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Olhando a Maré - Jornal Cruzeiro do Vale

Por Herculano Domício

21/08/2017

VEREADOR PAPAGAIO


Depois sou eu o crítico. O proprietário e editor do jornal Cruzeiro do Vale, Gilberto Schmitt, bem registrou na edição de sexta-feira na sua coluna Chumbo, uma das promessas do suplente de vereador, Joaquim Araldi, PRB, da região da Figueira, e que acabou de assumir na Câmara por um mês: “lutar contra as enchentes em Gaspar”, como se isso fosse possível.

Podemos até mitiga-la; podemos agir preventivamente, inclusive com legislação e fiscalização; podemos pressionar o poder público por ações protetivas ao patrimônio e à integridade dos cidadãos... (e não liberar sem estudos técnicos específicos áreas de riscos como querem alguns vereadores). Agora, lutar contra a natureza? Aí, já é outra coisa que nem na política partidária (e religiosa) é possível. O comentário e a charge montagem e publicada na coluna sobre o assunto já são suficientes e auto-explicativas. Não vou continuar no ato de espezinhar sobre o óbvio e o fato do suplente não ter assunto – entre milhares - mais concreto para prometer aos seus eleitores.

Mas, continuo em algo que bem reflete à fraca representatividade para grandes, complexos e difíceis problemas e soluções comunitárias, legislativas ou da gestão administrativa de Gaspar.

Se um vereador, representante do povo, num ambiente de cobras, não sabe se expressar, não sabe ele também, na minha avaliação, agir, como contrapor ou defender estruturadamente o seu ponto de vista a favor das suas ideias e dos eleitores que representa?
E na Câmara de Gaspar, basta assistir uma sessão para constatar que a coisa é crítica em alguns casos, apesar da renovação excepcional ocorrida lá. Não vou nominar ninguém, apenas para não gerar desconforto neste instante, mas há gente que nem ler sabe ou que não é capaz de construir um simples agradecimento, fazer uma saudação, sem ler o que alguém escreveu para ele (e ainda pronuncia ou lê errado).

E não falo da oratória, um dom, que nem eu possuo. Mas, falar, conversar, explicar com clareza e simplicidade é o mínimo que se espera de quem possui a representação pública, à liderança e à necessidade do convencimento.

Incrível.

Mas, há gente na Câmara de Gaspar que começa uma frase e não termina; não liga uma com a outra; não conclui, não tem pensamento e lógica. E olha que estamos em agosto, apesar das férias de janeiro e julho, além de ser apenas uma sessão por semana para se ter a prática e o traquejo ou perder a inibição (o que existe em qualquer um, inclusive os mais esclarecidos em qualquer assunto).

Teve gente na última sessão, por exemplo, e isso é recorrente, o que bem demonstra a falta de esclarecimento e assessoria, que “agradeceu a concessão da palavra ao presidente”, quando apresentou, o que neste caso, é obrigação do vereador, por imposição do rito e regimento interno, e não uma concessão do presidente, o relatório-parecer de um projeto de lei.

E mais. Há vereador que se orgulha, e manda fazer press release, de ter discursado na Câmara de Blumenau. Ele não sabe, ou finge não saber, que foi motivo de piada por lá, quando fez isso. Para alguns, o silêncio vale ouro e ainda não se descobriu o valor desse gesto. Não é à toa que a Câmara fez um curso de oratória para os seus, recentemente. Mas, quem deveria estar lá, não estava. Então...

Volto.

Aí se imagina quem faz e por se faz os pareceres das relatorias dos projetos, muitos deles, técnicos, embaraçosos até e inclusive para entendidos em leis; esperteza do Executivo. São todos embrulhados não pelos assessores, mas por interesses de outrem (Executivo, partidos, terceiros...).

Em uma única pergunta, eu provaria a qualquer um (e não teria o sentido da humilhação), que muitos daqueles pareceres, sofisticados, lidos, e às vezes incompreensíveis pela má leitura, não refletem o mínimo do entendimento do vereador na matéria de quem o lê e se diz autor daquilo. Beira ao ridículo e até ao crime.

