Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Moisés tem culpa, sim! Esta foi a manchete do meu comentário de sexta-feira

21/09/2020

Mas, no fundo, os políticos provaram que são bichos autodestrutivos da sociedade. Fazem isso com os nossos votos e o mandato de representação que demos para eles 

As velhas raposas e os deputados juntaram-se e querem um governador submisso ao velho esquema de varejo do toma-lá-dá-cá

O comandante Moisés e a sua vice Daniela estão prestes a perder comando e o quartel numa batalha bem armada pelos inimigos que desdenharam desde o início  

 

Ao ouvir os discursos - chorosos, incoerentes, as vezes travestidos de técnicos, outras vezes assertivos, mas fingidos e todos para se justificar perante a analfabetos, ignorantes, desinformados e cabos eleitorais - dos deputados catarinenses na sessão que se discutiu à admissibilidade do impeachment do governador Carlos Moisés da Silva, PSL, na tarde e noite de quinta-feira no Palácio Barriga-Verde, em Florianópolis, ficou claro que ele é culpado. 

Se Carlos Moisés merece uma segunda chance? Dificilmente, ele a terá! Carlos Moisés está marcado para morrer. Simples assim! E por que? Não faz política, apesar do cargo ser antes de gestão, político e como político pediu votos para estar nele. 

Carlos Moisés não é culpado exatamente pelo suposto erro técnico que o acusam para embasar o primeiro impeachment admitido na Assembleia no governo dele. Baseado em determinação judicial, o governador autorizou o reenquadramento e o aumento dos Procuradores do Estado.  

Essa isonomia, é a busca esperta e reiterada da elite do funcionalismo para se equiparar por cima aos vencimentos dos outros. Carlos Moisés os igualou os do Executivo aos Procuradores da Assembleia, que lhe quer cassar o mandato. Ironia! 

A determinação judicial era para quem foi e ganhou esse direito na Justiça. Carlos Moisés deu para todos. Este é motivo pelo qual se pede o seu impedimento pela primeira vez. Entretanto, no fundo, a oposição pressentiu a oportunidade diante da desarticulação, do enfraquecimento com o caso da CPI dos respiradores e da arrogância em que se estabeleceu o governo de Carlos Moisés até aqui. E exagerou. Também, simples assim! 

Carlos Moisés foi engolido pelos fatos e principalmente pela sua omissão diante de uma legião de interesses que o governo dele contrariou, desarticulou e desestabilizou no ambiente político, partidário e até empresarial. Sabia ele que estava cercado de raposas e mesmo assim se achou imune diante de supostos 71% votos válidos dos catarinenses. 

Já escrevi e vou repetir pela enésima vez. Carlos Moisés, um Bombeiro Militar, precocemente alçado à reserva como Tenente Coronel e com alto soldo - obscuro até no ambiente em que servia -, prometeu aos catarinenses fazer a tal “nova política”.  

Foi por isso, que os eleitores responderam com a surpreendente votação nas urnas em 2018. Contudo, ele embutia muito mais: o voto protesto. Foi dado um mandato a Carlos Moisés para ele efetuar essa mudança em favor dos cidadãos, cansados das oligarquias, das tretas políticas, das dúvidas e as mesmices de sempre no poder de plantão. 

NÃO COMANDOU, NÃO GOVERNOU, NÃO SE PROTEGEU

Carlos Moisés não comandou – como era o seu velho ofício nos quartéis -, não apagou incêndios - sua especialidade técnica -, enfim, não fez a prometida tal “nova política”, mote de seu discurso de mudanças. 

Resumindo, não governou - o que é pior - e agora, como castigo pela inércia - erro de cálculo, ou arrogância - a velha política, com todos os seus abutres estão sobre ele, devorando-o, em carne viva. Nem esperaram Carlos Moisés se tornar carniça. Incrível à falta de proteção para um político com a estatura de governador ficou para os seus adversários (e inimigos). 

Carlos Moisés e sua turma precisam assistir as três temporadas da série dinamarquesa Borgen, na Netflix. É didática para principiantes como eles. 

Ah, mas Carlos Moisés não fez nada até aqui em quase dois anos de governo? Fez, e muito. E até nisso errou. Não comunicou. E se comunicou, não sensibilizou o seu eleitor, os catarinenses, muito menos os políticos que estão devorando as suas entranhas. Carlos Moisés não prestou contas. Exagero? Então faça uma pesquisa rápida e dissipe as dúvidas perante a sociedade. 

É UMA SOMA DE ERROS 

Mas, quem é o culpado disso tudo? As velhas raposas como mostrou o The Intercept também na semana passada? A velha política? As circunstâncias?  

Não! O próprio governador Carlos Moisés, o bunker de fardados e de pijamas que o rodeia, bem como seus "çabios", se é que ele os tinha, porque o que se apresentou como esperto no novo, deixou-o fragilizado está de tornozeleira eletrônica: Douglas Borba, chefe da Casa Civil e que a Grande Florianópolis sabia quem era, menos Carlos Moisés.  

Foi o novo político Carlos Moisés quem escolheu o seu Calvário, à sua Cruz e à forma carrega-la, de ficar exposto, fragilizado e judiado nessa Via Crucis.

Uma lição. É algo já da história política catarinense. 

Agora, Carlos Moisés vai para a etapa que parece ser pragmática do seu julgamento na Alesc. Eu escrevi, parece e realço, parece.  

Cinco políticos da mesma Alesc que o quer morto (eleitos e provavelmente todos cortarão a cabeça de Carlos Moisés) e cinco magistrados desembargadores (sorteados) e mais um, o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo José Roesler a presidir e desempatar, se for necessário. 

A parte pragmática é que Carlos Moisés, a sua vice Daniela Cristina Reinehr, ambos do PSL que não se fala – outra fragilidade que não resolveu e alimentou -, diz que ele não cometeu crime. Dependendo das escolhas, Carlos Moises e a vice vão perder os cinco votos dos políticos. E dependendo da hermenêutica dos desembargadores, a pragmatismo da lei também vira um fato político contra o governador e a vice. Exemplos abundam nos bastidores e nos tribunais. 

E por que? Carlos Moisés está abatido e isolado politicamente. O presidente da Assembleia, um reconhecido expert em arrumações políticas em Santa Catarina e artífice do procedimento de desgaste de Carlos Moisés, deputado Júlio Garcia, PSD, também está ameaçado de ser pego no contrapé pela Operação Alcatraz, conduzida pela Polícia Federal e Ministério Público Federal. 

Se Moisés ficar impedido, se Daniela ficar impedida, se Júlio ficar impedido em outro imbróglio jurídico de vários vaivéns, e se por algum momento houver tantas coincidências, o presidente do Tribunal de Justiça poderá ser até o governador de passagem em Santa Catarina. Então, o julgamento que se avizinha pode não ser tão pragmático assim à luz da lei. É mais um procedimento para se dar poder aos que perderam a corrida eleitoral. Outra coisa simples de se perceber.  

O que se comemorou no Palácio da Agronômica em taças de espumantes registrada pelas lentes das câmeras da NSC TV, bem como nos corredores do Centro Administrativo e Palácio Barriga Verde, pode vir com outro sabor que não estaria em nenhum vinhedo. 

ARMADILHAS EM SÉRIE 

Mas, supondo que Carlos Moisés e sua vice Daniela se livrem desse impeachment antes do afastamento deles de 180 dias dos cargos e funções, lapso temporal que será esticado de propósito para ultrapassar 31 de dezembro e dar oportunidade casuística à Alesc escolher um novo governador entre poucos. Ainda assim, Carlos Moisés, continuará um morto-vivo.  

Os deputados – via Júlio Garcia que fez a admissibilidade deste impeachment - já fizeram o novo caixão para o próximo funeral e estão prontos com os pregos e o martelo para selar a tampa dele e baixá-lo ao sepulcro dos fariseus. Vem o impeachment dos respiradores, bem como a própria CPI dos respiradores, onde Carlos Moisés falhou e deu munição para virar alvo fácil. 

Entretanto, teimoso, Carlos Moisés trabalha com um cenário onde para os seus há oportunidade de sobrevivência. É que um novo impeachment ou a CPI dos respiradores, provavelmente não alcançarão a vice, só ele. E aí pode estar o fio tênue de escapatória de Carlos Moisés.  

E por que? É que os políticos não querem, de verdade, é a vice no governo. E de jeito nenhum. Se não conseguem acesso com Carlos Moisés, com Daniela a coisa é pior ainda. Ela é mais rejeitada do que o próprio titular.  

Resumindo, há armadilhas em série e para todos os gostos. Sai de uma, entra na outra. A verdade, é que ambos, mesmo salvando-se, ou um ou outro, estarão em ambientes políticos e administrativos extremamente vulneráveis, impregnados pelas velhas raposas que prometeram buscam retomar o controle perdido nas eleições de votos livre e ambiente democrático. 

COMUNICAÇÃO PÍFIA 

Nem se comunicar, o governo do estado – como um corpo - foi capaz até aqui, onde essa prática é essencial, digital, instantâneo, responsivo. Está na era do pres release, da nota oficial, onde todos metem o bedelho e o material é amorfo. 

A comunicação do governo foi nula durante quase dois anos e pasmem, para um governo de resultados, na minha avaliação, surpreendentes. Entretanto, poucos conhecem deles. Se as redações não deram importância, faltou buscar outros meios para interagir com a sociedade. São esses resultados que tiraram o sono dos acostumados às tetas. E é este leite que alimenta à polêmica em que está metido neste momento na Assembleia. 

As corporações, os sindicatos de sempre, os políticos – incluindo os da própria base - foram mais hábeis e alimentaram com mais eficácia as redes sociais, os aplicativos de mensagens, a mídia tradicional com contrainformações, protegendo os seus interesses. Um jogo legítimo, diga-se, neste ambiente de contraditórios.  

Só nos últimos dias, o governo de Carlos Moisés tentou sair da toca e do isolacionismo onde está metido na comunicação de seus atos e defesa. Em vão. Infantil. Até porque atende aos interesses das estratégias de seus advogados, e não exatamente do governo.  

Os saudosos Adolfo Ziguelli, Eurides Antunes Severo, José Nazareno Coelho ou mais recente nesse ambiente, Derly Massaud Anunciação, para o também falecido, Luiz Henrique da Silveira, MDB, parecem distantes dos aprendizes ou desautorizados, na missão de comunicar com autoridade e articuladamente nos dias de hoje com os meios e a sociedade. 

Na outra ponta, por sua vez, os políticos matreiros perceberam à falta de mobilidade popular a favor do governador, da vice pela permanência dos governantes no poder de plantão. Entenderam o recado. E montaram o cavalo encilhado.  

Com a derrota acachapante de quinta-feira na Alesc, o governo de Carlos Moisés soltou uma nota oficial. Impressionante o gesto e o conteúdo. A renúncia, não é carta fora do jogo. Entretanto, é uma jogada arriscada, complicada e mostrará como Carlos Moisés não entendeu nada das regras desse jogo, exatamente resistir a entrar no jogo que só ele quis quando se tornou candidato e fez promessas aos catarinenses. 

FOTO DA CAMPANHA 

Corre nas redes sociais. Ainda é preciso fazer alguma legenda? 

 

PELO GOVERNADOR RICARDO ALBA SE TORNOU O PATINHO FEIO DO PSL BOLSONARISTA. EM CAMPANHA E PARA SE REAPROXIMAR DOS ELEITORES BOLSONARISTAS NÃO DEIXOU DÚVIDAS: ESPETOU CARLOS MOISÉS 

O discurso de quinta-feira na Assembleia do deputado Ricardo Alba, PSL, de Blumenau, o mais votado em Santa Catarina em outubro de 2018, é o atestado sinalizador desta fragilidade de Carlos Moisés da Silva, PSL.  

Jovem, Alba já mostrou que sabe escolher a melhor onda política para surfar, tanto que já esteve no DEM, PSDB, PP (pelo qual se elegeu vereador) e PEN – partidos que “sumiram” da sua biografia - depois dele chegar ao PSL e ser um surpreendente vencedor. 

Alba é o dono do PSL de Blumenau e Gaspar.  

Ele se elegeu na onda de Jair Messias Bolsonaro, mas apostou em Carlos Moises, enquanto os demais eleitos pelo partido em Santa Catarina se posicionavam contra o governador que resolveu criar uma independência do Presidente Bolsonaro. 

Carlos Moisés apostou as fichas no PSL. Os demais eleitos pelo PSL, no tal Aliança pelo Brasil – o partido dos Bolsonaros - e que faz água a tal ponto do próprio presidente Jair estar sondando o próprio PSL para se “refiliar”, desde que o PSL faça uma limpeza, entre elas, a de expulsar Carlos Moisés. 

Alba, apostou as fichas em Carlos Moisés.  

Por isso, Alba virou saco de pancadas em encontros do partido – inclusive naquele no ano passado em Criciúma feito para a criação do “Aliança pelo Brasil” e com a presença do deputado Federal paulista, Eduardo Bolsonaro, bem como nas redes sociais, onde os bolsonaristas as dominam como poucos a arte de encurralar e constranger os seus, imagina-se os adversários, os com opiniões divergentes... 

Ricardo Alba sentiu o bafo e de há muito.  

Num discurso de pouco mais de quatro minutos na quinta-feira, na Assembleia, carregou mágoas, foi um desabafo e um “mea culpa”. O discurso aparentemente está tardio. Foi pronunciado para salvar a sua candidatura e reafirmar que ele é um bolsonarista raiz tal qual na campanha de 2018. Afinal, ele está na corrida para prefeito em Blumenau e esse eleitorado dos Bolsonaros está solto, outra vez – lá - e aqui em Gaspar. 

No fundo, Alba sabe que dificilmente consertará a onda errada que escolheu para surfar desta vez. As redes sociais estão explicando a espuma que ele criou. 

