Agricultores comemoram momento de recuperação - Jornal Cruzeiro do Vale

Agricultores comemoram momento de recuperação

27/07/2013

Atividades que dominam a agricultura

fotopg20abrecolorMD.jpgA agricultura de Gaspar aos poucos diversifica a produção, com a ajuda de pequenos produtores rurais que apostam em mais de um produto para cultivar. No entanto, o modelo agrícola ainda é predominantemente composto pelo cultivo de arroz. Com produção média de 600 toneladas ao ano, a rizicultura chega a movimentar cerca de R$ 20 milhões e ainda representa o principal produto da agricultura no município.

O secretário de Agricultura de Gaspar, Alfonso Hostert, lembra que a agricultura do município é baseada na rizicultura e, portanto, acaba sofrendo a influência das variações que o arroz e a cesta básica sofrem de acordo com a movimentação da economia. No entanto, segundo ele, os agricultores gasparenses já estão acostumados a essa realidade e gostam muito do trabalho que desenvolvem. ?Claro que há momentos como o de 2009, em que após a calamidade eles tiveram grandes perdas, mas logo em seguida eles se recuperaram e hoje atravessam um momento melhor?, avalia.

Após o cultivo de arroz, a piscicultura é quem aparece com destaque, com produção anual de 400 toneladas de tilápia, o que representa um bom indicativo para Gaspar, segundo o secretário. A exemplo dos pequenos produtores rurais, que contam com a CooperGaspar, os piscicultores também dispõem de uma associação ativa que busca melhorias para o segmento. Em seguida, a produção de leite e de palmeira real são as atividades que mais se sobressaem na agricultura gasparense.

 

Conquistas e necessidades

Na avaliação do secretário, o Dia do Agricultor deve ser comemorado, principalmente em função da persistência e das conquistas dos produtores do município. No entanto, quando cita os pontos que ainda poderiam ser melhores para o trabalho do colono, o secretário destaca acima de tudo o preço de venda dos produtos. ?Essa é uma grande necessidade. No entanto, muitas vezes o preço de venda também exige que o agricultor saiba comprar. Neste trabalho é que acredito que uma cooperativa de rizicultores poderia ajudar, adquirindo insumos a custos menores e melhorando a lucratividade para o produtor local. Ainda existe uma certa desconfiança com o cooperativismo entre os agricultores da cidade, mas acredito que essa é uma discussão que precisa ser construída?, sugere.

 

 

União para colher bons resultados

fotopg21retrancapbMD.jpgMesmo em meio a um cenário de crescimento da atividade industrial, em que a economia se torna cada vez mais pulverizada também por opções como comércio e serviços variados, a agricultura permanece entre os protagonistas da movimentação econômica de Gaspar. Contribuem para essa situação a vocação do município, reconhecido produtor de arroz, por exemplo, e também a tendência de aumento na demanda por produtos de ordem natural.

Um dos principais representantes do setor de agricultura no município é a CooperGaspar, cooperativa criada em 2002 para aglutinar forças de produtores rurais familiares, com ênfase também em produtos de origem vegetal como geleias e pães. A atuação do grupo fortalece o segmento na hora de negociar os itens cultivados. O presidente da CooperGaspar, Mariano Guesser, conta que o momento está sendo bastante positivo para agricultores e comerciantes. ?As vendas estão boas e em breve estaremos lançando também um novo modelo de rótulo para os produtos no comércio, que vai dar mais visibilidade aos itens produzidos?, revela.

Entre os produtos da área agrícola ligados à cooperativa que contam com produção em maior escala no município, o presidente destaca os itens derivados de mandioca e de cana-de-açúcar. Os doces, como geleias e melados, também têm espaço. Atualmente a CooperGaspar tem 24 cooperados, todos de Gaspar. Questionado sobre quais as razões que os agricultores gasparenses têm para comemorar o Dia do Colono, ele coloca o poder de reação acima do bom momento nas vendas. ?Depois de sofrer tanto com a calamidade de 2008, hoje estamos produzindo tudo novamente. A recuperação e a superação devem ser motivos de orgulho?, avalia.