Encerro

E eu não perguntaria nenhuma questão de entendimento do que ele leu (o que seria no mínimo plausível, afinal, em tese, ele estaria dando um parecer sobre a matéria mesmo que dela não tenha entendimento técnico e precise de ajuda técnica para embasá-la – eu sempre usei dessa ajuda e não é demérito para as minhas decisões e certezas), mas o significado de uma única palavra lida, entre tantas que proferiu no parecer.

Juro: o vereador leitor, além de não saber pronunciá-la, não sabe o seu significado. E no dicionário teria dificuldade em procurar no lugar certo. Acorda, Gaspar!

OS MEUS LEITORES


Na noite do dia 15, o Roberto Sombrio, do Distrito do Belchior, apareceu na área de comentários da coluna “Olhando a Maré”, a mais acessada do portal Cruzeiro do Vale para dizer: “sempre que critico as lambanças da prefeitura de Gaspar, principalmente na gestão do PT, cobravam para que eu me inscrevesse em um partido e concorresse a um cargo. Primeiro, não sou ladrão; segundo, não minto; terceiro, sou inteligente; logo, não preciso ser político”.

Vinte e quatro horas depois, o empresário Amadeu Paulo Mitterstein, do mesmo Distrito, que já foi vereador e continua ativo no diretório do PSDB daqui, passa-me um whattsapp: “desculpe-me, mas gostaria de questionar o Sr. Roberto Sombrio. Eu lamento que ele alega que todo político é ladrão. Eu gostaria que ele me esclareça onde e quanto, eu Amadeu roubei, pois já fui vereador por dois mandatos, candidato a vice-prefeito e sou filiado a partido político desde os anos 1990”.

Volto. Os dois têm razão, ao seu modo.

Político, hoje, possui um rótulo e faz muito pouco para desmanchar esse rótulo. Parece até proposital. Basta olhar o que acontece ao nosso redor. E não precisamos ir a Brasília ou Florianópolis. Basta ver bem aqui, em Gaspar e Ilhota. É só pegar o baú dos meus comentários. É só pegar os inquéritos abertos e principalmente, as Ações Civis Públicas que rolam na Comarca de origem no Ministério Público.

E Amadeu não é nenhum ingênuo, nas conversas que já tive com ele, reconhece, que há políticos cacos, cacos de políticos e políticos, como como Amadeu, os quais ainda acreditam que a política é um meio modificador da sociedade para melhorá-la.

E é esse rótulo do político caco, da gang, das tetas, do jogo, da organização criminosa, que afasta e contamina, injustamente, gente diferenciada como Amadeu, e até usada para esconder os maus políticos. Se Gaspar tivesse mais Amadeus, certamente o mundo político, Gaspar, seria outra, bem como o rótulo que se cola nos políticos de hoje. Acorda, Gaspar!

TRAPICHE


“O Brasil transformou a garantia fundamental do Habeas Corpus, na avacalhação geral do “Habeas Corruptus”, por Mário Sabino, de O Antagonista. É dele também: “Revogar a prisão de condenados em segunda instância, para livrar político bandido, é condenar a honestidade à prisão perpétua”.

Poesia. A falta de transparência da comunicação da Câmara de Gaspar – que susbtitui a propaganda deliberada - é assustadora. É assustador porque há uma obrigação judicial e ela é desdenhada a todo momento. Tudo tem truque. Está lá, mas achar... Navegar no seu site é algo para entendidos, quase rackers.

O site é uma peça de propaganda dos vereadores, essencialmente. Isto, sim é simples de acessar. Na hora, na cara. Agora a comunicação virtual da Câmara de Gaspar é muito mais. Veja o que apareceu no Instagram dela. “Ainda que chova, ainda que doa. Ainda que a distância corroa as horas do dia e caia a noite sem estrelas, o mundo brilha um pouquinho mais a cada vez que você sorri” (do chileno Pablo Neruda).

Não tem jeito. O vereador Ciro André Quintino, PMDB, informa que levou ao prefeito Kleber Edson Wan Dall, PMDB, o presidente da Associação dos Moradores do Loteamento das Casinhas de Plástico, que quer um terreno para a Associação.

Dois fatos. Este terreno, em tese, é do município, já existe, pois há uma emissão de posse, tanto que lá, além do loteamento sem infraestrutura, está construída uma escola e se arrasta por anos pela prefeitura, a construção de um simples postinho de saúde. Que terreno a prefeitura vai doar? O destinado à área verde?

