
A onda de ataques que atinge Santa Catarina desde o início desta semana já registra reflexos em Gaspar. Um ônibus da Auto Viação do Vale foi incendiado na noite de quarta-feira, 14, no bairro Óleo Grande. O crime ocorreu por volta das 23h, na rua Ernesto Censi, quase no final da rota do ônibus. Quatro indivíduos armados teriam cercado o ônibus em duas motos, em frente a uma parada de ônibus, e em seguida obrigado o motorista e os cerca de 10 passageiros a descer antes de atear fogo ao veículo.
A Polícia Militar de Gaspar foi acionada e efetuou rondas na região, mas não localizou nenhum dos suspeitos. O Corpo de Bombeiros atendeu a ocorrência e precisou de 6 mil litros de água para apagar as chamas que destruíram o ônibus e atingiram parcialmente uma casa ao lado do local onde o veículo foi incendiado. O ônibus ficou totalmente destruído, mas ninguém ficou ferido. A Polícia Civil também esteve no local junto com o Instituto Geral de Perícias para avaliar o local e iniciar a investigação sobre o caso.
O caso assustou os moradores também em função da onda de ataques que ocorrem em Santa Catarina desde a segunda-feira, 12. Em todo o estado, pelo menos 10 cidades já registraram ataques. O governo do estado chegou a anunciar uma operação conjunta para tentar controlar a situação. Ônibus também foram incendiados em cidades como Blumenau, Itajaí e Florianópolis.
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Motorista conta como foi a abordagem
O motorista Givanildo Luiz Quintino, 31 anos, trabalha há dois anos na mesma rota, no bairro Óleo Grande. Quando terminava o último horário da quarta-feira, Givanildo era responsável por levar o ônibus para casa. Na quarta-feira, porém, quando estava a menos de 500 metros do ponto final, ele parou para três pessoas descerem num ponto de ônibus quando foi cercado por quatro homens em duas motos, que logo apontaram a arma e anunciaram a ação.
Ele se preocupou em ajudar os cerca de 10 passageiros a descer e também deixou o ônibus, que foi tomado pelos bandidos. A ação foi rápida, levou menos de um minuto e ninguém foi agredido. ?Só vi o ônibus pegando fogo e, quando eles foram embora, ouvi três disparos?, conta. Na manhã de quinta-feira, o ônibus 2008, com capacidade para 43 passageiros, permanecia no local com as marcas da destruição.
Susto na volta do trabalho
Janete de Souza Costa, 44 anos, voltava do trabalho com o ônibus das 22h e desembarcou exatamente no ponto escolhido pelos bandidos para incendiar o ônibus. Ao descer do veículo ela já avistou os motoqueiros apontando armas para o motorista. Ela conseguiu ver que todos estavam de capacete, mas logo correu para longe do ônibus em busca de proteção. Antes mesmo de conseguir chamar a polícia ela ouviu o barulho dos disparos feitos na saída dos bandidos. ?Achei que tinham atirado no meu filho?, conta.
Jefferson Souza Costa, 22 anos, filho de Janete, voltava para casa junto com a mãe e também percebeu a movimentação dos motoqueiros ao desembarcar do ônibus. ?Na hora não percebi o que estava acontecendo. Quando olhei um deles com arma, me assustei e corri para me esconder?, relembra.
Quando Janete retornou para ver o que havia acontecido, o fogo já havia queimado todo o ônibus. Já na tarde de quinta-feira, 15, ela esperava um ônibus para ir ao trabalho, por volta das 13h, mas ainda deixava transparecer certa insegurança. ?Trabalho até a noite e terei de pegar a mesma linha. Estou um pouco assustada?, confessa.
Fogo chegou a atingir residência
As chamas que destruíram o ônibus também atingiram parcialmente a casa de Ademir Mezadri, 53 anos. Ele mora há 30 anos no bairro, onde tem um bar bem em frente ao local onde o ônibus foi incendiado. O fogo chegou a estourar os vidros da residência, mas eles conseguiram controlar a situação com a ajuda da água da rede e com a chegada dos bombeiros. Ele afirma que a situação assustou e recorda que viu o fogo começando pela porta da frente e de trás do ônibus. ?Nunca pensei que isso fosse acontecer aqui em nossa região?, afirma.
Investigação colhe informações para chegar aos autores
O comandante da Polícia Militar de Gaspar, Adair Alexandre Pimentel, destacou que os bandidos se aproveitaram do local distante para incendiar o ônibus e revelou que a PM faz rondas junto às rotas dos ônibus. ?Recebemos reforço de efetivo, estamos fazendo mais horas extras e a tropa está unida, tudo isso para garantir a segurança da população?, avaliou. Ele reforça o apelo para postos de combustíveis não venderem gasolina em garrafa pet para evitar situações de risco.
O delegado do Setor de Investigações e Capturas da Polícia Civil de Gaspar, Egídio Maciel Ferrari, revelou que as investigações começaram logo após o fato e que os policiais já estão busca de informações que possam levar aos autores. Segundo ele, é possível sim estabelecer uma relação entre o caso e a onda de ataques em outras cidades de Santa Catarina. ?Já temos informações que levam a alguns suspeitos?, antecipa.
PM apreende coquetéis molotov no Jardim Primavera
A Polícia Militar de Gaspar encontrou dois coquetéis molotov no Loteamento Jardim Primavera, localidade conhecida como Marinha, em Gaspar. A apreensão ocorreu na noite de terça-feira, 13, após operação de rotina na região. Os policiais notaram uma movimentação suspeita e encontraram os dois artefatos numa lixeira, na via pública. O material foi levado por volta das 23h para a Delegacia de Polícia Civil de Gaspar, onde o caso será investigado. Nenhuma pessoa foi presa.
Na mesma noite, dois coquetéis molotov foram arremessados contra um ônibus atacado em Blumenau, mas os artefatos não funcionaram. O comandante da Polícia Militar de Gaspar, Adair Alexandre Pimentel, destaca que não é possível dizer se os materiais seriam usados em ataques em outros lugares ou se pertenciam a criminosos da localidade. ?A relação com os casos de violência no estado é apenas uma das possibilidades. Não podemos afirmar, mas esperamos que a investigação consiga trazer mais detalhes?, avalia.
A onda de violência ocorrida esta semana no estado registrou ataques em pelo menos cinco cidades de Santa Catarina, incluindo Itajaí e Blumenau. A Polícia Civil já iniciou os processos necessários para tentar descobrir a origem dos artefatos e a possível relação com os casos de violência nas outras cidades.
Atenção redobrada
O comandante revela ainda que a PM intensificou a fiscalização nas ruas e está fazendo rondas em rotas do transporte coletivo para tentar ampliar a segurança. Pimentel revela que os policiais trabalham com informações interligadas ao estado, mas assegura que a situação por enquanto está bastante tranquila no município. ?Fazemos o apelo para a comunidade, que é nosso maior olho. Se alguém notar uma movimentação suspeita ou pessoas estranhas durante tempo nas ruas, entrem em contato conosco?, ressalta.
O coquetel molotov apreendido pelos policiais é uma arma incendiária geralmente usada em protestos ou guerrilhas. A composição mais frequente inclui um líquido altamente inflamável, geralmente uma mistura química de itens como petróleo, gasolina e ácido sulfúrico, armazenados numa garrafa de vidro com um pano umidecido que serve como pavil.

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