CAMPANHA ELEITORAL INVENTA VOLTA DA RECREAÇÃO NAS CRECHES E ESCOLAS PARTICULARES FORA DA LEI 

VEREADORES APROVARAM PROJETO POLITIQUEIRO E INCONSTITUCIONAL EM TEMPO RECORDE PARA PREFEITO FAZER CHARME E COLOCAR A CULPA NO MINISTÉRIO PÚBLICO E NA JUSTIÇA 

A LEI CONFRONTOU O DECRETO ESTADUAL E A PREFEITURA NÃO ESTABELECEU OS PRÉ-REQUISITOS E DEIXOU OS DONOS DAS CRECHES E ESCOLAS A MERCÊ DO JULGADOR 

Desde que este assunto da volta seletiva das creches e escolas particulares para as atividades de lazer e recreação tomou conta do debate político, eleitoral, redes sociais, aplicativos de mensagens e mídia, ele também se tornou torto aqui em Gaspar.  

Alegou-se para infringir dispositivos legais em vigor, que os donos de escolas particulares estão passando fome. Errado. Eles estão passando um cortado, sim, mas não é por este motivo que se deve voltar às atividades escolares, e sim por uma consciência de cidadania com a educação das crianças e dos jovens. 

Em Gaspar, por exemplo, o IDEB revelou o que já se sabia: os nossos alunos sabem menos. E isso tem nome e sobrenome. Estão escondendo esse vergonhoso desastre que interessa o futuro das crianças e seus país, do debate eleitoral. Fez-se politicalha ao invés de ensino e educação. Na Câmara, um silêncio só. Fez-se obras sob dúvidas, ao invés de mais creches públicas, contra-turno e turno integral. 

Voltando. Ora, se com regras, quase todas atividades essenciais voltaram, inclusive as esportivas, recreativas, por que o ato de educar, ensinar e cuidar de crianças e jovens não pode voltar gradativamente, com cuidados e protocolos, depois de seis meses em quarentena?  

E a volta não pode ser só nas escolas particulares. A piedade não é para com o bolso, mas principalmente, com a responsabilidade de educar, transmitir conhecimento, socializar e preservar a saúde mental que estudos sérios mostram já estar afetando as crianças e jovens neste tempo de reclusão da pandemia. 

Desde que esta matéria transitou na Câmara, originada por proposta legislativa no final de agosto por gente em reeleição, esta coluna vem afirmando de que ela afrontava o decreto do Governo do Estado. O decreto libera o funcionamento da área de educação, a critério dos municípios e por regras e protocolos próprios, só a partir de 12 de outubro. O governo Federal se mexe para antecipar esse descalabro, mas dá autonomia aos estados e municípios. E eles... 

UMA JOGADA POLÍTICA 

Os donos de creches e escolas particulares daqui foram ao Ministério Público de Gaspar tirar a limpo a razão pela qual a promotora Camila Vanzin Pavani pediu e a juíza Camila Murara Nicoletti barrou, liminarmente, a lei 4.072/2020, sancionada pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB.  

Depois de aprovada na Câmara em tempo recorde e por unanimidade dos vereadores, que nada questionaram sobre a irregularidade dela, amparados pelos técnicos que assessoram os vereadores nas comissões e na procuradoria da Casa, “autorizaram as instituições privadas de educação infantil e assemelhados, excepcionalmente durante a pandemia da Covid-19, a atuarem com atividades de cunho recreativo, esportivo, cultural, entretenimento e hospedagem de curta duração”. 

O Projeto de Lei eleitoreiro e casuístico entrou no dia 25 de agosto, no dia primeiro de setembro já tinha passado pelas comissões, quando foi aprovado em plenário presencial e virtual. No dia seguinte, foi sancionado pelo prefeito Kleber Edson Wan Dall, MDB, naturalmente, com o aval da montoeira de entendidos da Procuradoria Geral do Município. 

Esta coluna alertou para a aberração. Como sempre, foi esnobada: “falta do que escrever”, disse-me um próximo ao gabinete de Kleber que ainda insiste em procurar os que falam comigo para puni-los.  

Deviam repetir esta esnobada para a Promotora e a juíza, da qual escaparam, quando não precisaram da Câmara, para espertamente fazer um decreto que liberou o futebol de patotas, também proibido naquele tempo pelas regras estaduais. Tudo pelo voto dos marmanjões. Criança não vota. 

Ou seja, como escrevi, a Lei da volta das creches e ensino infantil nos ambientes privados e que tomaram um baita prejuízo com a pandemia, foi feita para ser barrada, para lavar as mãos do prefeito, seus asseclas, vereadores em busca de reeleição e jogar a culpa nos outros. E por que? A promotora no encontro virtual que teve com os donos de creches e escolas particulares na semana passada, colocou os pingos nos is. Se a Lei assinada fosse séria, no mínimo, ela deveria estar acompanhada dos pré-requisitos e protocolos para esta reabertura, vaticinou a doutora Camila. 

Agora estão correndo atrás disso. Estão remendando. E os políticos que culparam o MP e a Justiça se fingem de vítimas. Não são. Eles sabem o que fazem. Pois, quando este protocolo estiver pronto, vai servir e não há como impedir, a abertura das escolas e creches municipais.  

E como estamos em campanha eleitoral, mesmo que ela aumente o emburrecimento das crianças e jovens para que os políticos vençam, há um movimento silencioso na área de educação e nos sindicatos para que nada volte à “nova” normalidade nas escolas públicas. Afinal, os servidores continuam ganhando dando aula em dobro de casa, como reclamam, ou não fazendo atividade alguma, como se denunciam sobre os auxiliares e direção. 

Ah, mais vai aumentar a contaminação! Vai. Mas, não foi essa opção de imunização rebanho quando se abriu às atividades industriais, logísticas, comerciais e de lazer por aqui e em quase todo o Brasil? Qual é mesmo a diferença de um trabalhador ser vetor do vírus ou uma criança para a sua casa e amigos neste estágio de abertura praticamente total das atividades sociais e laborais? 

COISAS DOS POLÍTICOS 

Se por um lado se arma para fazer uma lei manca, em tempo recorde, com função eleitoreira e pronta para culpar outros se ela não vingasse, como não vingou, na outra ponta, a própria Câmara, sob o suposto manto da inconstitucionalidade, ela tranca dois Projetos de Resolução, e vejam bem, também de origem parlamentar. 

Há quase seis meses, repito, seis meses, não foi a votação ainda a proposta que dava 20% por apenas dois meses dos salários dos vereadores ao Fundo Municipal de Saúde para o combate da Covid e outro que impedia as diárias aos vereadores até o final do ano. 

Todos quietos e torcendo para que este assunto não seja mais lembrado até 15 de novembro. 

Em compensação, sob sigilo, corre negociações para que depois das eleições se aprove aumentos reais para vereadores e até o prefeito, que hoje recebe R$27.356,69, a partir do ano que vem. Como a Câmara encerra atividades em meados de dezembro, se isto acontecer, será mais um projeto que passará vapt-vupt e neste caso, será constitucional, se a sociedade permitir isso aos seus representantes. Acorda, Gaspar! 

 

TRAPICHE 

Denúncias ao seu alcance. O aplicativo Pardal, desenvolvido pela Justiça Eleitoral para uso gratuito em smartphones e tablets, a cada eleição já está disponível para download nas lojas virtuais Apple Store e Google Play. Somente no pleito de 2018, a ferramenta recebeu mais de 47 mil denúncias.  

Começaram a pipocar, inclusive em veículos de comunicação, enquetes, travestidas de pesquisas eleitorais. São armadilhas e propagandas, todas proibidas pela legislação. Os espertos em manipulação digital já estão se aproveitando das oportunidades propositadamente criadas. Incrível! 

Tarefa complicada. A coligação no poder de plantão ordenou aos seus 150 comissionados que arrumem mais três veículos para serem plotados com propaganda oficial, além do próprio comissionado. Não está sendo tarefa fácil para alguns. 

No dia 27, a orientação é se ter pelo menos 1.800 veículos adesivados circulando pela cidade. É para impressionar e abafar qualquer reação dos adversários. 

Esta semana deverão circular pelo menos três pesquisas eleitorais pela cidade. Depois delas virá a ressaca, o vazamento seletivo e a distorção dos números inundando os aplicativos de mensagens. 

Vem aí o escândalo do Doutor Morte. 

O vereador em Gaspar tem apenas uma sessão por semana e que está durando em média uma hora, a cada terça-feira à noite. Mesmo assim, tem vereador que não consegue conciliar a agenda de trabalho com a política. Na sessão de terça-feira, três saíram antes da hora. 

Qual a primeira principal empresa que o governo de Kleber Edson Wan Dall, MDB trouxe Gaspar e comemorou? A Havan, no Bela Vista. Dos três anos em que ela abriu, mais de dois está fechada por problemas estruturais. Ouvir aqueles discursos hoje, é impagável. Agora, às vésperas das eleições, ela está cercada, escondida. 

“Cachorro que tem mais de um dono, morre de fome”, esta ao menos foi a explicação de um dos vereadores que vai concorrer à reeleição sobre o seu partido não ter feito coligação em Gaspar. Se bem que tentou... 

Lembram-se do Michola? Luiz Eurides Poli foi influente assessor do seu irmão, o ex-prefeito Luiz Fernando Poli, no antigo PFL. Michola, ou o Nego, como é conhecido por lá, é candidato a vereador em Biguaçu pelo Democratas. 

A coligação para a reeleição do prefeito tem 83 candidatos. Eles ainda vão passar pelo crivo do Tribunal Regional Eleitoral. Mas, já estão brigando entre si, em público e nas redes sociais por espaços. Era previsível. 

Começou bem. Sincericídio? Ao ser entrevistado o candidato a prefeito pelo PT de Gaspar, o ex-vereador José Amarildo Rampelotti, disse que a candidatura dele foi imposta pelo partido. Ai, ai, ai. 

Os buldogues escalados pela coligação no poder de plantão era para atacarem os adversários e esta coluna. Entretanto, um deles tentou morder um dos da própria coligação. O buldogue virou vira-lata e saiu do grupo de whatsapp. Voltará em breve. 

Na nuvem. Tem partido apostando na vitória em Gaspar. Certo, até o fechamento da coluna, só três vereadores para puxar votos para a majoritária dita vencedora. 

Roni Muller, titular da Fundação Municipal de Esportes e Lazer, deve ser escolhido o coordenador de campanha de Kleber Edson Wan Dall, MDB. Alguém acredita que isso não seja apenas uma fachada? 

O ex-coordenador de campanha vencedora de 2016, presidente do MDB de Gaspar, o prefeito de fato e secretário de Fazenda e Gestão Administrativa, Carlos Roberto Pereira, alega aos próximos que está assoberbado. 

É uma desculpa para o desgaste que o nome dele leva para a candidatura majoritária, se ele for o coordenador oficial. Só isso. Ele e todos sabem. E a ação é pensada. Acorda, Gaspar! 

Uma simples foto nas redes sociais, provocou um a saia justa entre os irmãos evangélicos pentecostais de mesma denominação. E teve que ser editada. O fato mostra como o clima de fé neste ambiente não é tão sagrado assim. 

Vai dar rolo como está dando com as creches e escolas particulares. Os parques aquáticos no Distrito do Belchior estão anunciando a reabertura da temporada para o dia dez de outubro. A prefeitura de Gaspar ainda não fez o regramento para isso. O governo do estado, no que está em vigor, isso só será possível quando a cor da região for amarela. Então... 

Faz sucesso nos aplicativos de mensagens e redes sociais, o depoimento do prefeito de Colatina, Espírito Santo, Sérgio Meneguelli, Republicanos. Com esta frase “não sou dono da cidade”, ele se negou a quebrar uma promessa e mesmo com reeleição aparentemente garantida, saiu da disputa eleitoral. 

 

 

 

Edição 1970

 

 

Comentários

Herculano
23/09/2020 07:36
OS NÚMEROS DO IDEB - ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA - EM GASPAR REVELAM MAIS QUE UMA VERGONHA

São números. São constatações. São realidades. É um retrato. São resultados. É a verdadeira prestação de contas. É uma brutal discriminação de políticos contra pobres. Um alerta para reverter algo assustador. Esses números dizem que os gestores públicos e educadores falharam feio. São pedidos de socorro que não estão sendo ouvidos...

E os responsáveis por isso estão pedindo votos para continuar a piorar. Acorda, Gaspar!
Herculano
23/09/2020 07:28
A VOLTA DO SOCIALISMO EMPRESARIAL, Helio Beltrão, engenheiro com especialização em finanças e MBA na universidade Columbia, é presidente do instituto Mises Brasil, no jornal Folha de S. Paulo

Aos 50 anos, artigo de Friedman é atual e resiliente e rechaça modismos como ESG

Há 50 anos, Milton Friedman escreveu "A Responsabilidade Social das Empresas é Aumentar os Lucros". O artigo - um dos mais influentes destas cinco décadas - foi publicado em uma época na qual muitos CEOs (presidentes-executivos) advogavam que suas empresas, além de pagar impostos e cumprir a lei, deveriam fazer mais pela sociedade: doar a causas nobres, eliminar a discriminação na sociedade, contribuir para a preservação do ambiente.

Segundo Friedman, a alta administração de uma empresa é subordinada a seus acionistas e deve gerir a empresa de acordo com suas diretrizes. Normalmente, os acionistas e investidores, em especial os de companhias cotadas em Bolsa, almejam o maior lucro possível e que a gestão respeite sempre a lei e altos padrões éticos.

O aniversário induziu uma onda de artigos com refutações à tese de Friedman, umas melhores que outras, mas todas deficientes.

O artigo original é assombrosamente atual e resiliente, além de rechaçar modismos contemporâneos como ESG e a soberania dos stakeholders em contraposição aos acionistas (shareholders).

Já no primeiro parágrafo, Friedman nomeia a doutrina que embasa o discurso daqueles presidentes-executivos: puro socialismo.

Para o economista, a "responsabilidade social" significa que os gestores são incentivados a perseguir interesses antagônicos aos de seus empregadores, os acionistas. Ou seja, perseguir algo que não seja o lucro. A aposta é que todos ganharão no final: o cliente comprará produtos melhores e mais baratos, a sociedade terá seus problemas mitigados, e os acionistas lucrarão. Será?