A saúde pública de Gaspar está “mudando”. Muda gente, faz-se comissões, mas tudo continua como antes. A fila de crianças para exames diminuiu segundo um press release divulgado recentemente; como mostrei aqui, a fila terminou num lugar e começou noutro.

Agora, a queixa desse tipo de disfarce se abate sobre os exames pedidos pelos médicos nos postinhos. O paciente não leva mais para casa e sai por aí à procura de um lugar ou laboratório para fazê-lo, e retornar com o resultado ao médico no postinho.

O pedido de exame fica no próprio postinho, que se encarrega de marcá-lo numa espécie de regulação. Entretanto, na verdade, descobriu-se que tudo fica parado ou quem tem padrinho político, pode ter chance de levar vantagem. O caso foi parar na Câmara, na voz de Cícero Giovane Amaro, PSD.

Só depois dessa queixa que o pessoal da prefeitura começou a se coçar. E sabe a razão disso, onde uma boa ideia, transforma-se num problema? É que falta dinheiro público para os tais exames (mas não faltam milhões para o buraco do Hospital, que segundo o próprio Cícero, parece ser uma esponja a absorver recursos bons de outras áreas, não só da Saúde; já está raspando o taxo como informei anteriormente, mas de Obras e a de Esportes, por exemplo).

O líder do governo, Francisco Hostins Júnior, advogado, ex-secretário de Saúde do PT, e membro da comissão que se criou para dar um jeito nessa UTI em que está metida – por teimosia, erro e incapacidade - a Saúde Pública do governo de Kleber Edson Wan Dall, PMDB, alega que o governo Federal manda R$43 mil por mês para os exames, gasta-se R$63 mil, mas precisa algo em torno de R$80 mil por mês para colocar tudo em ordem.

Pode ser. Mas, ele como ex-secretário de Saúde sabe que a conta não é bem assim. Numa época de crise econômica, quando as pessoas estão com menos dinheiro, sem emprego e sem planos de saúde, elas correm para o serviço público. E isso, é o que o governo de Kleber não entendeu até agora, muito menos que a cidade é dormitório de Blumenau e Brusque.

Com muito menos dinheiro, os postinhos, policlínica e farmácia atende muito mais gente e eleitoras dos vereadores, do que os milhões que é obrigado a colocar no Hospital, cheio de problemas, com donos e claros interesses e enclaves corporativos.

A cada dia uma novidade para prolongar o problema. Agora, anunciou-se a contratação de um expert, Vilson Santin, que diz ter passado por muitos locais e dado conta do recado, inclusive o Hospital Santa Isabel, de 2005 a 2014, onde a instituição deficitária, passou ser superavitária.

Santin corre o sério risco de fechar o que dizem ser um currículo exemplar, se for co0nduzido por manhas do corpo clínico, vícios administrativos insuperáveis e a insuperável incapacidade de gestão dos políticos de Gaspar para o óbvio e o respeito aos técnicos das suas áreas de conhecimento.

Estão contratando mais um salvador da pátria, mas vão queimá-lo como já fizeram com outros administradores do Hospital de Gaspar. E por que? Porque o Hospital na pindaíba só dá prejuízo para a comunidade e agora com a intervenção, de forma obrigatória, a prefeitura que se sustenta dos pesados impostos dos gasparenses. Mas, tem gente lucrando com isso. E faz tempo.

Mais. Em artigo publicado na coluna de sexta-feira, mostrei que se não houver dinheiro para equilibrar as contas de um passado nebuloso e mal administrado do Hospital, não haverá saneamento financeiro. Um hospital não é um local de lucros, mas não de exageradas displicências como em Gaspar.

O líder do PMDB na Câmara é Francisco Solano Anhaia. Pegou gosto na política como cabo eleitoral de José Hilário Melato, PP. Foi militante fervoroso do PT. Agora, diz que está arrependido.

