
A implantação do sistema de esgotamento sanitário nos bairros Centro, Sete de Setembro e Santa Terezinha, que teve projeto aprovado no PAC do Saneamento no ano passado, deve ser a obra de maior dimensão na cidade após a conclusão da Ponte do Vale. Quem afirma é o prefeito Pedro Celso Zuchi, que considera o projeto importante para alavancar os índices sanitários da cidade. Em entrevista ao Jornal Cruzeiro do Vale, Zuchi antecipou ações previstas para 2014 e abordou temas como a aquisição do prédio da Bunge, o Plano Diretor e a não renovação do convênio com o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Cruzeiro do Vale - Qual a análise que o senhor faz do governo em 2013?
Pedro Celso Zuchi - O ano de 2013 foi muito positivo, até por se tratar de uma continuidade de governo. Tivemos muitos avanços. Na questão da mobilidade, conseguimos R$ 1 milhão para investir na rua José Patrocínio dos Santos, no Belchior, que dá acesso à Cascanéia, negociamos a aquisição do prédio da Bunge, incluímos o município no programa do Badesc, obtendo R$ 4 milhões a juro zero para pavimentação e reurbanização de ruas importantes como Barão do Rio Branco, no Santa Terezinha, Leopoldo Alberto Schramm e Frei Solano, no Gasparinho. Conseguimos também recursos para a pavimentação do Morro do Serafim, que será realizada este ano. A drenagem da rua Amazonas, no bairro Bela Vista, a Ponte do Vale, R$ 39 milhões para obras de saneamento, a conclusão da Ponte Hercílio Deeke, mesmo após toda aquela polêmica. Fizemos melhorias em cinco escolas e construímos uma nova, além da Praça de Esporte e Cultura do Gaspar Mirim e o complexo da Vila Isabel. Entregamos o Residencial Milano, começamos a erguer 70 unidades no Jardim Primavera. Foram avanços significativos.
CV - Há alguma área que se destacou? E onde o trabalho não rendeu o esperado?
Zuchi - Vejo que tivemos avanços em todas as áreas. Na educação, infraestrutura, Samae, esporte. Eu, como sou mais das obras, destaco a Ponte do Vale, que qualquer prefeito gostaria de estar construindo e que está em fase avançada.
CV - A Ponte do Vale será concluída em março? Como está a busca por recursos?
Zuchi - Neste mês de janeiro que começam as liberações de recursos de modo geral no Brasil. Estamos confiantes porque temos o convênio e o contrato assinado. Já temos R$ 3 milhões empenhados para liberar neste mês de janeiro, acredito. A partir daí teremos mais facilidade. Agora, se termina até março? Se ela terminar durante o ano de 2014 eu ficarei feliz da vida. Nós temos cidades como Blumenau, com um poderio econômico extraordinário em relação a Gaspar, que está com a obra parada (Ponte do Badenfurt). Então temos que comemorar sim.
CV - As alças de acesso estão entre as preocupações?
Zuchi - Os acessos à Ponte foram pensados para ter toda a segurança. Nós não estamos discriminando ninguém, como está sendo colocado na imprensa. O que estamos fazendo é uma obra que traga segurança. Está contemplado o acesso para o pessoal da Margem Esquerda, da margem direita, para quem vem da BR-470, da rua Pedro Simon... Agora, se houver uma sugestão, gostaria que ela viesse em forma de um projeto, com o custo e a fonte dos recursos. Trazendo isso, vamos apoiar.
CV - O Dnit já sinalizou se pretende construir os acessos?
Zuchi - Estive no Dnit em dezembro e foi dito que as duas rotatórias que serão construídas e as marginais da BR-470 estão contempladas no projeto da duplicação. Até lá, acredito que teremos um acesso nos moldes da rua Hercílio Fides Zimmermann. Vamos colocar redutor de velocidade para dar segurança até que ocorra a duplicação.
