Em menos de um mês, quatro casos ligados à segurança pública e a dramas familiares causaram comoção e abalaram a população de Gaspar. No dia 12 de julho, um tiro acidental disparado por Mário Zancanella tirou a vida do genro Glodoaldo Berkembrock, na região do Macuco. Já no dia 25, a pequena Ana Júlia Reis de Souza, de apenas 5 anos, caiu nas águas do rio Itajaí-Açu enquanto brincava com outras crianças, na localidade do Jardim Primavera, bairro Bela Vista. O corpo dela foi encontrado pelos bombeiros uma semana depois. Na semana passada, dia 31, Marcos Waldrich, 49 anos, foi assassinado com seis tiros enquanto andava de bicicleta na rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira.
O caso mais recente, que sensibilizou toda a comunidade de Gaspar, foi registrado nesta terça-feira, 6, quando o advogado Alexandre Zimmermann, 52 anos, foi encontrado morto em um matagal no bairro Santa Terezinha. Ele foi brutalmente assassinado com uma facada no pescoço e diversas pancadas e pedradas na cabeça. A principal linha de investigação do Setor de Investigação e Capturas, SIC, da Polícia Civil de Gaspar, era a hipótese de latrocínio - roubo seguido de morte ?, já que o carro da vítima não havia sido encontrado.

Com a rápida ação dos policiais, a hipótese se confirmou nesta quarta-feira, 7, quando foram presos em flagrante Charles Ricardo Zuchi Júnior, 18 anos, Jéssica Cristina Almeida, 18 anos, e dois adolescentes, um de 16 e outro de 17 anos, que estavam com o veículo. Eles foram encontrados em uma quitinete localizada na favela do Brejaru, em Palhoça, na região metropolitana de Florianópolis. De acordo com o delegado responsável pelo SIC, Egídio Maciel Ferrari, em depoimento os adolescentes confirmaram o envolvimento com o caso e assumiram a autoria do crime. ?Ambos afirmaram ter esfaqueado Alexandre, dizendo ainda que Jéssica não estava no local e que Charles teria apenas dado pauladas e pedradas na cabeça da vítima?, explica.
Como os dois adolescentes não souberam informar detalhes do assassinato, será feita uma reconstituição do crime. Ainda em depoimento, os adolescentes afirmaram que o crime foi cometido porque Alexandre estaria devendo cerca de R$ 1.200 para eles, que também estão envolvidos com o tráfico de drogas em Gaspar.
Crime

O delegado Egídio explica que, segundo os adolescentes, a vítima teria ido até uma casa no bairro Santa Terezinha já conhecida como ponto de drogas. Eles não souberam afirmar se cometeram o assassinato na segunda-feira, 5, ou na terça-feira, 6. ?Os menores de idade relataram que eles e Charles convidaram Alexandre para dar uma volta com o seu carro. Até certo ponto, a vítima foi dirigindo e depois um dos adolescentes pediu para dirigir, já que conhecia melhor o caminho?, conta. Após o crime, eles fugiram com o carro da vítima, um Palio com placas de Gaspar. Os adolescentes negaram a presença de Jéssica durante o assassinato, mas como a jovem foi encontrada com eles em Palhoça e já possui diversas passagens pela polícia, ela também foi presa.
O adolescente de 17 anos, que confessou a participação no crime, já possui diversas passagens pela polícia, além de ser acusado de ter cometido outros homicídios. Ele é namorado de Jéssica, que também possui diversas passagens por tráfico de drogas e foi presa no mês passado por receptação. O outro preso, Charles Zuchi, também é conhecido pela polícia por ter realizado diversos crimes quando ainda era menor de idade. Entre eles, a participação no assassinato de André Luis Bianchi, em abril do ano passado, em um supermercado de Blumenau. Após os procedimentos legais, Charles e Jéssica foram encaminhados ao Presídio Regional de Blumenau e os menores de idade ao Centro de Atendimento Sócio Educativo Provisório, Casep, de Blumenau.