“Nós não podemos eleger Lula, presidente. Nós não precisamos de ditadura”. A ex-companheira de partido e luta, a ex-vice-prefeita, a vereadora, Mariluce Deschamps Rosa, PT, que antes fez um discurso contra o “golpista” Michel Temer, PMDB, ouviu. Mas, está inconformada. Aliás, quanto mais ela defende PT, Lula (Dilma, providencialmente escondeu) e Décio Neri de Lima, o dono do PT daqui, mais exposta fica não só com Anhaia, mas com Franciele Daiane Back, PSDB.

Giovânia de Sá, é a deputada Federal da vereadora adolescente, Franciele Daiane Back, PSDB.

Depois sou eu, o implicante. Na sexta-feira a coluna trouxe um comentário sob o título “A esmola santifica o doador”. Um chororô danado. Mostrei como os políticos preferem às migalhas permanente, às soluções. Na mesma sexta-feira, na imprensa era possível ler isso envolvendo os mesmos personagens do grupo de políticos do PMDB de Gaspar.

“O deputado Federal e o chefe de gabinete Jerry Comper, representando o deputado Estadual Aldo Schneider, estiveram participando da entrega de um Raio X para o Hospital Dom Bosco de Rio dos Cedros. O valor do equipamento é de R$ 200 mil e trata-se de recursos de emenda parlamentar do Deputado Peninha em reivindicação conjunta com o Deputado Aldo”. O Hospital de Gaspar, ganhou “kits”. Acorda, Gaspar!

Hoje a cobra vai fumar no PP e talvez selar o seu destino em Santa Catarina. Há uma disputa, não muito bem clara, pela presidência do partido: deputado Federal Esperidião Amim Helou Filho e o deputado estadual e presidente da Assembleia, Silvio Devereck.

E qual a razão da briga? O PSD quer Silvio para atrelar desde logo o PP ao projeto do ex-presidente Gelson Merísio, PSD, para ser cabeça de chapa nunca candidatura a governador no ano que vem. Amim, não quer esse atrelamento automático. Ameaça até sair do partido. Difícil vai ir para algum lugar sem causar danos.

 

Edição 1815

Comentários

Herculano
21/08/2017 12:00
GASTOS "JUDICIAIS" COM TRATAMENTO MÉDICO SOBEM 1.300% EM 7 ANOS

Conteúdo do jornal O Estado de S. Paulo. Texto de Fábio Fabrini e Lígia Formenti, da sucursal de Brasíulia. As despesas do Ministério da Saúde para cumprir decisões judiciais de compra de medicamentos e insumos para tratamentos médicos aumentaram 1.300% em sete anos, saindo de R$ 70 milhões em 2008 para R$ 1 bilhão em 2015. O orçamento tem sido afetado principalmente por remédios de alto custo, em alguns casos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que significa que não podem ser vendidos no Brasil e distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

As conclusões são de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que apresenta um panorama da chamada judicialização da saúde no País ?" quando o cidadão, não atendido pela saúde pública, busca apoio nos tribunais. O trabalho mostra que, de um total de R$ 2,7 bilhões gastos entre 2010 e 2015 pela pasta, por ordem de juízes, 54% correspondem à compra de apenas três medicamentos, demandados para o cuidado de pacientes com doenças raras. Trata-se do Naglazyme e do Elaprase, para o tratamento de mucopolissacaridoses (MPS), as enfermidades degenerativas; além do Soliris, usado contra a hemoglobinúria paroxística noturna (HPN) e a síndrome hemolítico urémico atípico (SHUa).

O Soliris, embora aceito nos Estados Unidos, não tinha registro na Anvisa até março deste ano. A compra desses remédios para um único paciente pode chegar a R$ 1 milhão por ano ?" cada dose custa R$ 21 mil.

Só que a vida do gerente administrativo Ricardo Ferreira de Souza, de 34 anos, mudou depois que ele começou a utilizar o medicamento Soliris. Diagnosticado com HPN ?" uma mutação genética que destrói os glóbulos vermelhos do sangue ?" em 2009, Souza tinha uma rotina de internações e transfusões de sangue até 2014, quando conseguiu o remédio após entrar na Justiça.

"Nem sei quantas vezes fiquei internado. Os médicos falavam que a única solução era a medicação. Entrei na Justiça em 2012 e adquiri o remédio em 2014. Isso mudou tanto a minha vida quanto da minha família. A gente voltou a ter esperança, porque eu só estava esperando a hora de partir, só esperava o pior." O gerente conta ainda que, neste ano, houve um atraso na entrega do remédio e ele acabou internado por uma semana. "Fiquei debilitado."