Tomemos, por exemplo, o caso em que a gestão, em prol de contribuir com o objetivo social de reduzir a desigualdade, contrate colaboradores menos qualificados do que poderia.

Caso esta ou outra ação agregue valor aos acionistas, a alegação de virtude em prol da responsabilidade social não passa de retórica ou marketing; afinal, como nas demais decisões empresariais, esta também persegue os interesses financeiros da empresa e de seus acionistas.

Porém, na medida em que tal decisão resulte em perda aos acionistas, o gestor estará fazendo caridade com o dinheiro dos outros.

Acionistas, clientes e colaboradores podem e devem doar do seu próprio bolso para causas nobres. No entanto, o exemplo acima ilustra a usual deficiência do denominado "principal-agent problem", ou o problema da relação entre mandante e mandatário. Ganha determinado stakeholder - muitas vezes o próprio gestor -, perde o acionista.

O mesmo ocorre no caso do acionista controlador que propõe que a empresa adote uma iniciativa destrutiva de valor, repassando parte do prejuízo aos demais acionistas. Nem sempre os interesses pessoais do controlador estão alinhados com os objetivos da empresa ou dos demais acionistas.

Nesses casos, afirma Friedman, o gestor (ou o acionista controlador) age simultaneamente como legislador, executivo e jurista, ao decidir sozinho quanto gastar e para que propósito, guiado apenas por suas preferências pessoais e desconsiderando o patrimônio dos acionistas.

Por isso Friedman denomina o fenômeno de socialismo: a alocação de recursos escassos no ESG se dá por mecanismos políticos, não por lógica econômica.

O professor Aswath Damodaran, especialista em finanças, é cético em relação ao ESG. A teoria das finanças advoga que o valor de uma empresa só cresce se uma decisão a) aumentar a geração de caixa ou b) diminuir o risco da empresa.

Segundo Damodaran, a meta-análise dos estudos revela que o ESG não melhora a geração de caixa, porém pode diminuir o risco da empresa. O irônico é que os acionistas de empresas anti-ESG (tabaco, energia não renovável) tendem a ganhar mais.

Como diz um CEO amigo meu, sustentabilidade é a empresa durar 500 anos.
Herculano
23/09/2020 07:08
JOGO DE CENA EMPERRA REDUÇÃO DE PARLAMENTARES, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

Para apresentar Proposta de Emenda à Constituição (PEC), é necessária assinatura de um terço dos deputados (171) ou dos senadores (27), mas o apoio às PECs que tratam de reduzir o número de parlamentares foi apenas jogo de cena e nenhuma delas prosperou no Congresso. As mais recentes, uma que propõe redução de três para dois senadores e outra que reduz número de deputados federais, seguem na gaveta e mostram que o apoio é no palanque, em frente às câmeras e só da boca para fora.

LOCALIZAÇÃO DA GAVETA

As duas PECs estão paradas desde o ano passado nas CCJ da Câmara e Senado, apesar de ambas terem recebido pareceres pela aprovação.

ALÍVIO BILIONÁRIO

Além de menos senadores, deputados federais seriam de 4 a 65 por UF, com economia de R$1,3 bilhão por legislatura, mandato de quatro anos.

ECONOMIA ACESSóRIA

Com o corte de parlamentares vêm os cortes de aspones, auxílios, verba de gabinete, cotas indenizatórias, carros oficiais, passagens aéreas etc.

SEGUNDO MAIS CARO

O Congresso brasileiro é o segundo mais caro do mundo, onde cada membro custa R$47 milhões por ano, segundo a União Interparlamentar.

BRASIL TEM MENOR INCIDÊNCIA DE COVID EM 90 DIAS

Há quase dois meses, o Brasil vem apresentando dados animadores em relação à pandemia do coronavírus e reduziu o número de casos ativos, pessoas atualmente infectadas, para 507,8 mil. Esse é o menor número de pessoas doentes ao mesmo tempo desde o dia 24 de junho. Com o número de curas frequentemente maior que os novos contágios, a marca psicológica de 500 mil casos deve ser cruzada, para baixo, nesta quarta.

LADEIRA ABAIXO

A média diária de novos casos é de 29,6 mil, a menor desde 18 de junho, excluído o feriadão da Independência, quando houve represamento.

O QUE IMPORTA

No caso das mortes, descontado o período do feriadão, a média diária está em 748, o menor patamar desde 18 de maio.

EUROPA PREOCUPA

O Brasil segue tendência oposta à observada em vários países europeus como França e Reino Unido, que verificam alta nos casos e mortes.

CUMPRIU-SE O FADO

O ministro-chefe do GSI, general Augusto Heleno, não ameaçou de retaliação os países que boicotam produtos brasileiros, mas foi exatamente o que informaram alguns veículos sobre sua entrevista à rádio Bandeirantes na qual desabafou contra distorções da imprensa.

CHEGA DE MIMIMI

Para enfrentar o mimimi de alguns médicos peritos, o governo precisa acabar seu próprio mimimi e editar uma medida provisória que autorize outros médicos a fazerem o trabalho e honrar o juramento de Hipócrates.

JÁ VAI TARDE

Os bandidos que assassinaram Elias Maluco na prisão são da mesma laia, tão cruéis quanto ele, que matou covardemente o jornalista Tim Lopes. Mas o mundo certamente ficou um pouco melhor.

VEXAME À BRASILEIRA

Líder da "bancada" do atraso pró-ditadura venezuelana, que reclama da visita recente do secretário de Estado Mike Pompeo, o senador Telmário Mota (Pros-RR) foi a Caracas em abril de 2019 adular Nicolás Maduro, tirano que a ONU acusa de perseguir, prender e assassinar opositores.

OBJETIVO ALCANÇADO

A greve de 34 dias nos Correios cumpriu seu objetivo de garantir à rapaziada, sob o patrocínio da Justiça do Trabalho, férias em dobro. Para além dos trinta dias previstos em lei, mais 34 de folga remunerada.

FÚRIA NA PORTA DA CADEIA

O senador Álvaro Dias (Pode-PR) acha que "advogados dos corruptos devem estar enfurecidos" após decisão do CNJ que referendou ato do novo presidente do órgão, Luiz Fux, para restringir soltura de presos por corrupção que alegam o tal risco do Covid para sair da cadeia.

TEMPERO PRÉ-ELEIÇÃO

Donald Trump deve nomear um novo juiz da Suprema Corte dos EUA até o próximo fim de semana. Na campanha de 2016 o presidente americano divulgou lista de 25 nomes de possíveis indicados. E já emplacou dois.

EUROPEU NÃO TEM NOÇÃO

A Amazônia Legal é uma área de 5,2 milhões de km², que corresponde a 61% do território brasileiro. É um território 25% maior que a soma da área de todos os países da União Europeia e o Reino Unido.

PENSANDO BEM...

...os ataques ao discurso mal disfarçavam a frustração pelo fato de Bolsonaro não ter falado mal do Brasil na ONU.
Herculano
23/09/2020 07:02
USO DE DINHEIRO VIVO SUSTENTOU CAMPANHAS ELEITORAIS DA FAMÍLIA BOLSONARO

Jair Bolsonaro e seus filhos injetaram R$ 100 mil em campanhas de 2008 a 2014; família já movimentou mais de R$ 3 milhões em espécie
Conteúdo de O Antagonista. Texto de Ana Luiza Albuquerque, Italo Nogueira e Felipe Bächtold, do Rio de Janeiro e São Paulo. O presidente Jair Bolsonaro e seus filhos fizeram sucessivas doações em dinheiro vivo para irrigar suas campanhas eleitorais de 2008 a 2014. No total, foram injetados R$ 100 mil em espécie nesse período - corrigidos pela inflação, os valores chegam a R$ 163 mil.

A prática funcionou por meio de autodoações em dinheiro vivo e de depósitos em espécie feitos por um membro da família em favor de outro. Em duas candidaturas, a utilização de cédulas foi responsável por cerca de 60% da arrecadação da campanha.

O uso frequente de dinheiro vivo no financiamento eleitoral repete hábito da família de pagar contas pessoais e até a quitação de imóveis em espécie, costume atualmente investigado no chamado caso das "rachadinhas" na Assembleia Legislativa do Rio.

Transações em espécie não configuram crime, mas podem ter como objetivo dificultar o rastreamento da origem de valores obtidos ilegalmente. Hoje em dia, esse tipo de movimentação é comunicada automaticamente ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) quando ultrapassa R$ 10 mil.

Os depósitos em dinheiro vivo para o financiamento de campanha foram identificados pela Folha nos processos físicos das prestações de contas entregues à Justiça Eleitoral.

A reportagem analisou os recursos recebidos desde 2000 pelas campanhas de Jair Bolsonaro (sem partido) e seus filhos, Flávio (Republicanos-RJ), Carlos (Republicanos-RJ) e Eduardo (PSL-SP).

Nas 5 campanhas em que a reportagem identificou pagamentos em espécie, o percentual de financiamento desse tipo em relação ao total de recursos arrecadados variou de 1% a 58%.

Das 13 candidaturas analisadas, em 4 não houve depósitos em dinheiro vivo. Em outras 4, não foi possível confirmar pelas prestações se houve injeções em espécie.

O elevado uso de dinheiro vivo nas campanhas destoa da prática de outras candidaturas bem-sucedidas naqueles anos.

Reportagens e dados obtidos por órgãos de investigação mostraram que a família Bolsonaro, especialmente na figura do senador Flávio Bolsonaro, já movimentou mais de R$ 3 milhões em dinheiro vivo nos últimos 25 anos.

Entre as operações em espécie, segundo as apurações, estão a compra de imóveis, a quitação de boletos de planos de saúde e da escola das filhas de Flávio, o pagamento de dívidas com uma corretora e depósitos nas contas da loja da Kopenhagen da qual o senador é dono.

O Ministério Público do Rio de Janeiro suspeita que o filho mais velho do presidente tenha utilizado recursos obtidos com o suposto esquema de devolução de salários em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa para permitir essas operações em benefício pessoal.

A reportagem procurou a família Bolsonaro para comentar sobre a utilização de dinheiro em espécie em campanha, mas não obteve resposta até a conclusão da reportagem. Anteriormente, integrantes do clã negaram que elas representassem indícios de ilegalidades.

Entre as campanhas da família, a que mais recebeu recursos em espécie foi a do vereador Carlos Bolsonaro à Câmara Municipal do Rio em 2008. Naquele ano, Carlos doou para a própria campanha R$ 10 mil em dinheiro vivo. Flávio também colocou R$ 10 mil e, Jair, R$ 15 mil.

Os R$ 35 mil em espécie injetados pela família representam cerca de 60% de todos os recursos angariados por Carlos naquela campanha.

A reportagem consultou as prestações de contas de outros candidatos bem votados no Rio. Entre os dez que ficaram à frente de Carlos e que têm dados disponíveis, só um, Sebastião Ferraz, eleito pelo PMDB, teve perfil de financiamento parecido.

Em 2010, Jair Bolsonaro doou R$ 10 mil em espécie para sua própria campanha a deputado federal. Dois anos depois, Carlos novamente colocou R$ 10 mil em dinheiro vivo na sua campanha a vereador, enquanto seu pai doou R$ 12 mil.

Em 2014, ano de sua estreia na política, Eduardo Bolsonaro recebeu R$ 30 mil em espécie para sua campanha a deputado federal. O valor corresponde a mais de 60% de todos os recursos angariados.

Naquele ano, Carlos colocou R$ 10 mil em dinheiro vivo na campanha do irmão, enquanto Jair doou R$ 9.000. O ex-assessor Jorge Francisco, pai do atual ministro da Secretaria-Geral, Jorge Oliveira, repassou R$ 11 mil.

O uso de dinheiro em espécie foi inexpressivo na ocasião entre os candidatos mais votados em São Paulo. Nas prestações de contas dos três mais votados, há apenas um lançamento desse tipo, de R$ 200, a favor de Marco Feliciano (hoje no Republicanos) ?"o equivalente a apenas 0,1% do total arrecadado por ele.

Também em 2014, Jair injetou mais R$ 4.500 em espécie na sua campanha à Câmara dos Deputados.

A reportagem também identificou outras doações recebidas pela família entre 2000 e 2014, no total de R$ 73.584, cujo meio da transação não foi possível confirmar nos processos físicos.

É o caso de R$ 15 mil doados por Carlos à sua própria campanha em 2000, e R$ 6.584 injetados por Jair em sua campanha a deputado federal em 2002.

Também é a situação da campanha de Jair quatro anos depois, quando ele e Jorge Francisco colocaram R$ 10 mil cada. Ainda em 2006, Jorge Francisco também doou R$ 4.000 a Flávio. O ex-assessor Telmo Broetto repassou R$ 9.000.

O site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indica que em 2012 Carlos recebeu R$ 10 mil em espécie do Comitê Financeiro Municipal para Vereador do PP, mas na prestação física não consta o recibo para confirmação.

Em 2014, Eduardo repassou R$ 9.000 para sua campanha a deputado federal. Segundo o registro online do tribunal, o valor foi depositado em espécie. Não foi possível confirmar no processo físico, no entanto, como a transação foi realizada.

O site do TSE também aponta, erroneamente, que Carlos depositou R$ 10 mil em dinheiro vivo para a campanha de Flávio em 2010. A prestação física mostra que, na verdade, o valor foi transferido entre as contas correntes dos irmãos.

Segundo o Ministério Público do Rio, o senador Flávio Bolsonaro movimentou R$ 2,89 milhões em dinheiro vivo, que teriam como origem o esquema de devolução de salários no seu antigo gabinete na Assembleia do Rio.

A "rachadinha", de acordo com os investigadores, foi operada pelo ex-assessor Fabrício Queiroz, que recebeu mais de R$ 2 milhões de 13 assessores de Flávio, de 2007 a 2018, por meio de transferências bancárias e de depósitos em espécie.

