Com o tema Coleta Seletiva, Participe desta Iniciativa, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Gaspar, Samae, tem buscado incentivar os moradores de Gaspar a realizar a separação de resíduos recicláveis. A autarquia trabalha com duas empresas terceirizadas prestadoras de serviço, uma responsável pelo recolhimento de lixo orgânico e outra pela coleta seletiva.
De acordo com a engenheira ambiental da Gerência de Resíduos Sólidos do Samae de Gaspar, Fernanda Gelatti, muitas lojas do Centro produzem grande quantidade de lixo reciclável como papelão e plástico, oriundos das embalagens dos produtos comercializados diariamente. ?A empresa terceirizada faz a triagem para a revenda às empresas que fazem o beneficiamento, segundo a necessidade de cada um, pois temos mais de 10 categorias na reciclagem?, conta Fernanda.
Segundo ela, a tendência com o tempo é que haja diminuição do envio de resíduos orgânicos ao aterro. ?Embora o custo da seletiva seja superior à coleta convencional, continuaremos investindo na coleta de materiais recicláveis pelos benefícios envolvidos?, destaca.
Ação de catadores
O trabalho dos catadores de materiais recicláveis também exige atenção para o Samae, responsável pela coleta de lixo no município. Segundo a engenheira ambiental, os catadores muitas vezes acabam coletando apenas os materiais com maior valor de mercado. ?Sabemos que eles realizam a coleta da maneira deles. Não é fácil inibir este tipo de ação, porém estamos tentando ordenar isto com a área de desenvolvimento social, pois não é responsabilidade do Samae coibir este tipo de ação?, ressalta.
Fernanda revela que investimentos têm sido feitos na educação ambiental com o objetivo de que os cidadãos tenham uma consciência preventiva quanto a resultados positivos que a coleta seletiva pode trazer a cada família e à sociedade.
Com uma estrutura de três caminhões prestando serviço na coleta orgânica e dois caminhões na seletiva, sendo disponibilizado um caminhão reserva para cada modalidade de coleta, os resíduos orgânicos são encaminhados para um aterro sanitário localizado em Brusque. ?Temos uma média de 1.200 toneladas por mês na coleta orgânica e 90 toneladas mensais recolhidas na reciclável. Nosso trabalho de monitoramento é constante, inclusive com fiscal de saneamento operando na parte interna e nas ruas de Gaspar?, alerta Fernanda.
Escola dá exemplo em trabalho com reciclagem
Para a Gerência de Resíduos Sólidos do Samae, o município atingiu um grau de consciência em educação ambiental considerado bom. Na avaliação da autarquia, trabalhos de educação ambiental realizados em empresas e escolas têm gerado resultados positivos. Um exemplo disso é a escola Luís Franzói, no bairro Bateias. Materiais como pilhas, produtos de informática, lacres de latas de refrigerantes e óleo de cozinha são reaproveitados e vendidos pelos estudantes da escola.
Contando com parceria do Samae e da empresa Reciclar Coleta Seletiva e Transporte de Resíduos, localizado em Gaspar, o Projeto Sustentabilidade é desenvolvido por alunos da 1º à 8ª série. Já estabelecida em sua nova sede, a escola terá em parte de seu terreno um berçário de árvores nativas. ?Temos 420 alunos de manhã e de tarde na escola. A horta escolar irá estimular ainda mais nossos estudantes a levarem a educação ambiental também aos seus familiares?, conta a atual diretora Kelli Cristine Silva Santos.
Desde 2000 a escola Luís Franzói desenvolve projetos com reciclagem. Este ano os estudantes arrecadaram aproximadamente R$ 1.500. Este recurso vai para o Grêmio Estudantil, que é quem investe e administra conforme a necessidade da comunidade escolar, como compra de material esportivo e premiação de gincanas. Uma parte também é destinada às melhorias na escola.
Segunda a diretora eleita da Escola Luís Franzói, Cintya Cristina Pacher, que toma posse em 2014, a instituição deve receber uma verba do governo federal de R$ 10 mil para desenvolver mais trabalhos com a coleta seletiva. ?Como geradores de resíduos podemos ajudar no sistema de coleta seletiva. Em 2014 continuaremos nesta tarefa. Já tivemos gestões anteriores que tiveram iniciativas exemplares como o projeto Lixo por Livro, sistema onde arrecadamos fundos para comprar livros e que ajudou a aumentar o nosso acervo na biblioteca?, conta Cintya.
Separação obrigatória
Reconhecendo a necessidade de uma efetiva coleta de lixo reciclável, o governo federal sancionou em agosto de 2010 a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê multa de R$ 50 a R$ 500 para quem não separar lixo orgânico do reciclável. A lei entrou em vigor em 1º de janeiro de 2011 e tem a intenção de intensificar ações de educação ambiental. A lei torna obrigatória a separação de lixo doméstico em cidades em que há coleta seletiva, como Gaspar.
Pedido antigo concretizado
Durante alguns anos, a coleta seletiva no Centro de Gaspar foi realizada apenas por catadores. Desde o final do primeiro trimestre deste ano, o Samae iniciou os trabalhos de coleta seletiva no Centro, acatando pedido antigo de moradores e comerciantes. ?O que tinha menos valor de revenda e não era levado por catadores ia junto com o orgânico, causando prejuízo ao meio ambiente?, afirma uma das responsáveis da Gerência de Resíduos Sólidos do Samae, Irodete Barbieri da Silva.
Em janeiro deste ano, uma matéria do Cruzeiro do Vale mostrou a necessidade de coleta seletiva no Centro. Com o início do serviço neste ano, o Samae agora orienta a comunidade gasparense a separar e acondicionar adequadamente os resíduos orgânicos e recicláveis, colocando-os à frente das casas e estabelecimentos nos horários estabelecidos. ?No Centro, a coleta do lixo reciclável ocorre a partir das 19h e nos demais bairros, é realizada uma vez por semana?, lembra Irodete.
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