Destruição, perdas, mortes. Há quatro anos, estas eram as palavras que descreviam o cenário de Gaspar e outros municípios vizinhos. Em novembro de 2008, a maior catástrofe natural já vista pelo Vale do Itajaí causou a destruição de lares, a perda de amigos e parentes e trouxe o desespero a milhares de pessoas.
Mesmo tendo que enfrentar todas estas dificuldades, as famílias atingidas pelas cheias não se abalaram e começaram a reconstruir a vida e a cobrar dos órgãos competentes melhorias nos municípios.
Em Gaspar, diversos bairros foram atingidos pela catástrofe e muitos sofreram grandes perdas. Após quatro anos, os bairros se reergueram e voltaram a trazer um pouco mais de segurança à comunidade. Apesar disso, o medo de que algo parecido venha a acontecer ainda assombra diversos moradores. No Belchior, uma das localidades mais atingidas do município, os rastros da destruição são poucos em consequência da luta da comunidade local, que tanto cobrou do poder público.
Os trabalhos de reconstrução do Belchior Baixo, Central e Alto tiveram início logo após as águas baixarem, em dezembro de 2008, e desde então várias melhorias foram feitas. O presidente da Associação de Moradores do Belchior, Carlos Roberto Pereira, avalia de forma positiva os trabalhos realizados na região desde o ano da catástrofe e diz que grande parte das perdas que o bairro sofreu já foram recuperadas. ?Hoje, eu diria que o Belchior está ainda melhor que antes da catástrofe. Acredito que tudo aquilo que era emergencial foi feito. Agora precisamos continuar a lutar por outras melhorias, que ajudarão toda a comunidade a enfrentar outra situação como essa, caso aconteça?, ressalta.
Entre os trabalhos realizados, o líder comunitário destaca novas tubulações instaladas, melhorias nas ruas, trabalho de desassoreamento do Ribeirão Belchior, atividades de orientação e capacitação oferecidas pela Defesa Civil e também estudos realizados por geólogos e engenheiros sobre as áreas de risco da região. ?Diversos locais foram tidos como área de risco e a Defesa Civil e a Superintendência do Belchior auxiliaram muito nesta questão?, afirma o presidente da Associação de Moradores. Para Carlos, a comunidade do Belchior se reeducou após a catástrofe de 2008 e o bairro ficou mais preparado para situações de risco.
Embora o Belchior Baixo, Central e Alto tenham passado por muitas reformas, ainda há algumas mudanças que devem se tornar prioridade do poder público municipal. Conforme o líder comunitário, a situação do Morro do Serafim, que liga a região a Luís Alves, ainda preocupa a comunidade. O local ainda sofre com deslizamentos em períodos seguidos de chuva. Embora não haja muitas moradias próximas ao morro, a situação pode ser grave caso haja algum deslizamento. ?Com um período muito longo de chuvas, o deslizamento poderia provocar a interdição do ribeirão e isto com certeza seria um agravante?, destaca. Carlos afirma ainda que a Defesa Civil já realizou alguns estudos no local, mas ainda não encontrou solução para o problema.
Além disso, há também as moradias construídas em área de risco. De acordo com o líder comunitário, há alguns loteamentos que voltaram a ser construídos em uma região suscetível a deslizamento, como o localizado em frente ao Posto de Saúde do Belchior Alto. ?Falta fiscalização por parte da Prefeitura nestes locais. Isto é nossa maior preocupação e acredito que estas famílias tenham que ser avisadas desta situação o quanto antes?, avalia.
O Belchior foi, para a Defesa Civil, uma das regiões de Gaspar que mais sofreu com a catástrofe de 2008. De acordo com a coordenadora de Defesa Civil, Mari Inez Testoni Theiss, o bairro foi totalmente recuperado, devido às grandes perdas pelas quais passou. ?A região sofreu muitos danos e com verbas federais, principalmente, conseguimos reconstruir grande parte do bairro. Claro que ainda há algumas coisas pendentes, mas estamos trabalhando nisso?, afirma.
Quanto às ações realizadas na região, Mari Inez prioriza o estudo das áreas de risco, feito por geólogos e engenheiros. A coordenadora explica que algumas residências foram desapropriadas e outras ficaram com certas restrições. A expectativa é de que isso diminua o risco de mortes e grandes perdas no bairro em caso de novo desastre natural. ?Também estamos fiscalizando mais o local para que essas áreas não voltem a ser apropriadas. Além disso, promovemos uma capacitação para preparar a comunidade para graves ocorrências?.
Em relação ao Morro do Serafim, Mari Inez diz que o local oferece perigo, porém não há muito a ser feito. ?É uma área vulnerável e já realizamos algumas obras e estudos, mas realmente não existe uma solução definitiva?, afirma.
VEJA A COBERTURA COMPLETA FEITA PELO CRUZEIRO DO VALE EM 2008.
Edição 1443

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