 

De olho no futuro

Mesmo com a recuperação na produção e também no escoamento dos itens cultivados, a agricultura do município enfrenta realidade semelhante a de outras regiões em processo de industrialização. Com o crescimento na oferta de empregos e serviços, manter-se no campo passa a ser uma tarefa menos comum para os produtores rurais. ?Para o futuro, acredito que teremos maior demanda por produtos naturais e menor oferta, em função do rumo que nossa atividade econômica está tomando?, projeta Guesser.

Em contrapartida, o número menor de produtores pode abrir oportunidades para quem se mantiver no mercado agrícola. ?A tendência é que financeiramente seja cada mais atraente?, aposta o presidente da cooperativa, que acredita que quem decidir se manter no ramo pode colher bons frutos. Uma das oportunidades, inclusive, pode estar perto dos produtores.

 

Atenção ao consumidor final

Fundada há pouco mais de dois anos, a Casa do Agricultor, localizada no bairro Sete de Setembro, é um dos principais pontos em que o consumidor final gasparense pode encontrar produtos rurais produzidos no município, por parceiros da CooperGaspar, e também em outros locais de Santa Catarina. O agricultor Junior Schmidt trabalha no local desde o início das atividades e conta que os clientes já criaram o hábito de ir ao local para buscar itens como tomate, cebola, banana orgânica e temperos verdes.

Em alguns casos, como alface, hortaliças e folhas em geral, a equipe da Casa do Agricultor precisa buscar estoque em municípios como São José e Antônio Carlos, na Grande Florianópolis. Isso porque existem poucos produtores destas variedades na cidade, o que força a busca dos itens em outras regiões para atender o público. ?Por serem produtos que dependem muito da ação do clima, muitos resolvem não investir, mas esse é um espaço que, de repente, pode vir a ser preenchido por produtores locais que estiverem dispostos a expandir ou diversificar um pouco a produção?, indica o presidente da CooperGaspar, Mariano Guesser.

 

 

Vantagens e adversidades da vida no campo

fotopg23abrecolorMD.jpgOs alimentos que chegam à mesa de milhares de pessoas todos os dias são frutos do suor e da dedicação de muitos agricultores. Independente das adversidades enfrentadas, sejam elas climáticas, políticas, econômicas ou estruturais, estes trabalhadores que se dedicam ao trabalho no campo procuram driblá-las para continuar exercendo esta função de extrema importância. Em Gaspar, a atividade agrícola ainda é forte, porém as famílias que vivem do trabalho no campo encontram várias dificuldades pelo caminho, as quais, muitas vezes, são responsáveis pelo abandono das atividades.

De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Gaspar, Sitrug, Ivanilde Rampelotti, o cenário da agricultura em Gaspar pode ser considerado positivo em relação à produtividade e número de famílias que trabalham no campo. Entretanto, as dificuldades que este setor precisa enfrentar aumentam a cada ano. ?O preço do produto ainda é considerado o maior problema dos agricultores. O valor não é suficiente para cobrir o custo da produção e dessa maneira eles acabam vendendo sua propriedade para trabalhar em outro setor?, afirma. Além dos prejuízos, a classe também precisar lidar com as dívidas formadas pelas compras dos maquinários, que não possuem preços muito acessíveis e precisam de manutenção constante. ?Claro que não é possível viver como antigamente, quando não se utilizava maquinário algum. Porém, estes equipamentos vieram tanto para o bem quanto para o mal, afinal, a modernidade custa caro?, ressalta.

 

Renda paralela

Para tentar contornar todos estes problemas e continuar com o trabalho no campo, a presidente do Sitrug revela que é necessário ver a agricultura como uma das rendas da família e não a principal. Sendo assim, ela explica que é aconselhável que o homem siga no setor agrícola e a mulher trabalhe exercendo outra atividade. ?É preciso que o casal queira ajudar um ao outro para que a agricultura continue fazendo parte da família?. Ivanilde aconselha ainda que os produtores rurais passem a plantar mais de um alimento, tanto para venda quanto para consumo próprio, já que assim gastará menos com a compra de produtos nos mercados.

Entre os programas existentes para ajudar os trabalhadores rurais, Ivanilde destaca o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, Pronaf. O programa financia projetos individuais ou coletivos, que geram renda aos agricultores familiares, sendo que aqueles que aderem a ele têm até 10 anos para pagar o financiamento. ?Em Gaspar, muitos agricultores participam do Pronaf. É uma forma de incentivá-los a continuar com os trabalhos no campo e isso é positivo para a cidade?, destaca.

 

 

Edição 1509

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