunda a sexta-feira, com pausa para o almoço.
A secretária de Planejamento de Gaspar, Patrícia Scheidt, revela que segundo as folhas de pagamento apresentadas à prefeitura, 19 funcionários trabalham na obra de recuperação da ponte.
Para efeito de comparação, a construção do Viaduto da Avenida das Comunidades chegou a ter, segundo a própria secretária, mais de 30 operários trabalhando. ?É importante lembrar, no entanto, que o perfil das obras são bastante diferentes. Lá tínhamos que construir algo novo e aqui foi preciso recuperar uma estrutura complexa já existente?, pondera.
O engenheiro Perci Odebrecht presta auxílio à prefeitura com vistorias à obra de recuperação da Ponte Hercílio Deeke. Ele prefere não entrar na polêmica sobre o número ideal de funcionários, mas se mostra satisfeito com o que viu nas visitas à obra. Segundo ele, pelo espaço disponível atualmente, não é possível colocar mais gente para trabalhar. ?Só interrompendo o fluxo de veículos ou convocando frentes de trabalho ligadas a outros serviços?, explica, citando a necessidade de intervenções na rede de telefonia e gás para as próximas etapas da obra.

A secretária de Planejamento de Gaspar, Patrícia Scheidt, acredita que a explicação natural para a diferença no número de funcionários em serviço seja de que, no horário das visitas, os demais operários estivessem trabalhando no canteiro de obras, fechado por tapumes ao lado da rotatória do bairro Margem Esquerda.
Apesar disso, ela considera que o número de funcionários é suficiente para o estágio atual dos trabalhos. ?Claro que eu gostaria de ter o dobro, mas é preciso lembrar que isso elevaria o preço da obra, que é baixo se considerarmos os imprevistos que surgem, e que talvez exigisse mais espaço físico, levando ao fechamento total da ponte. Já não fizemos isso para atender um desejo da comunidade?, afirma.
Patrícia revela que o número de funcionários já foi tema de uma notificação feita à empresa Arcos Engenharia, responsável pela obra, e que a situação melhorou desde então. Questionada se a quantidade de operários é uma das preocupações para a sequência da relação com a empresa, a secretária minimiza a questão. ?A prioridade é conseguir fazer os pagamentos em dia e garantir a qualidade dos serviços. Tenho que fazer a obra andar?, enfatiza.
Procurado pela reportagem, o diretor de obras da Arcos Engenharia, Adauto Quintanilha, preferiu não se manifestar sobre o caso.
A obra de recuperação da Ponte Hercílio Deeke começou em outubro do ano passado, embora o trânsito de veículos em uma das pistas só tenha sido interrompido no final de fevereiro. Neste um ano de trabalho, os funcionários já fizeram a recuperação dos pilares, que foram revestidos com fibra de carbono, concretaram parte da sobrelaje e do passeio para pedestres, além dos trabalhos de reforço na parte inferior, que dá sustentação à ponte.
A secretária de Planejamento, Patrícia Scheidt, acredita que 70% da obra de recuperação já esteja concluída. Isso porque a parte mais complexa, que envolve os pilares e a estrutura de sustentação da ponte, já está adiantada. ?A expectativa é de que a obra seja concluída no início de 2013?, projeta.
Na avaliação da secretária, um conjunto de fatores influenciou para o atraso na conclusão da obra. Entre eles estariam intervenções como o remanejamento da rede de gás e telefonia, que ainda não foi feito, a complexidade da obra e os imprevistos. ?A população precisa lembrar que serão três, quatro meses de atraso, mas que a obra está acontecendo e vai evitar incômodos nos próximos 50 anos?, destaca.
Edição 1435

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