CV - No ano passado o senhor não mudou o secretariado, mas fez alterações em 2014. Quais os motivos e o que espera dessas mudanças?
Zuchi - Entendemos que era o momento de dar uma oxigenada na equipe, fortalecê-la um pouco mais. Teremos nesse ano de 2014 muitas obras estruturantes, como o saneamento nos bairros Centro, Sete e Santa Terezinha, então reforcei este setor. No fundo não tiramos a Patrícia (Scheidt) do Planejamento, nós acrescentamos o Soly (Waltrick), que pode ajudar no grande volume de obras. Queremos também aproveitar o conhecimento que o Lovídio (Bertoldi) adquiriu no Samae para aplicar na Secretaria de Obras. Eu não tinha obrigação de mudar, não assumi esse compromisso na campanha porque era uma equipe que estava dando certo e está dando certo.
CV - O que o cidadão pode esperar da Prefeitura em 2014?
Zuchi - Temos grandes projetos. Gaspar está crescendo muito rapidamente. Há muitas empresas se instalando e as que já são daqui estão se expandindo. O gestor público tem que dar condições de infraestrutura para essa nova Gaspar. Após a conclusão da Ponte do Vale, com a duplicação da BR-470, haverá um crescimento que vai exigir obras de infraestrutura. Então temos pavimentações programadas e também projetos no saneamento básico, que será a grande obra depois da Ponte do Vale. Pelo programa Pró-Transportes, fomos contemplados com R$ 27 milhões, vamos assinar com a Caixa entre janeiro e fevereiro. Esse valor vai atender dois grandes projetos. Um é a reurbanização da rua Bonifácio Haendchen, a drenagem e a pavimentação do loteamento da Sulfabril, na Margem Esquerda, da rua Carlos Alberto Schramm, que dá acesso ao loteamento, e as ruas Artur Poffo e Pedro Schmitt Junior. O segundo projeto é a rua Madre Paulina e a reurbanização da rua Itajaí. Devemos entrar com a licitação desses projetos até a metade do ano.
CV - Este será o ano da mudança da Prefeitura para o prédio da Bunge?
Zuchi - Espero que sim. Estamos na conclusão do contrato entre Prefeitura e empresa. Quero fechar esse contrato neste mês de janeiro. Acredito que lá para março ou abril no máximo a gente consiga fazer a mudança.
CV - O ano começou com a não renovação do convênio com o hospital. O município tem feito sua parte? O convênio ainda pode ser renovado?
Zuchi - Pode, depende de o hospital cumprir a exigência do contrato anterior, porque a prestação de contas foi reprovada. Não depende de mim. A renovação do convênio não deixou de acontecer por causa da Prefeitura. A lei é clara, não posso descumpri-la porque posso ser pego inclusive por improbidade administrativa. Tenho todo o interesse em renovar esse convênio com o hospital. Mas acredito que não haveria reajuste. Nosso repasse está acima da média da região.
CV - Como o senhor acompanhou as propostas dos empresários para a revisão do Plano Diretor?
Zuchi - Foi inclusive um pedido meu. O Plano Diretor é da cidade e não do prefeito, do vereador ou do secretário. A partir do momento em que ele vira lei e cai na mesa do prefeito, terei que colocar em prática, não poderei mais corrigir nada. Então pedi para os empresários que se envolvessem e trouxessem sugestões. Queremos finalizar isso até o final de fevereiro. Muitas sugestões feitas foram aceitas, outras ainda estão sendo analisadas.
CV - Como o senhor vê as restrições para construções em áreas mais baixas, incluindo a região do Poço Grande, onde a Prefeitura deve se instalar?
Zuchi - A gente tem que entender que mora em uma região de risco. O que temos que fazer é nos adaptar a nossa realidade. Todo empresário que mora e investe em nosso município conhece a cidade a palmo. Ele sabe onde corre risco e onde não corre. O que o município não vai poder é dar o aval para ele construir onde ele corre risco e depois ele querer buscar algum tipo de ressarcimento junto ao município.
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