A apuração abrange os crimes de peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, os valores do esquema foram lavados pelo senador, em sua maior parte, por meio de sua franquia da Kopenhagen (R$ 1,71 milhão), compra de imóvel (R$ 638,4 mil), boletos de plano de saúde e escola (R$ 261,6 mil) e depósitos em conta (R$ 133 mil).

Reportagens da Folha e do jornal O Globo revelaram outros possíveis usos de dinheiro vivo pela família Bolsonaro.

Foi o caso da compra de imóveis pela segunda mulher de Bolsonaro, Ana Cristina Valle, no valor de R$ 243,3 mil; da compra de imóvel pela primeira mulher, Rogéria Bolsonaro, no valor de R$ 95 mil; e dos pagamentos feitos por Carlos e Flávio a uma corretora, no valor de R$ 15,5 mil cada.

Assim, os R$ 100 mil em espécie injetados nas campanhas eleitorais representam mais uma frente do costumeiro uso de dinheiro vivo pela família.

Há indícios de que a "rachadinha" possa ter chegado ao gabinete de Jair Bolsonaro, embora o presidente não seja alvo de investigação no caso.

Nove assessores de Flávio que tiveram o sigilo quebrado pela Justiça foram lotados, antes, no gabinete do pai na Câmara dos Deputados.

Nathalia Queiroz, filha de Queiroz, também teve passagens pelos dois gabinetes. Como a Folha revelou, Nathalia era funcionária fantasma de Jair Bolsonaro e atuava como personal trainer no Rio.

Segundo o MP-RJ, ela repassou pelo menos R$ 633 mil ao pai. A Folha mostrou que os repasses continuaram mesmo quando Nathalia esteve no gabinete de Jair.

A Folha também revelou que durante os 28 anos em que foi deputado federal, de 1991 a 2008, Jair Bolsonaro manteve uma intensa e incomum rotatividade salarial de seus assessores.

De um dia para o outro, assessores chegavam a ter os salários dobrados, triplicados, quadruplicados, o que não impedia que pouco tempo depois tivessem as remunerações reduzidas a menos de metade.

Além disso, dados da quebra de sigilo de Queiroz mostram que o ex-assessor e sua mulher repassaram 27 cheques para a primeira-dama Michelle Bolsonaro, de 2011 a 2016, no total de R$ 89 mil. Os valores foram revelados pela revista Crusoé.

A apuração do suposto esquema de Flávio Bolsonaro também pode ter desdobramentos no gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio.

Após reportagens da Folha e da revista Época, Carlos passou a ser investigado pelo suposto emprego de funcionários fantasmas.

A investigação pode ter seu escopo ampliado, pois o vereador já teve quatro ex-assessores com os sigilos bancário e fiscal quebrados na investigação sobre a suposta "rachadinha". Eles trabalharam tanto no gabinete de Carlos como no de Flávio.?

A assessoria da Presidência da República informou que não comentaria a utilização de dinheiro em espécie em campanhas de Jair Bolsonaro e dos filhos.

A reportagem procurou outros os três filhos do presidente, mas não obteve resposta até a conclusão deste texto.

Em relação às movimentações de dinheiro em espécie, em ocasiões anteriores a família Bolsonaro negou que elas representassem indícios de ilegalidades. A defesa de Flávio Bolsonaro, por exemplo, disse em julho, ao comentar depósito de R$ 25 mil feito por Queiroz na conta da mulher do senador, que não houve nenhuma irregularidade.

No mês anterior, os irmãos Carlos e Flávio disseram em nota, ao falar sobre depósitos em dinheiro vivo que fizeram para uma corretora de valores, que era um erro misturar esse assunto com a investigação em andamento no Rio. "Apenas alimenta ilações fantasiosas e incentiva a campanha de perseguição."

O USO DE DINHEIRO VIVO PELOS BOLSONARO E SEU ENTORNO

- De 2007 a 2018, ex-assessores de Flávio Bolsonaro na Assembleia do Rio sacaram mais de R$ 7 milhões de suas contas

- O Ministério Público do Rio suspeita que parte desses saques possa ter sido repassada a Fabrício Queiroz em mãos, dificultando a rastreabilidade

- Ainda segundo a Promotoria, esses recursos eram usados para pagar, em dinheiro vivo, despesas de Flávio, incluindo boletos de plano de saúde e escola, parcela de imóvel e pagamento de dívida com um PM, entre outros

- A Folha identificou em prestações de contas à Justiça Eleitoral que o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos também usaram dinheiro vivo para irrigar suas campanhas eleitorais de 2008 a 2014
Herculano
23/09/2020 06:56
Só PORQUE ELE QUER, por Carlos Brickmann

É preciso entender o presidente Bolsonaro. Na ONU, ele não mentiu, só disse a verdade como ele a vê. Por exemplo, floresta úmida não pega fogo. Os índios e os caboclos, explorados por comunistas maconheiros do Exterior e ONGs de maconheiros (como cantou seu filho Flávio, "todo maconheiro dá o toba"), forçados a trocar o precioso nióbio amazonense pela maconha à qual se afeiçoaram, jogam guimbas acesas de maconha no mato e pimba! - começa a fogueira. Não é só isso: o índio não entende direito o sotaque de um norueguês comunista. Quando o norueguês pergunta "onde terr a fumo da bom?", o índio taca fogo no mato e mostra uma enorme fumaceira da boa.

Os mil dólares de auxílio a 65 milhões de carentes? Tá bom, só alguns vão pegar mil dólares, isso até dezembro. Para a maior parte dos ajudados, a quantia não chegou a mil dólares. Mas, convenhamos, também os carentes não eram 65 milhões - ou eram, um dia talvez saibamos o número certo. Mas só um dos agentes da distribuição de renda, um certo Queiroz, ajudou dona Michele com uns 20 mil dólares à cotação da época, ou 89 mil reais, talkey?

Propôs na ONU o combate à cristofobia. Cristãos não sofrem de cristofobia. Os islâmicos têm Cristo entre os profetas. Jesus era judeu, Israel cuida dos santuários cristãos. Mas Bolsonaro deve ter pensado no Brasil, onde Jesus é unanimidade. Mas colocar Seus símbolos nos palácios do Governo e Sua estátua sobre as milícias do Rio - isto é ou não é perseguição?

É DANDO QUE SE RECEBE

Outros pontos criticados do discurso de Bolsonaro também devem ser entendidos a partir de seu ponto de vista. Elogiar publicamente um chefe de outro Estado a poucas semanas da eleição, como fez com Trump, não tem nada a ver com aquele cordão que cada vez aumenta mais. Trump retribui um a um os elogios de Bolsonaro. Lembre-se do I love you. Em troca, Trump reduziu a quantidade de aço brasileiro que pode entrar nos EUA sem tarifas. Bolsonaro escancarou boa parte do mercado nacional para o álcool de milho dos Estados Unidos. Em troca, Trump elogiou Eduardo "Bananinha", que queria virar embaixador em Washington. A Sig-Sauer americana foi trazida ao Brasil por Eduardo, o filho 03. Em troca, o embaixador americano disse que se o Brasil negociar a 5G com os chineses terá problemas com os EUA.

Não é puxa-saquismo: é, como acredita Bolsonaro, um toma-lá-dá-cá.

A GRANDE DÚVIDA

E não é só Bolsonaro que pensa assim: há uma boa parcela do eleitorado que o chama de Mito e está disposta a trabalhar por sua reeleição. Acreditam nele. A dúvida é outra: para raciocinar assim, qual será a cloroquina que Bolsonaro e seus assessores andam tomando?

CHOVE, CHUVA

Um bom exemplo de como estão as coisas foi a visita de Bolsonaro ao Pantanal. O ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Ramos, que deixou o comando militar do Sudeste ao ser chamado para o Governo, foi iluminado pela Verdade: Bolsonaro visitou a região no dia 18, no dia 19 choveu. "Deus está com nosso Pres", disse no Twitter, "e continuará a abençoar o Brasil, em que pese todas as campanhas contra esse governo!"

Sou caipira. Sei que nos meses com "r" é mais provável que chova, nos meses sem "r" é mais provável que não chova. Estamos em setembro, que tem "r". O general não tem nada de caipira: é carioca. Mas bem que podia saber, como general, que chover em setembro não é milagre, já que é época de chuva. Milagre seria se do céu viesse o maná, alimentando os mais pobres.

O TEMPO VOA

Luciano Huck finalmente assumiu (mais ou menos). Embora não o tenha dito diretamente, quando lhe perguntaram se participaria da eleição de 2022, respondeu: "Estou aqui". Huck participava da reunião do Cops, Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo. Mas sua ambição no momento, disse, é "mobilizar, liderar e fomentar uma geração", de tal maneira que pessoas mais qualificadas e interessadas entrem na política. Seu país dos sonhos é o que consiga o desenvolvimento sustentável, uma nação agroindustrial verde. A seu ver, esse objetivo já atrai investimentos.

GUERRA À CULTURA

O cineasta sudanês Hajooj Kuka e quatro outros artistas foram presos no Sudão, por "causar incômodo público". Kuka é membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e seu trabalho é internacionalmente elogiado. O Festival de Berlim (Berlinale) pediu ao Sudão que liberte os artistas. Kuka nasceu no Sudão, estudou no Líbano e nos EUA; mora no Sudão. Seu filme "Beats of the Antonov" sobre guerra, música e a resiliência do povo do Nilo Azul e das Montanhas Nuba ganhou o People's Choice Award no Festival de Toronto em 2014, mais seis outros prêmios em festivais. Seu primeiro filme narrativo de longa metragem, AKasha, foi financiado pelo Fundo de Cinema da Berlinale e participou do Festival de Veneza de 2018. Em 20 anos, foi o primeiro filme a ser feito no Sudão.
Herculano
23/09/2020 06:47
NA ONU, BOLSONARO FEZ DISCURSO DE VEREADOR EM CAÇAMBA DE CAMINHÃO, por Elio Gaspari, nos jornais O Globo e Folha de S. Paulo

Retórica defensiva do presidente indica mudança de ares no Planalto

Jair Bolsonaro abriu os debates da Assembleia Geral da ONU com um discurso de vereador em caçamba de caminhão. Defensivo, com momentos de delírio, viu-se "vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal".

Faz tempo, quando um oficial brasileiro perguntou ao general americano Vernon Walters quais eram os interesses do Estados Unidos na Amazônia, ele respondeu: "A Amazônia, é de vocês, cuidem dela". Walters conhecia o Brasil como poucos, chegou a percorrer de carro a rodovia Belém-Brasília.

As imagens de satélites e as fotografias da floresta mostram que não se está cuidando direito da Amazônia. Bolsonaro, contudo, estava na sua realidade paralela. Falou mal dos outros, bem de si, de seu governo e reclamou do preço da cloroquina.

A retórica dos agrotrogloditas encurralou Bolsonaro e hoje o setor moderno do agronegócio faz o possível para se afastar dele. Afinal, já houve épocas em que o governo brasileiro viu-se em posições canhestras no cenário internacional, mas d. Pedro 2º nunca saiu pela Europa defendendo a escravidão. Astuto, enquanto pode, fechou o acesso dos estrangeiros à navegação na Amazônia. Fez muito bem, pois alguns burocratas americanos pensaram na possibilidade de mandar para lá seus negros. Esse foi um tempo em que o andar de cima nacional mamava no atraso mas fingia que era inglês. Pela primeira vez, desde a chegada das caravelas portuguesas, o governo brasileiro está orgulhosamente apenso à agenda do atraso.

A fala de Bolsonaro foi antecedida por um pronunciamento do ministro-general Augusto Heleno que denunciou "nações, entidades e personalidades estrangeiras" com um "interesse oculto mas evidente" de "derrubar o governo Bolsonaro".

A retórica defensiva de Bolsonaro para a ONU e a denúncia de Heleno indicam que houve uma mudança de ares no Planalto. Em maio o capitão via-se desafiado pelo Judiciário e dizia que "vou intervir". Como e onde, nunca se soube, mas, na mesma linha, o general havia condenado uma iniciativa que "poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional". No "vou intervir" estava implícita a ideia de que Bolsonaro dispunha de uma retaguarda, mas ela lhe faltou e as "consequências imprevisíveis" ficaram momentaneamente no campo da fantasia. Naqueles dias os mortos pela Covid eram 18 mil. Hoje são mais de 130 mil.

Ao contrário do que pensam o general Heleno e almas inquietas do Planalto, não há ninguém querendo "derrubar o governo Bolsonaro". O presidente tem contas a ajustar com o Judiciário por coisas que aconteceram antes de sua investidura e, ainda assim, seria exagero acreditar que desemboquem num impedimento. O verdadeiro jogo está na busca obsessiva pela reeleição e nisso pouco influirão "nações, entidades e personalidades estrangeiras". Tudo dependerá do desempenho do governo. Bolsonaro viu esse risco nos primeiros momentos da pandemia. Em março ele dizia: "Se a economia afundar, afunda o Brasil. E qual o interesse dessas lideranças políticas? Se acabar economia, acaba qualquer governo. Acaba o meu governo. É uma luta de poder".

Luta-se pelo poder. Em maio, no ataque. Em setembro, na defesa.
Miguel José Teixeira
22/09/2020 18:22
Senhores,

Leigo, laico & vendilhão

"Na ONU, Bolsonaro faz apelo pelo "combate à cristofobia"

Em discurso gravado para a Assembleia Geral da ONU, Jair Bolsonaro disse que "a liberdade é o bem maior da humanidade".

Em seguida, ele pediu apoio para combater o que chamou de "cristofobia".

"Faço um apelo a toda a comunidade internacional pela liberdade religiosa e pelo combate à cristofobia."

Antes de concluir a sua fala, o presidente afirmou que "o Brasil é um país cristão e conservador e tem na família sua base" (O Antagonista).

Huuummm. . .o Brasil é um país cristão". . .

Eu tenho uma amiga no Maranhão, a GIG (adora saborear manga com pimenta), me garante que o Brasil é um país "leigo".