Estados. Outra conclusão da auditoria é que o fenômeno tem atingido mais os cofres dos Estados que os da União. Os governos estaduais apresentam bem menos fôlego para bancar essas despesas, que não são previstas nos repasses obrigatórios do governo federal. Em 2013 e 2014, por exemplo, as Secretarias de Saúde de São Paulo, Minas e Santa Catarina gastaram, juntas, R$ 1,5 bilhão, ante R$ 1,1 bilhão do ministério. O grosso dos recursos (80%) foi para a compra de medicamentos.

Em São Paulo, 10% do total das despesas com judicialização em 2014 foi com produtos sem registro da Anvisa. Quase um quinto dos gastos foi para a compra de remédios que já constavam na lista do Sistema Único de Saúde.

Perfil. O TCU ainda traçou um perfil dos processos. As ações são predominantemente individuais e têm taxa de sucesso alta. Os juízes, em geral, concedem antecipação de tutela aos autores sem pedir informações prévias às Secretarias de Saúde. A maioria das ordens é dada sem tomar como base normativas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ou o sistema criado pelo órgão para orientar magistrados. No Summit Saúde Brasil 2017, organizado pelo Estado na semana passada, o CNJ apresentou a ideia de criar um banco de 52 pareceres para orientar o Judiciário.

As causas envolvem geralmente valores acima de 40 salários mínimos. A maior parte é ajuizada por advogados, seguidos de perto por defensores públicos, aos quais recorrem cidadãos mais pobres. Atualmente, há milhares de processos suspensos, aguardando deliberação do Supremo Tribunal Federal (STF), que interrompeu julgamento para discutir em que situações o Estado tem o dever de fornecer o tratamento demandado. A Corte entendeu que as questões suscitadas em algumas ações têm repercussão geral, ou seja, a decisão a ser adotada vinculará todas as instâncias inferiores.

A auditoria do TCU identificou que, embora os gastos para atender ações judiciais tenha aumentado de forma expressiva, não houve, por parte do Ministério da Saúde, a criação de um controle administrativo para acompanhar as despesas. O problema também foi identificado em secretarias de Saúde selecionadas para fazer a análise.

O TCU observou, por exemplo, a ausência de rotinas de coleta, processamento e análise de dados que permitam dimensionar a judicialização. Auditores destacaram ainda a ausência de mecanismos para detecção de fraudes e duplicidade de pagamentos.

Ação. Diante dos resultados, o TCU recomendou ao Ministério da Saúde, por meio de acórdão aprovado na quarta-feira, a adoção de mecanismos que melhorem o acompanhamento dos dados, racionalizem compras e evitem duplicidade de pedidos. Além disso, sugeriu a criação de uma coordenação para centralizar todas as informações relativas aos processos judiciais.

O Tribunal ainda sugere que o ministério passe a adotar de forma mais ampla o recurso da licença compulsória, que permite ao País comprar ou produzir versão genérica de medicamentos protegidos por patente. E recomendou que os Conselhos de Medicina fiscalizem prescrições.

Em entrevista ao Estado, o ministro Ricardo Barros disse que a pasta já está colocando em prática "todas as medidas" recomendadas pelo TCU. "Parece até que viram as minhas palestras
Herculano
21/08/2017 11:55
PICARETAS DE ESQUERDA E DE DIREITA MENTEM QUE O GOVERNO CORTOU O VALOR DO SALÁRIO MÍNIMO EM 2018. É IMPRESSIONANTE, por Reinaldo Azevedo, na Rede TV

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, teve de gravar um vídeo negando que o governo vá reduzir o valor do salário mínimo. É do balacobaco.

A delinquência intelectual que toma conta do debate público no Brasil, perdido entre os extremismos estéreis do oportunismo, chega a ser assombrosa. Por que extremismo estéril? Porque a retórica exacerbada nasce do nada. Pior: polos ideologicamente opostos se juntam, com alguma frequência, na farsa, na mentira, na falsa notícia. Querem ver?

