Aos 85 anos, Hercílio Bertoldi relembra a trajetória de vida - Jornal Cruzeiro do Vale

Aos 85 anos, Hercílio Bertoldi relembra a trajetória de vida

13/11/2012

O sorriso estampado no rosto reflete a bela vida que teve. Hoje, aos 85 anos de idade, Hercílio Marcelino Bertoldi revela que, apesar de difícil e cansativa, sua trajetória é um dos grandes orgulhos. Marcada pela vontade de trabalhar, pela dedicação à família e pelo desejo em querer seguir em frente sempre, a vida deste simpático senhor é um exemplo para muitos. Os momentos de maior felicidade, os dias que foram responsáveis por algumas lágrimas e as pessoas que lhe ajudaram a trilhar este longo caminho ainda estão guardados na memória de seu Hercílio e são facilmente lembrados.

 

Sabedoria e dedicação em cada detalhe

 

fotopg9abrecolorMD.jpgNa casa onde criou os seis filhos, no bairro Alto Gasparinho, Hercílio Bertoldi ainda mora com a esposa. A casa carrega um ar acolhedor e aconchegante e, talvez por este motivo, esteja sempre cheia de pessoas.

O local é uma das paixões do senhor de 85 anos de idade, que diz não trocá-lo por nenhum outro. Embora já viva em Gaspar há muitas décadas, ele nasceu em Botuverá, que, naquela época, ainda pertencia ao município de Brusque. O nascimento foi em 23 de abril de 1927. Sem dificuldades de lembrar da infância, Hercílio conta que foi criado com outros 12 irmãos, que desde cedo trabalhavam no engenho de serra do pai.

Em 1943, o pai vendeu o engenho e então seu Hercílio, já com experiência, foi trabalhar como serrador em outro engenho, até que no ano seguinte a família se mudou para Itajaí. O novo município não lhe agradou e assim que teve a oportunidade, se mudou novamente, desta vez para Vidal Ramos. Neste município aceitou uma vaga de emprego. A distância entre Itajaí e Vidal Ramos não impediu Hercílio de aceitar o emprego e ir à luta.

Imerso nas lembranças, o querido senhor recorda que realizou esta longa viagem a pé, parando apenas para descansar poucas vezes ao dia. Nesta nova cidade trabalhou por três meses, até que voltou para Itajaí. Assim que retornou, ele e a família vieram a Gaspar, onde seu pai possuía terras no bairro Gasparinho. A família veio apenas a trabalho, já que continuava vivendo em Itajaí.

Em 1947, próximo dos 21 anos de idade, seu Hercílio foi para o Rio de Janeiro servir ao Exército. O olhar focado e a expressão séria revelam que o tempo em que permaneceu junto aos militares foi difícil e complicado e, após alguns minutos, a própria voz de Hercílio confirma isso. Na cavalaria do Exército ele ficou até 1948, e assim que retornou a Itajaí, sua família estava de malas prontas para ir morar em Gaspar. A felicidade foi imensa, já que este era um desejo há muito tempo. 

Foi então, no bairro Gasparinho, que Hercílio deu início à família. Em dezembro de 1950, ele se casou pela primeira vez e desta união teve dois filhos, sendo que um deles faleceu. Após três anos de casamento, a esposa também faleceu e o senhor de 85 anos de idade ficou viúvo durante cinco anos, até que conheceu dona Matilde Santinha Bertoldi, 74 anos, a querida Santina, com quem é casado até hoje. A felicidade que mostra ao falar sobre a esposa é tamanha que é possível perceber que ao lado dela a vida é ainda melhor. 

 

 

A força e a união de uma bela família

fotopg9retrancacolorMD.jpgA gasparense dona Santina já está ao lado de seu Hercílio há mais de 50 anos e é responsável por grande parte dos melhores momentos da vida de marido. O casal criou seis filhos, todos no bairro Alto Gasparinho, e juntos passaram por momentos marcantes.