Bom GIGI, leigo é o capitão zero-zero que misturou alhos com bugalhos e criou a "Cristofobia".

"O Estado Brasileiro é laico/secular, isso, teoricamente, prega a desagregação da religião e seus valores sobre os atos governamentais. Em uma democracia, a pluralidade de crenças e valores é incalculável, justamente por pousar sobre a liberdade."
Leiam mais sobre "O princípio da laicidade na Constituição Federal de 1988" em:
https://www.justificando.com/2019/02/14/o-principio-da-laicidade-na-constituicao-federal-de-1988/

Matutando bem. . .

Será que, "cri$tofobia" é o comercio de palavras bíblicas isento de impostos?

Sei não. . .melhor perguntar lá no posto ipiranga!
Miguel José Teixeira
22/09/2020 17:20
Senhores,

Ex-presidiário em campanha

..."Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o PT do ex-presidente Lula apresentou seu plano de reconstrução do Brasil, com a presidente do partido, Gleisi Hoffmann, lançando a ideia de que eleições, para serem democráticas, têm que ter a participação do ex-presidente." (CB, hoje, Brasília-DF)

Pois é. . .a catinga dos pelegos saindo pelas grades!

Miguel José Teixeira
22/09/2020 16:58
Senhores,

Matutando bem. . .

Bastou o "capitão nuvem-negra" deixar o País e a chuva voltar!

Em Brasília onde dez é nove horas. . .após 119 dias de estiagem, ondas de calor e baixa umidade do ar, a cidade respira com alívio.
Herculano
22/09/2020 15:03
da série: tudo avança com a mais eficaz tecnologia, mas, o carimbador de papéis, conferente de assinaturas presenciais, ascensoristas e taquígrafos no serviço público com elevados salários não acabam

TSE DEVE TESTAR VOTO PELA INTERNET AINDA ESTE ANO

Conteúdo de O Antagonista. O TSE vai usar as eleições municipais de novembro para testar mecanismos que, no futuro, poderão permitir votações pela internet, a partir do celular, sem sair de casa, informa o Estadão.

O novo sistema não valerá para a disputa deste ano. A intenção da corte eleitoral, segundo o jornal paulistano, é ampliar a participação de eleitores e reduzir custos.

Um chamamento a empresas interessadas em apresentar modelos virtuais que poderiam vir a ser utilizados foi publicado nesta segunda, 21.

A ideia do TSE é distribuir estandes com sistemas experimentais, na votação de 15 de novembro, nas cidades de São Paulo, Curitiba e Valparaíso (GO).

Segundo o tribunal, os testes terão candidatos e partidos fictícios e não haverá compartilhamento de dados eleitorais com as empresas que se oferecerem para apresentar suas tecnologias.
Herculano
22/09/2020 10:49
da série: o DTF governando

FUX SUSPENDE JULGAMENTO SOBRE VENDA DE REFINARIAS DA PETROBRÁS

Conteúdo de O Antagonista. O ministro Luiz Fux pediu e suspendeu o julgamento de um processo que discute se a Petrobras pode vender suas refinarias sem licitação e sem autorização do Congresso.

O caso estava no Plenário Virtual do STF já com três votos pela proibição da estatal de transformar as refinarias em subsidiárias para vendê-las direto no mercado, sem processo de concorrência.

Luiz Edson Fachin (relator), Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio haviam dito que a transformação das refinarias em subsidiárias é uma manobra do governo para estatizar pedaços de empresas sem passar pelo controle do Congresso, o que seria inconstitucional.

Hoje pela manhã, Fux pediu destaque no processo para que ele seja julgado no Plenário presencial, com a leitura de votos por todos. O julgamento estava marcado para terminar dia 25, mas agora não tem mais prazo.
Herculano
22/09/2020 10:40
da série: uma carta para suprir a falta de comunicação do governo com a sociedade na gestão de uma nova suposta política. Nada se falou sobre o enxugamento dos cargos comissionados e de ajeitamento políticos, por exemplo e que impulsiona o impeachment e move a velha política, como por exemplo, se vê em Gaspar atualmente. Estranho.

ASSESSORES DE MOISÉS ANTECIPAM O DESAGRAVO, por Roberto Azevedo, no Making of

O documento assinado por 46 integrantes do colegiado pleno e entregue a Carlos Moises da Silva na noite desta segunda (21), na Casa d'Agronômica, demonstra união da cúpula, eminentemente técnica, diante da real possibilidade de se concretizar o processo de impeachment do governador e da vice-governador Daniela Reinehr.

Há um conteúdo forte, um misto de indignação e desagravo, na referência ao movimento de políticos tradicionais em desfavor de Moisés e a manifestação clara de que medidas tomadas pelo governo, como o cancelamento de contratos e práticas, são o pano de fundo do movimento que começou na Assembleia e sugere a frase de que os atuais integrantes do Executivo não farão parte de "um governo que tenta nascer na estufa da impunidade e do desrespeito ao voto popular".

O que não está escrito na "Carta aberta aos Catarinenses" é uma outra reação que está sendo gestada fora da administração estadual: a de ampla divulgação de dossiês sobre atividades nada republicanas que atingem governos anteriores, capaz de atolar a política catarinense em um mar de lama sem precedentes e não poupar muitos patrocinadores, interessados e sócios do impeachment em curso.

DEVERAS

Usar a ameaça como arma é um jogo perigoso, no entanto servirá para alertar dos riscos, que vão da insegurança jurídica à repercussão negativa na recuperação do Estado pós-pandemia, uma das dúvidas que cercam o que virá depois do impeachment.

A paralisia da administração pública, neste momento, teria prejuízos imensuráveis à população, nada empolgada com a decisão da Assembleia, porém perigosamente alheia aos efeitos que enfrentará no pior cenário para Moisés e Daniela com um novo governo, seja nas mãos de Julio Garcia ou por um representante do movimento que prega a renúncia de governador e vice.

ALIÁS

A manifestação da juíza federal Janaína Cassol Machado, da 1ª Vara Federal de Florianópolis, na denúncia do MPF contra o deputado Julio Garcia e outras cinco pessoas na Operação Alcatraz, virou o maior ponto de expectativa da turma que defende a renúncia de Moisés e Daniela.

Para eles, um primeiro passo para afastar o hábil presidente da Assembleia da interinidade no governo.

NA ÍNTEGRA

Há pelo menos uma ausência considerável na carta entregue a Moisés, a assinatura do presidente da maior estatal catarinense, a Celesc, Cleicio Poleto Martins, volta e meio envolvido em polêmicas. Leia na íntegra o documento assinado pelos outros integrantes do governo:

"Carta aberta aos catarinenses

Sete em cada dez cidadãos catarinenses que leem esta carta agora fizeram uma opção em 28 de outubro de 2018. Eles indicaram o caminho desejado para Santa Catarina e escolheram o nome do governador e da vice-governadora para realizar essa missão: Carlos Moisés e Daniela Reinehr. Foram 2 milhões 664 mil e 179 votos pela mudança. E ela veio.

Ao revisar os contratos que haviam sido feitos com o Governo do Estado, foram economizados mais de R$ 360 milhões. Um deles, de telefonia, foi inclusive alvo de investigação da Polícia Federal e resultou no indiciamento por corrupção e lavagem de dinheiro de figuras políticas hoje denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF).

Santa Catarina é agora líder no país em eficiência da máquina pública, segundo o Ranking da Competitividade dos Estados. As contas públicas de Santa Catarina em 2019 foram aprovadas pelo Tribunal de Contas com a melhor avaliação em dez anos. Temos a menor taxa de desocupação do país, de acordo com o IBGE.

Atravessamos o pior momento da pandemia e conseguimos garantir que nenhum catarinense sofresse com a falta de um leito de UTI. Temos hoje a menor taxa de letalidade do país.

Mais de 35 mil novas empresas foram criadas apenas em 2020. Reabrimos a Ponte Hercílio Luz colocando um ponto final em um verdadeiro sangradouro de dinheiro público. Anunciamos mais de R$ 377 milhões para obras de infraestrutura, com recursos próprios, oriundos de economias feitas por esta gestão.

As promessas feitas aos catarinenses estão sendo cumpridas. E é justamente por isso que esse governo passou a ser atacado. Porque está provando que é possível desfazer contratos que traziam prejuízo aos cofres públicos. Contratos estes que, segundo o Ministério Público Federal, eram origem de propina que abastecia organizações criminosas.

Este governo não tem compromisso com o erro. Muito menos com conchavos. Não cedeu, não cede e nem cederá às pressões pela volta daqueles que se beneficiaram de atos de corrupção.

Este governo foi eleito pelos catarinenses para pôr fim a isto tudo. E é isto que está fazendo. Portanto, é visível que os beneficiários destes esquemas estão reagindo e tentando retomar o governo em uma virada de mesa.

Não conseguirão. O catarinense não aceitará que seu voto seja rasgado e que as antigas estruturas de poder, que ele quer ver banidas, retornem.

Se este desrespeito for consumado, e as portas do governo forem abertas para aqueles que representam o que os catarinenses rejeitaram nas urnas e rejeitam no dia a dia, saibam que não dividiremos espaço com eles. Os catarinenses já disseram que não os aceitam no governo.

Nós também não. Não faremos parte de um governo que tenta nascer na estufa da impunidade e do desrespeito ao voto popular.

Florianópolis, 21 de setembro de 2020.

Leandro Lima, secretário da Administração Prisional e Socioeducativa

Paulo Eli, secretário de Estado da Fazenda

Eduardo Machado, diretor-presidente do Badesc

Cristiano Socas da Silva, controlador-geral do Estado

Lucas Esmeraldino, secretário executivo da Articulação Nacional

Alisson de Bom de Souza, procurador-geral do Estado

André Motta Ribeiro, secretário da Saúde

Natalino Uggioni, secretário da Educação

Rudinei Floriano, presidente do Imetro

Naiara Augusto, secretária executiva de Integridade e Governança

Ricardo de Gôuvea, secretário da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural

Giovani Eduardo Adriano, perito-geral do IGP

Marcelo Panosso Mendonça, presidente do IPREV

Thiago Augusto Vieira, secretário da Infraestrutura e Mobilidade

Ricardo Miotto Ternus, secretário adjunto da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural

Celso Albuquerque, secretário executivo do Meio Ambiente

Fábio Zabot Holthausen, presidente da Fapesc

Rogerio Siqueira, secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável

Leandro "Mané" Ferrari, presidente da Santur

Roberta Maas dos Anjos, presidente da Casan

Edilene Steinwandter, presidente da Epagri

Fabiano Ramalho, presidente do Porto de São Francisco do Sul

Luis Antônio Braga Martins, diretor-presidente do Porto de Imbituba

Sandra Mara Pereira, diretora do Detran

Tânia Regina Hames, presidente da Fundação Escola de Administração Pública

Charles Alexandre Vieira, comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar

Michele Roncalio, secretária-adjunta da Fazenda

Luciane de Cássia Surdi, presidente Cidasc

Dilmar Baretta, reitor da Udesc

Rui Godinho da Mota, presidente da Fesporte

Aldo Baptista Neto, chefe da Defesa Civil

Paulo Koerich, presidente do Colegiado Superior de Segurança Pública e Perícia Oficial

Luiz Antônio Dacol, secretário da Administração

Vitor Correa, diretor do Escritório de Gestão de Projetos

Sérgio André Maliceski, presidente Ciasc

Enio Alberto Parmeggiani, presidente da SCPar

Gilson Lucas Bugs, presidente da Jucesc

Ana Lúcia Coutinho, presidente da FCC

José Ângelo di Foggi, diretor-presidente do Ceasa

Willian Anderson Lehmkuhl, presidente da SCGÁS,

Dionei Tonet, comandante-geral da Polícia Militar

Valdez Rodrigues Venâncio, presidente do IMA

Maria Elisa de Caro, secretária do Desenvolvimento Social

Juliano Chiodelli, secretário interino da Casa Civil

André Alves, chefe da Casa Militar

Márcio Ferreira, chefe de gabinete"

SIMULTÂNEO

Deputados estaduais e desembargadores do Tribunal de Justiça decidirão, no mesmo horário, 15h, nesta quarta (23), quem serão os cinco representantes de cada poder no Tribunal Misto que votará o processo de impeachment contra o governador e a vice.

Na Assembleia, quem se sentir impedido de votar deverá se manifestar antes da sessão, mas todos os 40 parlamentares terão direito a voto. No TJ, os 90 magistrados poderão ser escolhidos no sorteio. Os presidentes de cada órgão deverão se dar por impedidos nos processos de escolha.

ARGUMENTO

A manifestação do Conselho Superior do Ministério Público, que aceitou o recurso em notícia de fato, sobre possíveis irregularidades na equiparação dos salários dos procuradores do Estado com os da Assembleia, deu ânimo extra para quem acredita ser esta a única defesa de Moisés e Daniela no processo de impeachment.

Não é uma decisão judicial, apenas um retorno à análise do assunto, porém boa munição em tempos de guerra, para um lado e para outro, pois dará luz aos fatos.
Herculano
22/09/2020 07:53
POLÍTICA DO AVESSO, por Pablo Ortellado, professor do curso de gestão de políticas públicas da USP, é doutor em filosofia, no jornal Folha de S. Paulo.

Política ambiental de Bolsonaro faz sempre o oposto do que indicam a ciência e o bom senso

Os incêndios que podem ter destruído 15% do Pantanal tiveram origem em queimadas para fazer pasto - pelo menos é o que apontam as investigações da Polícia Federal.

Não são apenas a irresponsabilidade dos fazendeiros e a maior seca na região em 60 anos as causas dos incêndios. A atroz política ambiental do governo Bolsonaro é componente central do colapso ambiental, tanto na Amazônia como no Pantanal - não importa o que o presidente diga hoje na Assembleia-Geral da ONU.