Qual é a fórmula, em exercício, de correção do salário mínimo, que contou com o apoio das esquerdas e, a rigor, da quase unanimidade das correntes de pensamento do país? 1: corrige-se o valor levando-se em conta a inflação acumulada dos 12 meses anteriores ao do reajuste; no caso, o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor); 2) a título de ganho real, aplica-se a taxa de crescimento da economia registrada dois anos antes.

E se, em vez de crescimento, tiver havido recessão? Aí não acontece nada. Vale dizer: se a economia se expande, o mínimo tem valorização real; se ela encolhe, ele não diminui, sendo corrigido apenas pela inflação.

E assim será até 2019, segundo dispõe a Lei 13.152, de 2015, que atualizou a 12.382, de 2011, de redação semelhante. Destaque-se de novo: se a economia cresce, o mínimo se torna, vamos dizer, sócio desse crescimento; se houver, no entanto, recessão, os 48 milhões de salários mínimos pagos no país não serão rebaixados. Terão a correção da inflação apenas.

Muito bem! O governo é obrigado a apresentar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) do ano seguinte até o dia 15 de abril do ano em curso, e o Congresso só pode entrar em recesso, em julho, depois de aprová-la. Que fique claro: a LDO traz apenas uma estimativa de valores. Até porque ela é pautada, em muitos aspectos, pelo comportamento da inflação, que pode ser presumida, sim, mas nunca dada como absolutamente certa.

Ora, quando o governo projetou o mínimo de 2018, o fez com base na expectativa que se tinha, então, do INPC: previu-se que passaria dos atuais R$ 937 para R$ 979. Alguns Estados contam com leis locais que elevam esse valor. Nesse caso, estimava-se um INPC de 4,48%. Muito bem! O governo não decidiu, à diferença do que afirmam vigaristas de esquerda e de direita, reduzir o salário mínimo. É que, tudo indica, o INPC ficará em 3,41%, bem abaixo do que se supunha. Isso se confirmando, o mínimo passará para R$ 969.

Assim, é mentirosa a notícia de que o governo decidiu baixar o valor do salário mínimo do ano que vem. Até porque esse valor, insista-se, ainda não existe.

A queda da inflação a um ritmo superior ao esperado não teve impacto apenas no salário mínimo, é bom que a gente se lembre, não? O governo teve de rever a meta de déficit fiscal deste ano e do próximo em razão disso. Ora, há impostos que também obedecem à correção inflacionária. Quando o governo estimou, em 2016, as receitas de 2017, previa uma inflação de 5,4%. Ela está agora em 3,28%. Isso significa R$ 19 bilhões a menos de arrecadação neste ano e estimados R$ 23 bilhões a menos no ano que vem.

Vigaristas não gostam de matemática. Preferem discursos ocos e gritaria. Essa conversa de que o governo libera verbas para políticos, mas corta o salário mínimo dos trabalhadores é demagogia vagabunda. Os recursos das emendas são um percentual fixo do Orçamento e são de execução obrigatória. O salário mínimo que será pago no ano que vem não tem nada a ver com isso e depende do resultado da economia de 2016 ?" quando houve um encolhimento de 3,16%, e não haverá, pois, ganho real ?" e da inflação de 2017.

Não caia na conversa de demagogos
Herculano
21/08/2017 11:48
NÚMERO DE SINDICATOS NO PAÍS JÁ PASSA DE 17 MIL, por Cláudio Humberto, na coluna que publicou hoje nos jornais brasileiros

O número de sindicatos no Brasil passou dos 17,2 mil este ano, no governo Michel Temer. Em setembro de 2015, antes do impeachment de Dilma, o total já era impressionante: 15,9 mil entidades. Quando Lula foi reeleito, o Brasil virou campeão no número de sindicatos, com mais de 90% do total mundial. Foi autorizada a criação de 9.382 sindicatos em 2006, mais da metade dos 17.289 de hoje.

MAIS POR VIR
O Ministério do Trabalho confirmou terem sido autorizadas as criações de 112 novos sindicatos, de um total de 391 solicitações só este ano.

MAIS SINDICATOS QUE PROFISSõES
São 11.867 sindicatos de trabalhadores, 5.408 de empregadores, sem contar federações, centrais, associações, conselhos de classe etc.