Apreensão
Horas após prender os autores do latrocínio, a equipe policial apreendeu mais quatro adolescentes na casa em que, supostamente, Alexandre teria ido para comprar drogas, no Santa Terezinha. ?Além dos adolescentes, foram encontradas no local 60 pedras de crack, maconha e cocaína prontas para venda e dinheiro?, conta o delegado. Entre os menores, estava uma adolescente de 15 anos que já possuía outros registros na delegacia.
Os dois recentes assassinatos cometidos em Gaspar, somados ao crescente número de furtos registrado nos bairros, aumenta a sensação de insegurança para quem vive o dia a dia da cidade. Embora ainda tenha situação mais tranquila do que a de grandes centros, a cidade se aproxima de índices preocupantes de violência por fatores que afetam todo o país, como as limitações da estrutura policial e as brechas existentes na legislação.
O delegado do Setor de Investigações e Capturas da Polícia Civil de Gaspar, Egídio Maciel Ferrari, confirma que o aumento no número de ocorrências e os constantes relatos sobre violência causam maior sensação de insegurança para a população. Ele explica que conforme as investigações conseguem capturar autores de roubos, furtos e mortes, o registro de crimes tende a diminuir.
No entanto, a legislação às vezes dificulta a retirada dos criminosos de circulação com recursos como fianças, liberações e tratamento diferenciado a menores. As dificuldades na estrutura de policiamento ostensivo, provocadas pela falta de investimento do poder público, também são citadas pelo delegado como fatores que contribuem para a sensação de insegurança. ?A expressão que eu mais ouvia na academia de polícia era que estávamos ?enxugando gelo?. Corrigir isso depende de mudanças na legislação, de vontade política?, avalia.
Relação com tráfico
O tenente Heintje Heerdt, comandante da Polícia Militar de Gaspar, acrescenta que o número de homicídios costuma ser um indicador mundial de segurança e confirma que esses casos acabam resultando em uma sensação maior de insegurança, pela violência envolvida. Ele explica ainda que, na maioria dos casos, as mortes estão relacionadas ao tráfico de drogas, seja por disputa territorial ou por dívidas acumuladas. Essa relação dificulta o trabalho da segurança pública, já que a legislação por vezes favorece a libertação de traficantes e pessoas envolvidas com o comércio de entorpecentes, que ficam livres para cometer crimes. ?Esse é um dos motivos pelo qual o combate ao tráfico e ao consumo de drogas, que financia esse mercado, é importante. Não apenas o combate na forma policial, mas como forma de saúde pública e cultural. A luta contra o cigarro teve muito mais sucesso quando toda a sociedade mudou a forma de enxergá-lo?, compara.
Na semana passada, após o assassinato registrado no bairro Figueira, o portal Cruzeiro do Vale realizou uma enquete perguntando se os leitores ainda se sentem seguros ao andar nas ruas de Gaspar. Dos 203 que responderam à pergunta, 49,2% (100 votos) responderam que não se sentem seguros, porque a violência cresce a cada dia. Outros 41,3% (84 votos) garantiram que se sentem seguros, mas procuram ficar atentos ao que acontece ao redor. Apenas 9,3% (19 votos) dos leitores asseguraram que se sentem seguros e que a cidade ainda é tranquila para se viver.
Caso Glodoaldo Berkembrock
Glodoaldo Berkembrock, 39 anos, foi atingido por um tiro acidental disparado pelo sogro, Mário Zancanela, na madrugada do dia 12 de julho. O acidente aconteceu em uma mata fechada no bairro Macuco, no momento em que eles estariam procurando por ladrões de palmito. Mário andava logo atrás do genro com uma espingarda engatilhada, quando um cipó fez com que a arma disparasse. Ele era casado e tinha uma filha.