Desde a campanha eleitoral, Bolsonaro não abraçou uma postura pró-mercado, pragmática, descuidada com a pauta ambiental - adotou uma postura abertamente antiambiental. Nessa matéria, como noutras, a ardorosa adesão às guerras culturais o tornou surdo às críticas e cego às consequências das ações.

Quando o desastre no Pantanal já não podia mais ser minimizado, Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, atribuíram os incêndios não às queimadas criminosas dos pecuaristas, que a PF agora investiga, mas a uma suposta redução da atividade pecuária na região.


A tese, conhecida como a do "boi-bombeiro", é a de que os bois consumiriam a vegetação seca acumulada, reduzindo o risco dos incêndios. O presidente e o ministro insistem na tese contra as evidências de que o aumento dos incêndios é acompanhado do aumento da pecuária - não da sua redução.

Salles também alega que os incêndios se devem não às queimadas, como as investigadas pela polícia, mas à excessiva regulamentação das queimadas, que impediria os fazendeiros de fazer o controle do excesso de vegetação seca, o chamado "fogo frio".

Em resumo, enquanto cientistas e especialistas orientam a reduzir a atividade pecuária e a controlar as queimadas na região, a política ambiental do presidente quer ampliar a atividade pecuária e desregulamentar ainda mais as queimadas.

Tudo com o nosso presidente está de trás para a frente, de pernas para o ar, é do avesso.

Como todas as ações do governo são orientadas pelas paranoias delirantes das guerras culturais, ele acredita que orientações de cientistas e de ONGs ambientalistas são informadas por planos secretos de conquista da Amazônia e que hiperpolitizados são os críticos. Ele, claro, é um capitão sensato - e um patriota.

Como não há esperança de fazer o presidente e seus ministros olharem para as evidências empíricas, tudo o que nos resta é torcer para que a péssima imagem ambiental do país atrapalhe as exportações e crie constrangimentos econômicos que ponham limite às maluquices ideologizadas da turma verde-oliva.
Herculano
22/09/2020 07:16
PERITOS: ACIDENTES PROVOCARAM FOGO NO PANTANAL, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

A crítica do ministro do GSI, general Augusto Heleno, sobre os motivos escusos envolvidos em acusações sobre incêndios no Pantanal encontra respaldo em peritos do Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional que analisaram queimadas no MT e MS. Análises revelaram que o governo foi "culpado" por curtos-circuitos em máquinas agrícolas, rompimento de cabos de alta tensão e acidentes de trânsito que iniciaram o fogo que, com clima seco, destruiu milhares de hectares.

TEMPO AO TEMPO

O aproveitamento político foi obtido no ano passado com a "Amazônia em chamas", que depois uma ONG reconheceu ter sido dentro da média.

NEM 8 NEM 80

Os peritos também encontraram evidências de incêndio iniciado pela "queima de raízes para o uso de fumaça a fim de retirar os favos de mel".

CEGUEIRA IDEOLóGICA

"Milhares de propriedades rurais no Pantanal e o fogo começou em 5 ou 6", disse a senadora Simone Tebet, ao criticar a "cegueira ideológica".

DIPLOMACIA DÁ O TOM DA FALA DE BOLSONARO NA ONU

O presidente Jair Bolsonaro já gravou o vídeo do discurso de abertura da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a ser exibido às 10h15 desta terça (22), no qual a linguagem diplomática será utilizada para citar avanços no combate a incêndios da Amazônia e lembrar que o Brasil é vítima dos interesses contrariados de rivais no agronegócio e de ONGs que perderam dinheiro e influência em seu governo. Também descreverá as respostas do País à crise da pandemia, como o auxílio emergencial que protegeu os mais pobres e ainda os fez sair da linha de pobreza.

RESPOSTAS

O discurso adota tom mais ameno que a fala do ministro Augusto Heleno (GSI), nesta segunda (21), mas não deixará críticas sem resposta.

ELOGIOS À DEMOCRACIA

Bolsonaro também vai se associar às críticas à ditadura venezuelana, reafirmando os compromissos do seu governo com a democracia.

VISTAS GROSSAS

Curiosamente, o recorde de focos de incêndio na região era de 2005, na era Lula, mas o governo petista jamais foi denominado de "incendiário".

ACENOS POLÍTICOS

O presidente fará acenos aos demais países, de olho na candidatura do Brasil a assento temporário no Conselho de Segurança, ano que vem.

GREVE INÚTIL

Após uma greve sem sentido, destinada a manter regalias como o vale-peru, os Correios saem ainda mais fragilizados e os funcionários, além da folga anual, com apenas 2,5% de reajuste.

ATIVISMO NO BOLSO

ONGs europeias e indígenas da Colômbia e Brasil, claramente a serviço de rivais do Brasil no agronegócio, pressionam supermercados da França, como o Casino, a "rastrear a carne ilegal que vende na América do Sul". O objetivo é inviabilizar o comércio, não ajudar o meio-ambiente.

DOIS LADOS DA MOEDA

O chanceler Ernesto Araújo comemorou a parceria e a nova cota de 310 mil toneladas de açúcar a ser exportado do Brasil aos EUA. O problema é o custo disso: importação a taxa zero de etanol podre, à base de milho.

É QUESTÃO PESSOAL?

Um dos líderes dos médicos peritos deu ontem, na Rádio Bandeirantes, uma pista sobre sua incansável hostilidade à cúpula atual do INSS: a mulher dele já não faz parte da direção a autarquia. Ah, bom.

GOLPE SEM FUTURO

O presidente do TRE-SP, desembargador Waldir Sebastião de Nuevo Campos Júnior, não acredita em eventual golpe de prefeitos que, mal nas pesquisas, decidam adiar a eleição alegando pandemia: "É a Justiça Eleitoral que define data de eleição", avisa.

CRÉDITO NO NORDESTE

O Ministério do Desenvolvimento Regional realizou 47,2 mil operações de crédito no Nordeste, desde abril, com pequenos empreendedores. O governo da Bahia, do petista Rui Costa, até parece aliado do governo Bolsonaro: levou R$319,1 milhões em 7.142 contratos.

REDUÇÃO DA MÁQUINA

A PEC 431 prevê economia de R$ 2,1 bilhões a cada quatro anos, com a redução do número de parlamentares federais e estaduais. O máximo de federais seria reduzido para 65 por estado, e estaduais a 86 por estado.

VER PARA CRER

O secretário de Previdência, Bruno Bianco, avisou: o governo determinou a reabertura do agendamento de perícias médicas do INSS e peritos médicos que não retornarem ao trabalho terão descontos nos salários.

PENSANDO BEM...

...passou da hora da iniciativa privada decretar greve e parar de bancar o estado.
Herculano
22/09/2020 07:09
TRIGO PODE SER A NOVA SOJA DA EMBRAPA E JÁ CHAMA A ATENÇÃO ATÉ DA COREIA DO NORTE, por Mauro Zafolon, na coluna Vaivém das Commodities

Além da tradicional região do cereal no Sul, plantio já se adapta no DF e começa a ganhar espaço na BA e no CE

A Embrapa deu início à escalada da soja há cinco décadas no Brasil. Hoje, o país é líder mundial na produção e na exportação desse produto.

Variedades e adaptabilidade aos diferentes microclimas e solos levaram a oleaginosa para todo o território nacional. É o que os pesquisadores querem agora com o trigo.

Há 14 anos na Embrapa Trigo e buscando, por meio de mudanças genéticas e adaptações, levar o plantio do cereal para todo o país, Osvaldo Vasconcellos Vieira, chefe da entidade, acredita que isso será possível.

Um dos pontos básicos para que isso se efetive, segundo ele, é seguir o milho. Dependente desse cereal até o início dos anos 2000, o Brasil passou a ser importante participante no cenário internacional.

O país ganhou o mercado externo com boa oferta de produto e com qualidade. Em 2019, o Brasil liderou as exportações mundiais do cereal.

O desenvolvimento do mercado externo para o trigo brasileiro abriria portas e necessidades de diversificação do produto. Ao seguir exigências internacionais, o padrão de produção melhora também no mercado interno.

O Brasil está apenas começando a trilhar esse caminho. Além da tradicional região de trigo no Sul, o plantio do cereal já se adapta bem na região do Distrito Federal e começa a ganhar espaço na Bahia e no Ceará. As pesquisas avançam também para as áreas de altitude do Piauí, do Maranhão, de Pernambuco e de Alagoas.

Ao dominar a tecnologia do trigo no cerrado, a Embrapa dá horizonte também para outros países com necessidades semelhantes.

O avanço do trigo está começando, mas já atrai a atenção de produtores e consumidores mundiais. Países africanos, como a Nigéria, já estão em contato com a empresa em busca dessa nova tecnologia.

O interesse pelo trigo e pela tecnologia brasileiros atinge países até pouco tempo inimagináveis nessa lista. Entre eles, a Coreia do Norte. O país quer experimentar a tecnologia brasileira com o trigo em seus campos de cultivo.

Vieira destaca também a qualidade que o produto brasileiro já atinge. Ela pode ser verificada, segundo ele, pelas compras dos Emirados Árabes, um importador extremamente exigente.

O Brasil é bastante dependente do trigo. Em geral, o volume importado supera o produzido. Neste ano, o consumo será de 12,5 milhões de toneladas, e a produção, de 6,8 milhões, segundo a Conab.

Vieira dá várias razões para que o país saia da dependência externa, atinja a autonomia e seja exportador líquido.

Área para o cultivo não falta. Ela pode chegar a 10 milhões de hectares. Os estados do Sul têm pelo menos mais 7 milhões que poderiam ser destinados à produção do cereal no inverno.

No cerrado, segundo ele, são mais 2,2 milhões de hectares disponíveis, com a possibilidade da ampliação dessa área com o avanço do melhoramento genético do produto.

Para Vieira, o país precisa seguir as diversas exigências do mercado, tanto as internas como as externas. Essas necessidades vão do trigo para pão e biscoitos até o para ração.

Surge uma nova demanda de ração para aves e suínos no Sul, onde se encaixa bem o triticale. Dependente cada vez mais do milho do Centro-Oeste, os estados do Sul podem substituir esse cereal pelo triticale na ração.

O trigo tem de ser produtivo, ter qualidade e gerar renda, segundo o pesquisador da Embrapa. Por isso, as pesquisas buscam cada vez mais dominar a brusone, uma doença típica nas culturas brasileiras, provocada por fungos que deixam os grãos chochos.

Uma das vantagens da lavoura brasileira, em relação à de outros produtores, é que o trigo brasileiro se desenvolve em um período próximo a 90 dias. Em outros países, são até 180 dias.

No Nordeste, a duração das lavouras é de 75 dias. Esse período reduzido faz com que produtores já façam experimentos para a obtenção de uma segunda safra no ano.

O clima do cerrado e do Nordeste pode reduzir também a micotoxina no trigo, provocada pelo fungos na fase de floração. Esses fungos aparecem no período de chuvas prolongadas e temperaturas altas.

A produtividade média brasileira é de 2.928 kg por hectare, de acordo com a Conab. No Paraná e no Rio Grande do Sul, maiores produtores nacionais, essa produtividade ficará em 2.950 kg nesta safra. No Nordeste, atingiu 5.700 kg, e, no Distrito Federal, 4.235 kg.

Algumas lavouras irrigadas já chegam a 8.500 kg no cerrado.?
Herculano
22/09/2020 07:04
PERGUNTA NECESSÁRIA

Em tempo de pandemia, os médicos peritos que se negam a olhar pobres, gente machucada social, física e emocionalmente no INSS por orientação sindical, com seus salários preservados pelos pesados impostos desses mesmos doentes e pobres, também não estão atendendo em seus consultórios, clínicas...?

Brasil, mostra a sua cara, de Agenor De Miranda Araujo Neto, George Alberto Heilborn Israel e Nilo Romero

Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra me convencer
A pagar sem ver toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me ofereceram nenhum cigarro
Fiquei na porta estacionando os carros
Não me elegeram chefe de nada
O meu cartão de crédito é uma navalha
Brasil, mostra a tua cara
Quero ver quem paga pra gente ficar assim
Brasil, qual é teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim
Não me convidaram pra essa festa pobre
Que os homens armaram pra meconvencer
Apagar sem ver toda essa droga
Que já vem malhada antes de eu nascer
Não me elegeram a garota do fantástico
Não me subornaram, será que é meu fim
Ver tv a cores na taba de um índio
Programada pra só dizer sim
Brasil mostra tua cara
Quero ver quem paga pra agente ficar assim
Brasil qual e teu negocio
O nome do teu sócio confie em mim.
Grande pátria desimportante
Em nenhum instante eu vou te trair
Brasil mostra a tua cara quero ver quem paga
Pra gente ficar assim.
Brasil, qual é teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim
Brasil mostra a tua cara quero ver quem paga
Pra gente ficar assim.
Brasil, qual é teu negócio
O nome do teu sócio
Confia em mim
O meu Brasil!
Herculano
22/09/2020 06:58
O PUS DO TIKTOK, por Nizan Guanaes, publicitário, no jornal Folha de S. Paulo

Google, Facebook, WhatsApp, Instagram são o rosto e o furúnculo desta sociedade

Eu adoro ficar vendo o TikTok. É uma meditação escatológica. Uma espécie de No Think Tank. É também um lugar muito criativo em linguagem. As pessoas ali são videomakers e lançam formatos criativos, efeitos especiais, montagens inusitadas: uma plataforma aberta com mais de 700 milhões de usuários e crescendo loucamente desde a pandemia, como tudo que é digital.

Não dá para alguém que trabalhe com comunicação, bens de consumo, vendas, ignorar aquilo. Principalmente para atingir um público jovem, de 30 anos para baixo.

Por isso marcas tão distintas como Prada e P&G estão investindo muito na plataforma, e a um custo menor que nas outras redes.

TikTok é como novela, música sertaneja, livro do Ken Follett: não é cool falar que você gosta, mas é um fato. Você não pode ignorar uma empresa que Walmart e Microsoft queriam comprar e que provoca tanta tensão entre os governos dos Estados Unidos e da China.

