O meio ambiente está no centro das atenções da sociedade atual. A preocupação com o planeta faz com que haja elaboração de medidas governamentais e divulgação de pequenas ações que podem ajudar a preservar o que existe hoje.
As atitudes a serem tomadas para contribuir com isto são diversas e muitas delas de fácil adesão, como a separação entre lixo orgânico e reciclável. Embora pareça simples, ainda existem muitas regiões que não são atendidas pelo sistema de coleta do lixo reciclável. Um destes locais é o Centro de Gaspar. Separar o lixo em casa é uma atitude de cada um, mas nesses casos o trabalho é em vão, já que na hora da coleta apenas o caminhão de resíduos orgânicos passa pelo local.
Desta forma, moradores e lojistas do bairro dependem dos catadores de lixo, que em muitos casos acabam levando apenas o que tem mais valor para revenda, como o papelão, por exemplo. O restante do lixo corre o risco de ser levado junto com o orgânico, causando prejuízo ao meio ambiente. As reclamações dos moradores da região central do município são antigas e até agora seguem sem solução.
Etelvina Possamai Dagnoni morou em Gaspar por muitos anos e hoje vive em Balneário Camboriú. Embora tenha se mudado, as vindas até o município ocorrem semanalmente, já que possui salas comerciais no Centro. Etelvina sempre esteve envolvida em questões ambientais e preocupada com a reciclagem no município. ?Na época em que morava em Gaspar e após construir as salas comerciais no Centro, eu insisti muito para que a coleta reciclável chegasse até o bairro. Discutíamos tanto sobre a separação do lixo e os responsáveis pelo recolhimento dos resíduos parecem não ter dado muita importância?, destaca.
A insistência da professora de Língua Portuguesa e outros tantos moradores do bairro se deu, principalmente, pelo fato de os catadores responsáveis por recolher o reciclável na região levarem apenas o lixo de valor. Além desta dificuldade, Etelvina aponta outras duas situações prejudiciais. Sem a coleta no bairro, o lixo reciclável acaba sendo misturado com o orgânico, causando estragos ambientais. Há também o valor da coleta de lixo que, conforme explica, é muito alto. ?Por isso chega a ser em vão separar. Acredito que este assunto precisa ser novamente discutido?, avalia.
A moradora da rua Arnoldo Schramm, no Centro, Sandra Regina Barbosa Schmitz, sempre separou o lixo orgânico do reciclável. Há seis anos morando neste local, ela revela que o caminhão para a coleta do reciclável nunca passou na sua rua. ?Mesmo separando, o caminhão do lixo orgânico, que é o único a passar, leva tanto orgânico quanto reciclável. Isto é muito incômodo, já que reciclagem é fundamental?, ressalta.
Comerciantes também fazem separação do lixo
Muitas lojas do bairro Centro produzem grande quantidade de lixo reciclável. Papelão e plástico são despejados pelos comerciantes quase que diariamente, devido aos produtos comercializados em seus estabelecimentos. O comerciante Moisés Venera, proprietário do Comercial MJM, diz que não produz lixo orgânico, apenas reciclável, que é recolhido pelos catadores de lixo. ?Algumas vezes, eles escolhiam o lixo e pegavam apenas o que lhes dá lucro. Eu avisei que, se quiser recolher, tem que levar tudo, pois é o certo a se fazer?, declara.
Ainda conforme o lojista, o caminhão de coleta reciclável no bairro seria de extrema importância para o município. ?Essa preocupação com o meio ambiente percorre o mundo inteiro, por que aqui tem que ser diferente??, questiona.
Ao contrário de Moisés, a lojista Gisele Carraro não vê dificuldades na falta da coleta de lixo reciclável no Centro. Segundo ela, os catadores recolhem todo o reciclável despejado pela loja em que trabalha. ?Deixamos as caixas de papelão, principalmente, próximo ao estabelecimento ao fim dos dias e eles sempre pegam?, destaca. Por este motivo, Gisele acredita que para as lojas o caminhão de lixo reciclável não faria diferença.
Com as dificuldades enfrentadas por moradores e lojistas do Centro, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Gaspar, Samae, se vê em uma situação complicada. As reclamações envolvendo a falta de coleta de lixo reciclável pela região central são constantes, segundo o gerente de Resíduos Sólidos do Samae, Daniel Fernando Cardoso. Uma solução definitiva ainda não foi tomada pelo órgão responsável, mas ele afirma que este é um assunto importante, que deverá ser tratado ao longo de 2013.
Conforme explica Daniel, há alguns anos o Samae estabeleceu um acordo informal com alguns catadores do município. Desta forma, estes trabalhadores ficariam responsáveis por recolher o lixo reciclável do Centro. O problema é que os catadores, por conta do trabalho, muitas vezes acabam coletando apenas os materiais com maior valor de mercado. ?Sabemos que eles realizam a coleta da maneira deles. Por este motivo, neste ano vamos estudar uma possibilidade de melhorar este serviço. Talvez colocar um horário específico uma vez na semana e continuar trabalhando em parceria com os catadores ou outra possibilidade que ainda será discutida?, ressalta. Caso o acordo permaneça, o gerente de Resíduos Sólidos lembra que será exigido o recolhimento de todo o lixo, ao contrário do que acontece agora.
A coleta de lixo reciclável nos demais bairros da cidade é realizada uma vez por semana, pela empresa Reciclar.
O Centro Empresarial Atitude, localizado na rua São José, no Centro, encontrou uma boa alternativa para reciclar o lixo utilizado por aqueles que possuem salas no prédio. Os proprietários do empreendimento tiveram a ideia de instalar um grande coletor de lixo no local, onde é possível separar materiais como plástico, metal e papelão. O coletor é utilizado apenas pelos ocupantes do prédio, mas é um exemplo a ser seguido em outros locais do bairro.
Separação obrigatória
Reconhecendo a necessidade de ter uma efetiva coleta de lixo reciclável, o Governo Federal sancionou em agosto de 2010 a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê multa de R$ 50 a R$ 500 para quem não separar lixo orgânico do reciclável. A lei entrou em vigor em 1º de janeiro de 2011 e tem a intenção de intensificar ações de educação ambiental. A lei torna obrigatória a separação de lixo doméstico em cidades em que há coleta seletiva, como em Gaspar.
As reclamações sobre a coleta de lixo reciclável não se limitam apenas ao bairro Centro. Na Margem Esquerda, segundo a moradora Devanir Weiss, 48 anos, o caminhão de coleta não recolhe todo o lixo em algumas das vezes que passa. Devanir diz que este problema já a incomoda há algum tempo. ?Já liguei três vezes para a Prefeitura e expliquei a situação, mas nada foi feito. Estou fazendo a minha parte para contribuir com o meio ambiente, só que não recebo ajuda?, desabafa.
Conforme explica a moradora, os trabalhadores responsáveis pela coleta selecionam parte do lixo, deixando alguns resíduos, que acabam sendo levados pela coleta orgânica. Ainda na última segunda-feira, 14, dia em que o caminhão passa pelo bairro, o fato voltou a ocorrer. ?Como tenho facção em casa, recebo muitos canos de plástico junto com as malhas. Só que eles não levam estes objetos e acabam deixando, muitas vezes, latas de cerveja e litros de refrigerante?, afirma Devanir. A costureira ressalta que continuará separando o lixo orgânico do reciclável, mesmo quando a coleta insistir em selecionar os materiais recolhidos.
Edição 1454

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