Caso Ana Júlia
A pequena Ana Júlia Reis de Souza, 5 anos, se afogou na rio Itajaí-Açu na tarde do dia 25 de julho. A moradora da localidade do Jardim Primavera, no Bela Vista, foi brincar com a irmã mais velha, de 11 anos, e outras crianças da comunidade em um barranco próximo ao rio. Ela acabou escorrendo e caiu dentro da água. Como a correnteza estava muito forte, as crianças não conseguiram salva-la. Ana Júlia foi encontrada pelos bombeiros oito dias depois, no rio Itajaí-Açu.
Caso Marcos Waldrich
Marcos Waldrich, 49 anos, foi assassinado na noite do dia 31 de julho, enquanto seguia de bicicleta pela rua Anfilóquio Nunes Pires, no bairro Figueira. Ele foi atingido por seis tiros que atingiram as costas e o peito. O responsável por cometer o crime, segundo pessoas que presenciaram a ação, teria sido o passageiro de uma motocicleta, após o motociclista ter se aproximado da vítima. A Polícia Civil investiga o caso.
Edição 1513
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* Atualizada às 9h46

A Polícia Civil prendeu quatro pessoas no final da tarde desta quarta-feira, 7, por acusação de envolvimento com o latrocínio e a morte de Alexandre Zimmermann, 52 anos, encontrado morto na terça-feira, 6, em um terreno do bairro Santa Terezinha. Charles Ricardo Zuchi Júnior e Jéssica Cristina Almeida, ambos de 18 anos, foram presos na cidade de Palhoça, Grande Florianópolis. Outros dois adolescentes, de 16 e 17 anos, também foram apreendidos. Outros quatro menores chegaram a ser apreendidos na noite desta quarta, mas não tiveram relação comprovada com o caso.
Segundo informações da Polícia Civil, o quarteto estava com a chave do automóvel de Alexandre. Todos foram trazidos para Gaspar ainda na noite desta quarta e foram ouvidos pelo delegado do Setor de Investigações de Capturas, SIC, Egício Maciel Ferrari. Os quatro suspeitos teriam envolvimento com o tráfico de drogas em Gaspar.
Gasparense assassinado é sepultado no cemitério do Santa Terezinha
O corpo de Alexandre Zimmermann, 52 anos, foi encontrado no final da tarde desta terça-feira, dia 6, nos fundos da empresa Transcottini, no bairro Santa Terezinha. Por volta das 17h, um funcionário da empresa avistou o corpo em um pequeno matagal na Avenida Frei Godofredo e acionou as autoridades. A vítima estava com várias pancadas na cabeça e facadas no pescoço.
O delegado Egídio Maciel Ferrari, do Setor de Investigações e Capturas da Polícia Civil de Gaspar, revela que a principal linha de investigação da equipe policial é a hipótese de latrocínio - roubo seguido de morte.
Segundo informações dos familiares, Alexandre saiu de casa por volta das 14h de segunda-feira, dia 5, para abastecer o carro e desde então não foi mais visto. Ele saiu de casa sem levar o celular e, às 7h do dia seguinte, a família registrou um boletim de ocorrência. O carro da vítima ainda não foi encontrado.

Ainda no local do crime, familiares reconheceram o corpo de Alexandre, que foi encaminhado ao IML e, logo em seguida, liberado. O velório aconteceu na Capela Mortuária Bom Pastor, no bairro Santa Terezinha. O sepultamento foi realizado as 17h, desta quinta-feir, 7, no Cemitério Municipal de Gaspar.
A Polícia Militar e Polícia Civil estiveram no local em que o corpo foi encontrado para atender a ocorrência.
A vítima
Alexandre Zimmermann tinha uma filha e residia no bairro Gaspar Grande com a mãe. Ele foi Secretário de Educação de Gaspar na gestão de Adilson Schmitt e trabalhou também no Ministério do Trabalho, em Brasília.
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