Mas, ao mesmo tempo que o TikTok é tudo isso, ele também é o politicamente incorreto, a grosseria, a afronta, o mau gosto, a ostentação patética num mundo que passa fome. O mundo vive um politicamente correto às raias da paranoia, e nos grupos de WhatsApp e no TikTok ele não é nada disso: ele é o oposto.

Uma coisa comum no TikTok são pessoas espremendo pus. Repito: espremendo pus, pipocando tumores, tirando cravos e espinhas...

Se está lá em série, é porque tem audiência, é porque as pessoas gostam de ver e de espremer. Isso é pauta para o Contardo Calligaris. Eu não tenho repertório para dizer o que é isso na cabeça das pessoas.

Mas posso dizer que é uma plataforma de comunicação de alto impacto e penetração, com seus prós e contras.

Ligados em redes (viciados em redes) impulsionadas pela pandemia, nunca vivemos tão sós. Trancados no quarto, na mente, aumentado as taxas de suicídio. Muitas pessoas são lovers de odiar e haters de si mesma.

O que é o pus? O pus é a desigualdade, o liberalismo sem limite, o socialismo desencantado e sem utopia.

O pus é o consumo compulsivo, um punhado de caras terem mais dinheiro que o resto da humanidade. O pus é o "burnout". Ele é o efeito colateral da tecnologia tão bem mostrado no "Dilema das Redes", na Netflix.

Este é um tempo de pus. Mas é também primavera, estação de coisas lindas no ciclo da vida. Google, Facebook, WhatsApp, Instagram nos possibilitaram coisas lindas e merecem, cada um deles, o Prêmio Nobel pelo bem que fazem. Mas merecem também limites para conter o mal que fazem.

Eles são o rosto dessa sociedade e a espinha, o furúnculo desta sociedade. Por isso jornalismo, arte, política de alto nível, educação, filosofia, pensadores nunca foram tão necessários para contrapor conteúdo de qualidade nessa gangorra. Não dá para viver só por Zoom e pelo Instagram.

Este é o mês da saúde mental, da prevenção do suicídio. O pus é a doença mental das redes, que transformam seguidores em perseguidores. Mas nelas está também o maravilhoso Tadashi Kadomoto, ajudando a cada manhã 25 mil pessoas a meditar juntas, mesmo separadas.

E nós, da elite deste país, não podemos ficar na redoma de nossas bolhas privilegiadas sem participar desse debate, nem deixar nossos filhos e netos nas mãos dos tiktoks. "Menino, sai dessa televisão", gritava minha mãe.

Mais leitura. Mais música. Mais filme, teatro, esporte, utopia. Menos live e mais life.

Vamos espremer o pus deste mundo lindo e voltar ao seu projeto original antes que o vírus da mudança climática e da desigualdade mate todos nós.

No mês da prevenção do suicídio, vamos juntos lutar contra o suicídio deste planeta cheio de tiques e de toques.
Miguel José Teixeira
21/09/2020 18:56
Senhores,

A múmia sai da tumba

"Gleisi diz que PT quer mostrar que existe" (O Antagonista).

Huuummm. . .será que vão abrir suas contas em paraísos fiscais?
Herculano
21/09/2020 16:33
JUSTIÇA MANDA TWITTER APAGAR POST DE BOLSONARO

Conteúdo de O Antagonista. A Justiça do Rio mandou o Twitter apagar um post de Jair Bolsonaro em que ele usou trecho do documentário "O Processo" sem autorização. A sentença, da juíza Maria Cristina de Brito Lima, da 4ª Vara Empresarial, também proíbe o presidente de usar qualquer trecho de qualquer filme da diretora, Maria Augusta Ramos, ou pagará multa de R$ 10 mil por dia.

Caso descumpra a decisão, o Twitter poderá responder por danos morais, segundo a decisão, assinada ontem e publicada hoje.

O post, de julho do ano passado, ainda está no ar. Nele, Bolsonaro reproduziu um trecho do documentário dizendo se tratar de uma reunião do Foro de São Paulo.
Miguel José Teixeira
21/09/2020 16:28
Senhores

+ "boquinhas" & "rachadjinhas" à vista!

"Reforma administrativa: cargos comissionados, que superam 12 mil, estão na mira de parlamentares" (O Globo).

Nós burros-de-cargas, conhecemos a gula dos parlamentares.

Portanto, preparemo-nos então, para a multiplicação dos cargos comissionados.
Herculano
21/09/2020 16:26
A INFLAÇÃO DO TIJOLO E DO ARROZ TENDE A PASSAR, TAMBÉM POR UM MOTIVO RUIM, por Vinicius Torres Freire, no jornal Folha de S. Paulo

Carestia será atenuada pela redução da renda dos mais pobres, com corte no auxílio

Tijolo, tintas, tubos e conexões ficaram bem mais caros na epidemia, além do arroz, do feijão, do ovo, do frango e do óleo de soja. São carestias diferentes, mas são o assunto da vida dura e real.

Varejo e grandes construtoras reclamam dos preços e da falta de produtos no prazo desejado. Vai passar, em parte boa notícia, em parte, não.

A alta do consumo de comida e de materiais de construção revela, como se ainda fosse preciso, a barbaridade da distribuição de renda no Brasil. Um tico mais de dinheiro na mão do povo causa bafafá. Quando acabar o auxílio emergencial, como vai ser?

Falta produto porque houve parada na produção na pandemia e porque o mercado de construção "formiga" esquentou, tudo óbvio. Houve forte redução de estoques na economia inteira, o que ficou evidente nos dados do PIB do segundo trimestre. O consumo de certos itens de resto explodiu a partir de maio, com o auxílio emergencial. A produção volta lentamente, no caso de materiais típicos da construção civil.


Apenas neste ano, até agosto, o preço médio do tijolo aumentou 17%. O das tintas, 6%. O do cimento, 11%. A inflação média, medida pelo IPCA, está em 0,7% neste 2020. Nem todo material para obras ficou mais caro, porém. O Custo Unitário Básico (CUB), o preço médio de fazer uma casa, por assim dizer, aumentou 2,9% em um ano, na média brasileira (ante 2,1% do IPCA em 12 meses), dados até junho. O preço da mão de obra para reformas ficou estagnado neste ano.

De modo geral, as vendas no varejo de material de construção subiram bem, em particular desde maio. No ano, já superam em 1,9% as do mesmo período de 2020 (mesmo assim, um crescimento fraco. A esta altura do ano passado, a alta nas vendas era de 4,5%). No varejo em geral, o faturamento ainda cai 1,8%.

A produção de materiais de construção ainda apanha muito, caindo 8,5% no ano, um pouco menos do que a indústria de transformação em geral (que cai 10,6%). O resultado é inflação, pontos de distribuição com pouco produto, atrasos na entrega. Não tem surpresa aí. Tende a passar.

Segundo os produtores de material, não houve destruição notável de empresas, embora as firmas estejam endividadas. Com a retomada da produção, ainda complicada pela epidemia e pela falta de matérias-primas, essa desordem no mercado será passageira, mas difícil. Os fabricantes dizem que, sem mais acidentes, a coisa volta ao normal pelo fim do ano.

Mais deprimente é que o problema será atenuado pela redução da renda dos mais pobres. O auxílio emergencial mais do que cobriu a perda total de rendimentos do trabalho (da "massa de rendimentos") na pandemia e beneficiou especialmente quem ganhava pouco ou nada. Os auxílios de renda chegam a 44% dos domicílios, segundo o IBGE.

Com o fim do pagamento do auxílio emergencial, talvez a massa de rendimentos não caia muito lá pelo início de 2021, especulam economistas, com otimismo exagerado. Esse corte em parte será compensado por alguma recuperação do emprego e pelo gasto do dinheiro poupado na pandemia.

Mas a volta do emprego dos pobres será muito lerda e precária, até porque se empregam em pequenos serviços, que dependem da normalização na vida das cidades, que vai demorar. Além do mais, a retenção do consumo (o aumento da poupança) deve ter ocorrido entre os mais ricos.

A recuperação que houver em 2021, além de parcial, será desbalanceada, em desfavor dos miúdos e miseráveis, para variar. As carestias, do arroz ou do tijolo, devem passar também pelo pior dos motivos.
Sérgio
21/09/2020 13:04
Como um prefeito e um engenheiro deixam tampar uma nascente de água pra deixar construir uma loja a qualquer custo
Herculano
21/09/2020 12:12
OS INTERESSES POR TRÁS DA IDEIA DE RENÚNCIA, por Roberto Azevedo, no Making of

Assim como não se observou nenhuma manifestação pública ostensiva pela acachapante decisão da maioria em admitir o impeachment de Carlos Moisés da Silva (PSL) e de Daniela Reinehr (sem partido) fora do ambiente político nem se viu deputados transformados em heróis, propor que governador e vice renunciem ao cargo antes de iniciado o Tribunal Misto consiste em outro estratagema pouco confiável.

A ideia mais clássica seria a de que a saída antecipada de Moisés e Daniela serviria para abrir espaço para nova eleição direta por não ter sido completado metade do mandato à frente da administração estadual, contudo encaminharia, antes de mais nada, o deputado Julio Garcia, entusiasta do afastamento por impeachment, à interinidade.

A tese vem bem encomendada por grupos, como o do ex-deputado Gelson Merisio, entre outros, que querem transformar o festival de insultos e destemperos revelados por alguns parlamentares, durante a votação na última quinta (17), em assunto superado em nome do civismo de propor nova escolha livre do eleitor para evitar a escolha indireta, pelos 40 deputados, a partir de janeiro de 2021.

Renunciar nesta fase do processo significaria duplo prejuízo para governador e vice, pois a análise prosseguiria por parte de desembargadores do Tribunal de Justiça e deputados estaduais independentemente do desembarque antecipado, algo que ficou consagrado no impeachment do então presidente Fernando Afonso Collor de Mello (PRN à época), em 1992.

NO TJ

Nem tudo é pacífico na formação do tal Tribunal Misto que julgará Moisés e Daniela.

O presidente Ricardo Roesler terá que decidir quem pode participar do sorteio das cinco vagas: os 91 desembargadores ou os 25 do órgão Especial.

E NA ASSEMBLEIA

O critério para escolha dos que poderão ser votados para compor a mesma Comissão Julgadora também traz dúvidas.

Prevalecerá o princípio da proporcionalidade, inclusive em função dos poucos votos favoráveis ao governador e à vice em plenário, ou valerá a ditadura dos líderes de bancadas.

E AGORA?

O ridículo espetáculo propiciado por boa parte dos deputados é o que oscila entre o sarcasmo e a hipocrisia em declarar que nenhum queria estar por decidir o futuro de um governador e de uma vice, a primeira mulher na história ser eleita por voto direito no Estado, e que este é um momento triste.

Saibam que o eleitor, assim como a sociedade como um todo, sabe diferenciar o que é justo e absolutamente verdadeiro e o que atende a interesses escusos, bem traduzidos no que alguns parlamentares disseram de maneira raivosa e desrespeitosa ou divulgaram nas redes sociais.

VERDADEIRO

Difícil é imaginar que a votação na Assembleia, uma saraivada de votos contra Moisés e Daniela, rendeu dividendos eleitorais para alguém, nesta eleição de 15 de novembro ou na próxima daqui a dois anos.

Não ignorem a infalível "maldição do impeachment", que não poupou o deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB-RS à época), que acabou cassado depois de despachar Collor por uma acusação em que foi inocentado anos depois, ou Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso por corrupção depois de aceitar o pedido contra Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Em Santa Catarina, a repercussão foi mais branda porque o impeachment contra o ex-governador Paulo Afonso Vieira (MDB), em 1997, não passou da admissibilidade, mas muitas biografias definharam depois do episódio.

QUE HORROR

A catarse dos bolsonaristas-conservadores, representados pelos deputados Ana Caroline Campagnolo e Jessé Lopes, ambos do PSL, contra Moisés e Daniela incluem posições que demonstram o ódio alimentado contra os detentores do mandato, muito mais do que qualquer desavença política e ideológica.

Além de uma linha do tempo que eles traçaram em plenário, Campagnolo sobre Daniela e Jessé sobre Moisés, até a falta de resposta sobre um whatsapp disparado e a insistência de traição ao presidente Jair Bolsonaro constam como motivo do impeachment, o que aparentou briga de vizinho.

MUDEM O DISCO OU O PEN DRIVE

E ainda ouvimos deputados reclamarem das medidas de combate ao Coronavírus pelo governo do Estado, como se os parlamentares desconhecessem as verdadeiras tragédias humanas em outros estados da federação ou países em que valeram as empíricas defesas deles.

Se é para atrair o voto ou angariar a simpatia de quem foi prejudicado economicamente, e foram muitos, era bom darem uma olhada na estatística, que só, neste domingo (20), confirmou 2.639 mortes em Santa Catarina pela Covid-19.

CAMPANHA

Transformou-se em uma campanha a repercussão sobre a denúncia do Ministério Público Federal entregue à Justiça Federal contra o deputado Julio Garcia (PSD), presidente da Assembleia, por corrupção em função das investigações da Polícia Federal na Operação Alcatraz.

O assunto, capa quase que permanente das principais publicações do país, ganhou espaço na imprensa além-mar, em Portugal, onde o Diário de Notícias (DN) aproveitou o fato, nada abonador para o parlamentar e para o Estado, para nos informar que lavagem de dinheiro no jargão jurídico lusitano é branqueamento de capitais. Deveras!

DE LONGE

Teve deputado que retirou de seu perfil nas redes sociais as fotos tiradas com o presidente Julio Garcia, logo após encerrada a votação na Assembleia, em função das centenas de comentários desabonadores.

Melhor levar a sério esta campanha de difamação, pois já tem muitos maior repercussão do que o resultado em plenário pela continuidade do processo de impeachment, já que, só no site da Veja, que possuí mais de oito milhões de eleitores, a reportagem sobre as acusações contra Julio chegaram a ser o segundo assunto mais lido.

