Dedicação à família e amigos, disposição para trabalhar e coragem para enfrentar os grandes desafios da vida. Estas são características marcantes do casal Alcides, 69 anos, e Zélia Venturini, 66 anos. Após 45 anos de união, eles continuam colecionando boas histórias e momentos para acrescentar a suas belas bagagens de vida. Irmãos, filhos e amigos são a grande conquista de vida e responsáveis por lhes dar todo o amor e carinho necessário para desejarem viver por muitos anos.
Cumplicidade, apoio e muita confiança são a base para um casamento sólido e duradouro. É preciso encontrar a própria alegria com a felicidade do outro para que a convivência se torne ainda melhor. Alcides e Zélia Venturini completaram 45 anos de casados em julho e até hoje acreditam que esta é a melhor maneira de construir uma relação de companheirismo.
Há cerca de 50 anos, eles se viram pela primeira vez em uma das famosas e tradicionais domingueiras, no bairro Lagoa. Mesmo após todas estas décadas, o simpático casal ainda se lembra detalhadamente de muitos dos seus primeiros momentos juntos. ?A gente se conheceu e logo depois começamos a namorar. Mas após poucos meses terminamos, porque não era apenas eu que estava interessada nele?, afirma dona Zélia, sorrindo e olhando para o marido de forma desconfiada. Entretanto, seu Alcides, mais conhecido como Cide, avisa que nunca deu atenção para outras garotas, já que gostava muito dela. ?Depois que terminamos, eu ia procurar por ela e ela também vinha procurar por mim. Reatamos e aqui estamos até hoje?, conta. Durante o tempo de namoro, eles se encontravam a cada 15 dias, sendo que poderiam ficar juntos apenas até anoitecer. ?Tínhamos muito respeito e nossos pais eram muito rígidos. Se estávamos na sala, meu pai pedia para que uma de minhas irmãs ficasse perto de nós para ficar vigiando?, lembra dona Zélia.
O namoro durou cerca de três anos até que chegou o casamento. Na época, ambos moravam com suas famílias no bairro Lagoa e foi neste mesmo local que eles decidiram dar início à vida de casados. Antes mesmo de se casaram, eles já tinham casa própria, porém tiveram que morar com os sogros por mais algumas semanas após a cerimônia. ?É engraçado dizer isto hoje, mas meu pai não deixou a gente se mudar para a nossa casa, pois estávamos na Lua Minguante e dava azar se mudar neste período?, conta ela.
Assim que passaram a viver na casa própria, o casal deu início à bela e unida família, formada por três filhos, quatro netos e um bisneto. A união familiar é um dos maiores tesouros que o casal Venturini poderia ter encontrado durante todas estas décadas de companheirismo. Para eles, ter filhos, netos e bisneto por perto significa ter motivos para sorrir e ser feliz a cada momento.

No início do casamento, seu Cide e dona Zélia enfrentaram algumas dificuldades que exigiram deles muito trabalho e dedicação. Para sustentar a família, ele trabalhou na roça por muito tempo, em jornadas de trabalho que começavam antes mesmo do sol nascer e seguiam até o sol se pôr. Já dona Zélia deixou os trabalhos de campo para se dedicar à costura e acabou se tornando uma profissional reconhecida na cidade. Foi então que surgiu a oportunidade de ela trabalhar na escola do bairro como servente. Mesmo assim, a senhora de 66 anos continuou costurando para ajudar com as despesas de casa. Depois de aproximadamente cinco anos de casados, surgiu a oportunidade de seu Alcides se mudar para Blumenau e trabalhar como operador de máquina em uma empresa. ?Trabalhar no campo já não era lucrativo, então resolvemos nos mudar para Blumenau, onde ficamos por mais de duas décadas?, diz o simpático senhor. Em Blumenau, ele trabalhou em uma só empresa até se aposentar, enquanto dona Zélia trabalhou em três. Alguns anos após se aposentar, o casal resolveu voltar a Gaspar, cidade pela qual sentem um grande carinho. Hoje eles moram no bairro Lagoa e continuam trabalhando.
Edição 1514
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