O casal se conheceu em uma igreja do município e, após algum tempo, subiu ao altar. No início da década de 1960, eles se mudaram para a casa em que vivem até hoje, no Alto Gasparinho. Seu Hercílio e dona Santina trabalharam muito para conseguir dar uma vida muito boa aos filhos. Ela trabalhava na roça e ele na serraria que montou. Os trabalhos seguiram até 1992, quando a serraria foi fechada e dois de seus filhos abriram a Truticultura Bertoldi, que funciona ao lado da residência do casal.

A família Bertoldi é o maior orgulho de Hercílio e Santina, que abrem um grande e sincero sorriso sempre que falam sobre ela. O simpático senhor faz questão de dizer, com muita convicção, que os seis filhos, 17 netos e um bisneto estão sempre lhe visitando, principalmente aos domingos. E se neste dia ninguém aparece, o casal revela que o domingo fica sem graça. ?Ver a minha linda família unida é o que há de mais valioso na minha vida?. 

Edição 1440 

 

Comentários

Renato Luiz Nicoletti
13/11/2012 21:10
Tive o prazer de desfrutar durante boa parte de minhas ferias escolares, da convivência deste simpático casal, nossos tios por parte da minha mãe. Ótimas lembranças dessa época. Quase me convenceram a ir pro seminário...heheh. Felicidades e longos anos de vida.
João Oldair nicoletti
13/11/2012 20:10
Seu Hercílio Bertoldi é exemplo de vida dedicada a família, como exemplificado na reportagem, é homem religioso, sempre engajado em trabalho voluntário junto a comunidade. Pessoa simples e sempre de bem com a vida, é muito bom tê-lo presente em nosso meio.
Parabém pela sua história de vidada.
Odir Barni
13/11/2012 17:20
Alguém pode achar que estou exagerando com meus comentários. Leio e gosto de dar minha opinião, em especial, daquilo que conheço. Deixar de dar meu depoimento sobre a vida deste grande homem, meu conterrâneo, é frustar meus saudosos familiares que tinham verdadeira admiração e respeito por ele e seus familiares. Quando nasci, em junho de 1947, Hercílio Bertoldi, já era como um membro da família de meus avós José Luiz e Maria Luiza Werner Barni; nesta época, como comenta, foi para o Exército. Tanto os Bertoldi como os Rampelotti, eram homens que lutaram na extração da madeira, se destacando Secondo Bertoldi, pai de Hercílio, se não me engano. Trabalharam com meu avô, lá perto das Cavernas, onde tinham o famoso ¨engenho de serra¨.Nono Bepo, como chamavam meu avô, sempre fazia referência a família Betoldi, lembrando sempre do passado trabalhoso que tinham: tirando a madeira; ficavam a semana toda no mato tirando madeira, serrando e levando para Itajaí, muitas vezes em forma de balça . Moravam próximo de uma afluente do Itajaí Mirim, o Ribeirão do Ouro, que dá o nome à localidade em que nascemos. É desnecessário comentar sobre sua vida em Gaspar, todos a conhecem. Sr. Hercílio, quero em nome de meus familiares, deixar aqui meus parabéns pelos seus 85 anos, de luta, trabalho, amizade e amor pelo que fez e faz. Nosso reconhecimento pelos trabalhos prestados junto aos meus familiares. Você é o trigo separado do joio, que Jesus cultivou. Um forte abraço!
Daniela
13/11/2012 12:22
Parabéns, como faço parte dessa família sabemos que cada linha escrita traz com ela todo o sentimento que temos pelo Nono e pela Nona e se para eles o domingo sem a gente é sem graça , para nós também fica faltando algo. Amo muito tudo isso !!!!!! obrigada pela linda reportagem!!!!!!
Flandenir
13/11/2012 08:18
Parabéns pela reportagem, Para quem conhece o Nono e a Nona,
parece que estas palavras sairam da boca dele... Felicidades ao casal e a familia !!!!!!!!!

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