ALGUMAS COBRANÇAS

Boa parte das pessoas não deve esquecer que Julio Garcia tem direito amplo de defesa e que os ataques também são reações políticas à causa que ele abraçou contra Moisés e Daniela, não foi condenado.

Porém, há muita cobrança nas redes socias e nas conversas informais sobre o que a Assembleia fará, em termos de atuação, se o presidente da casa virar réu, sempre acompanhadas de duas afirmações fortes: a bancada do MDB esqueceu o que fizeram contra Paulo Afonso no impeachment e contra Romildo Titon, afastado do comando do Legislativo quando era apenas investigado na Operação Fundo do Poço; e a bancada do PT perdeu o discurso de que Dilma foi retirada do governo sem ter cometido crime de responsabilidade.

FATO

Muito antes de começar a votação em plenário, os advogados do Marcos Fey Probst e Ana Cristina Blasi já sabiam que o resultado seria contrário ao governador e a vice, e estabeleceram um marco para esta previsão: a decisão do PT em votar em bloco pela admissibilidade.

Agora, trabalham pela versão técnica no Tribunal Misto, onde tentarão evitar os dois terços dos votos para confirmar o impeachment. Em caso de empate, a votação será por maioria simples. Para pensar: não existe tribunal onde se considere justo antecipar o resultado, movido seja lá por que causa ou ambição for.
Herculano
21/09/2020 11:53
A LEI DE PROTEÇÃO DADOS E AS ELEIÇõES, por Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, no jornal Folha de S. Paulo

O uso e abuso de mensagens por WhatsApp poderá configurar-se infração à LGPD

Depois de um dos mais conturbados processos legislativos da história, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) entrou finalmente em vigência, na sexta-feira (18).

Para quem não acompanha o assunto, trata-se de uma lei abrangente que cria novos direitos e deveres relacionados a qualquer tipo de uso de dados.

É uma lei tão importante quanto foi o Código de Defesa do Consumidor no início dos anos 1990. Hoje, para a maioria das pessoas, é impensável comprar um produto defeituoso e a loja se recusar a trocar.

Pois bem, a LGPD terá um impacto similar. Ela permite que os titulares de dados (todos nós) possam pedir para retificá-los, revelar quais informações existem a seu respeito e também solicitar que a análise deles pare de ser realizada.

O termo geral não está no nome da lei por acaso. Toda e qualquer pessoa física e jurídica que utilize dados pessoais de alguma forma deve obedecer. Isso inclui não só empresas mas também governos, órgãos públicos, partidos políticos e os próprios candidatos. O impacto para as eleições de 2021 no Brasil será imediato e relevante.

Nos últimos anos, muitos foram os escândalos relacionados ao uso indevido e abuso de dados de eleitores no processo eleitoral. Com a entrada em vigência da LGPD no Brasil, há a possibilidade de mudanças significativas nas campanhas.

Pelos termos da lei, o candidato e seu partido são considerados controladores com relação a quaisquer dados que utilizarem. As empresas contratadas pelos partidos e candidatos que usam dados em nome deles são consideradas operadoras.

Todos têm um ponto em comum: respondem com muitas de até R$ 50 milhões por infração à lei.

Por exemplo, para que partidos, candidatos ou empresas contratadas possam usar dados pessoais de eleitores, será necessário haver o consentimento livre, prévio e informado por parte de cada pessoa. Esse consentimento não pode ser implícito nem se pressupõe. É necessário que o eleitor efetivamente manifeste sua vontade (e haja prova disso) para que o dado seja usado.

Um exemplo prático são as listas de distribuição de WhatsApp. Se um partido possui o número de celular de um eleitor, isso é um dado pessoal. Para usar esse dado mandando uma mensagem, vale a regra acima: consentimento prévio.


O eleitor pode pedir aos partidos e candidatos que revelem as informações que têm sobre eles e solicitar que seus dados sejam deletados. Qualquer uso indevido abre as portas para punições como a mencionada acima.

É verdade que a lei 13.709 adiou para agosto de 2021 a aplicação das sanções administrativas da LGPD. No entanto, esse adiamento diz respeito especificamente a sanções realizadas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados, que ainda nem sequer foi criada.

Nada impede hoje que o Poder Judiciário aplique ele mesmo as sanções previstas na lei. Desse modo, partidos, candidatos e empresas por eles contratadas terão de repensar cuidadosamente sua política de dados.

O uso e abuso da distribuição de mensagens por WhatsApp que caracterizou as eleições passadas, neste ciclo eleitoral, poderá configurar-se não só como infração eleitoral mas também infração à LGPD.

READER
Já era
Achar que a LGPD não ia pegar no Brasil

Já é
Explosão de reclamações no site Reclame Aqui com relação a uso de indevido de dados

Já vem
Explosão de reclamações de eleitores com relação ao uso indevido de dados
Herculano
21/09/2020 11:53
da série: assim será em Gaspar, ou a escolha do prefeito Pedro Celso Zuchi, PT, não tem nada a ver com esta leitura de que o partido está fora de qualquer marola e que a onda é outra?


PT PODE ATÉ VIRAR 'COADJUVANTE' DO PSOL E PCdoB, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou nesta segunda-feira nos jornais brasileiros

O declínio eleitoral do Partido dos Trabalhadores chama atenção para o presidente do instituto Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo. Em 2016, o partido de Lula perdeu 60% das prefeituras que conquistou em 2012 e a expectativa para 2020 é ainda pior. "O PT tem tudo para virar coadjuvante do Psol e PCdoB, nos grandes centros urbanos", prevê Hidalgo. O exemplo mais óbvio é a candidatura de Guilherme Boulos a prefeito de São Paulo, com apoio do PT, que não terá candidato próprio.

NEM HADDAD

O único nome possível do PT em São Paulo é do ex-prefeito Fernando Haddad. Ainda assim ele aparece em 2º ou 3º colocado nas pesquisas.

A REGRA É COMPOR

Murilo Hidalgo cita outro exemplo: o atual prefeito de Belém do Pará, Edmilson Rodrigues (Psol), que já ganhou apoio do PT no início do ano.

NEM COM AJUDA

Em Salvador, até o candidato do PCdoB aparece à frente do candidato do PT, que é o partido do governador da Bahia, Rui Costa.

TENDÊNCIA: NANICO

O PT já não governa nenhuma das 100 maiores cidades do Brasil, incluindo as 26 capitais estaduais e o DF.

BOLSA FAMÍLIA DEVE PAGAR R$250 SOMENTE EM 2022

O relator do orçamento, senador Márcio Bittar (PSL-AC) em princípio tentou se esquivar, mas acabou admitindo que a tendência é fixar para 2021 o valor de R$200 mensais para o programa Bolsa Família ou seu sucedâneo. "Depois, quem sabe, seja possível chegar aos R$250 em 2022", disse ele. O problema, lembra o senador, é que o programa vai ganhar mais 8 milhões de pessoas "descobertas" na crise da pandemia.

DOBRANDO O CUSTO

Pagando R$200 mensais em 2021, o governo quase vai dobrar o custo atual do Bolsa Família, que passará a R$40 bilhões anuais.

COBERTOR CURTO

Para pagar R$300 mensais, como quer Bolsonaro, o programa custaria R$60 bilhões por ano. E o governo não tem todo esse dinheiro.

SOCORRO NECESSÁRIO

O valor do Bolsa Família seria maior não fosse a necessidade de incluir no programa 8 milhões de "invisíveis" que apareceram durante a crise.

MELHOR CALAR

Rodrigo Maia disse que a visita de Mike Pompeo (EUA) "afronta nossas tradições". Como se fosse inaceitável a visita do Secretário de Estado de uma nação amiga. Afronta as tradições a sua pretendida reeleição para presidente da Câmara na mesma Legislatura, vedada pela Constituição.

MARCA HISTóRICA

"É a maior operação de transferência de recursos para um programa social da nossa História", avalia o ministro Onyx Lorenzoni (Cidadania), sobre os R$ 200 bilhões pagos ao povão a título de auxílio emergencial.

POLÍCIA FEDERAL NELES

O ministro do GSI, general Heleno, acusou a ONG Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) de produzir site de fake news contra o Brasil, imputar crimes ambientais a Bolsonaro, além de apoiar campanhas internacionais de boicote a produtos brasileiros. Caso de polícia.

EVOLUÇÃO FORÇADA

Ajustes para adaptação de empresas à nova realidade imposta pela pandemia trouxeram soluções inovadoras. Estudo da Firjan mostra que o setor deve conseguir reduzir os custos com energia em até 41%.

CRÉDITO ANTIVÍRUS

Até a última semana, mais de R$2 bilhões em linhas de crédito contra a covid-19 foram contratados por pequenos comerciantes do Centro-Oeste, Norte e Nordeste, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional.

PRIVATIZAÇÃO É INCóGNITA

Para o advogado especialista em recuperação judicial Claudio Serpe, a privatização dos Correios é uma grande incógnita, pois "demandará um estudo amplo e com muito debate antes de ser colocada em prática".

TEMA DA SEMANA

Segundo o painel Bússola Covid-19, o deputado Osmar Terra (MDB-RS) foi o político que mais abordou o coronavírus nas redes sociais, semana passada. Mais que o dobro de Benedita da Silva (PT-RJ), em segundo.

PRIMEIRA LEVA

Projeto de Lei Orçamentária Anual, enviado ao Congresso pelo governo federal, prevê a contratação de mais de 53 mil pessoas por concurso público em 2021. Podem ser os primeiros após a reforma administrativa.

PENSANDO BEM...

...é bem possível que, este ano, até eleição acabe em pizza.
Herculano
21/09/2020 11:52
da série: antigamente você lia, ouvia, estudava e refletia para encontrar a sua própria opinião, respeitando a pluralidade. Hoje, você é rotulado e obrigado a adorar uma ideia, mesmo que não concorde com ela, apenas para não ser massacrado. Vergonha.

O POLITICAMENTE CORRETO É HOJE MÉTRICA DO MARKETING DIGITAL, A NOVA SOCIOLOGIA, por Luiz Felipe Pondé, filósofo e ensaísta, no jornal Folha de S. Paulo

A necessária submissão ao marketing é uma ferramenta de destruição da universidade privada

As universidades mergulham na irrelevância, transformando-se em ninhos de debates ridículos e mediocridade conglomerada. As grandes marcas acadêmicas buscam formas de enfrentar esse processo.

Talvez encontrem essas formas nas plataformas digitais e em criações mais autônomas dentro das próprias universidades, que privilegiem mais as inciativas ágeis em detrimento da política do quadro docente, sempre pobre de espírito, visando a criação de uma "nomenclatura" que sirva a si mesma dentro da instituição acadêmica.

A irrelevância da universidade tem várias causas. Uma delas é a gigantesca burocracia que serve a quadros humanos menos criativos e mais inerciais. Criada para aferir a produtividade, essa burocracia transforma a coordenação num grande conto do Kafka, agora, mergulhando a barata no fetiche do online.

Uma ferramenta destrutiva da universidade privada é a submissão necessária ao marketing: em breve, ele ditará toda forma de conteúdo. Acompanhar o modo como todos se submetem as opiniões da sua majestade, o seguidor, é humilhante. Na busca por fidelizar os pais, as universidades privadas prometem a estes que seus "filhes" serão "alunes" que criarão algoritmos que salvarão o mundo, abraçarão árvores e terão corações puros.

Já que citei a nova gramática fascista de gênero (um dos traços de todo processo totalitário é a "reforma" da língua), vamos a ela.

Recentemente, universidades tem renomeado espaços internos para servir à nova inquisição, que vai além do fascismo de gênero. Até o grande filósofo cético escocês David Hume, do século 18, um dos maiores filósofos ocidentais, foi cancelado em seu país natal. As universidades têm se tornado espaços de taras ideológicas, e isso as aproxima de igrejas fundamentalistas, formando jovens alienados nessas mesmas taras.

A praga do politicamente correto atravessou as fronteiras ideológicas. Só gente mal-informada acha que ele seja um traço apenas da esquerda. O politicamente correto é hoje uma métrica do marketing digital, a nova sociologia. O novo centro da política ideológica descolada.

Utilizemos a fórmula didática de esquerda x direita para deixar isso mais claro. Da centro-direita (amantes do mercado e da liberalização dos costumes dentro dos limites impostos pelas métricas do marketing digital) à centro-esquerda (a esquerda americana que está fazendo das universidades igrejas identitárias), todos rezam no altar do fascismo correto de gênero. A extrema direita se oferece, falsamente , como antídoto às igrejas identitárias, em troca de fazer de você um boçal reacionário terraplanista idiota.

A centro-esquerda, tendo perdido a verdadeira vocação da esquerda (destruir o capitalismo), passou a ser uma crítica de brinquedo ao mundo. Um teste definitivo pra você ver se uma crítica social é de brinquedo é ver se ela cabe na publicidade. Se couber, esqueça. Paulatinamente, os professores, pesquisadores e afins se transformam em repetidores de códigos ridículos tipo "querides alunes".

A esquerda deve buscar a Rússia do século 19 e início do 20 como referência para refletir sobre sua história, e não os modismos das universidades americanas. A partir do aparente impasse diante do modo de produção capitalista, a esquerda procurou novos mercados ideológicos. A esquerda de hoje é um fetiche do capitalismo cujo "cérebro" é Hollywood.

E a própria pandemia é hoje uma commodity e só vai acabar quando o capital deixar de vê-la como um ativo. Só bobos acham que o que está em jogo são vidas humanas. O susto passou.

A "reforma" da gramática introduzindo recursos como "e", "x" ou "@" como opção ao "o" e "a" é um sintoma claro do surto identitário histérico. Este é um dos riscos de irrelevância da universidade porque a transforma em geradora e reprodutora de um pseudodebate que serve pouco a um dos problemas centrais da modernidade: como responder à riqueza material indiscutível do capitalismo sem capitular diante da destruição do mundo cognitivo e afetivo levado a cabo pela submissão do pensamento ao marketing, agora, digital?

Deixe seu comentário


Seu e-mail não será divulgado.

Seu telefone não será divulgado.