RESTO DO MUNDO
A África do Sul e Estados Unidos têm cerca de 190 sindicatos; Reino Unido, 168, Dinamarca, 164 e a Argentina, apenas 91.

VIROU NEGóCIO
Os sindicatos brasileiros tiraram compulsoriamente de trabalhadores e empregadores brasileiros mais de R$ 3,5 bilhões, apenas em 2016.

TRABALHADORES MAIS POBRES PAGARÃO POR CAMPANHA
A conta do fundão eleitoral de R$ 3,6 bilhões, costurado por políticos no Congresso para bancar as campanhas do ano que vem, será paga pelos trabalhadores mais pobres. O valor estipulado para o fundo público de campanha é exatamente o mesmo que será "economizado" com o corte no valor do salário mínimo previsto para 2018 na Lei de Diretrizes Orçamentárias e anunciado semana passada pelo governo.

NÃO SÃO Só R$ 0,20
O governo reduziu o valor do salário mínimo de 2018 de R$ 979 para R$ 969. Esses R$ 10 a menos serão a garantia de campanhas ricas.

ERA MELHOR
Em vez de fundo eleitoral, os R$ 3,6 bilhões poderiam ser usados pelo governo para construir 65 hospitais bem equipados para a população.

ÚNICO CONSENSO
Após a proibição da doação empresarial, o fundão com dinheiro público é o único ponto de consenso no Congresso sobre a reforma política.

ELEITOR DESQUALIFICADO
Teve gente que passou o fim de semana deletando declarações de apoio de Cândido Vaccarezza, nas eleições municipais de 2016. Em São Paulo, ele pediu votos para Celso Russomano (PR).

IMOBILIÁRIA BRASIL
O governo federal é uma das maiores imobiliárias do País, com 2.659 imóveis. O Ministério das Relações Exteriores tem 983, até pelas embaixadas e os consulados, mundo afora.

SEM DEMAGOGIA
Relator do projeto que prevê a demissão de servidores incompetentes, o senador Lasier Martins (PSD-RS) parece ter predileção pelas corporações que, claro, são contra. Deveria dar ouvidos à população.

ASSIM NÃO DÁ
A empresa pública Terracap, do governo do DF, ficou muito fragilizada, porque teve de bancar os R$2 bilhões do custo de construção do estádio Mané Garrincha. Hoje a Terracap vende patrimônio para pagar despesas, inclusive a folha salarial mais de R$300 milhões este ano.

DEBATE DE MOSCAS
A Câmara dos Deputados agendou sessões de debates, as chamadas não deliberativas, para esta segunda às 14h e sexta às 9h. Como quem falta às sessões não tem o salário cortado, não há com quem debater.

PROMESSA É DÍVIDA
A caravana de Lula, o réu e condenado na Lava Jato, pelo Nordeste pretende visitar 23 cidades entre a Bahia e o Maranhão, até 5 de setembro. Ele aposta que a "pressão popular" o livrará da cadeia.

VAI DEMORAR
O chefe da Casa Civil do governo de Rodrigo Rollemberg (PSB), Sérgio Sampaio, avalia que somente após uns três governos "muito austeros" o Distrito Federal poderá equilibrar suas contas.

FARRA NA CAPITAL
Mais bem pagos do País, os 24 deputados distritais (DF) custam R$ 73,2 milhões ao ano. O valor supera os R$ 71,4 milhões gastos pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, que tem 40 deputados.

NóS TAMBÉM
Após deixar o PT para se filiar ao Avante, Vacarezza desabafou: "Estamos revoltados com a política...". Imagine o povo, excelência.
Herculano
21/08/2017 11:44
LULA SE TORNOU UM MALUF DE ESQUERDA, por Leão Serva, no jornal Folha de S. Paulo

A foto é expressiva: duas cabeças brancas dominam completamente o quadro em cujo fundo se vê o povo disciplinado, a maior parte com uniforme vermelho. De tão perto, a imagem do ex-presidente é uma metáfora da condição petista: Lula perde cabelos, como seus comícios se tornam cada vez mais ruços.

Em seu discurso, Lula ataca um adversário mais novo (o prefeito João Doria): "Ele saiu do nada"; "Eu queria que ele governasse São Paulo, só isso. Primeiro ele vai ter que comprovar que ele pode fazer. Uma coisa é gerir quitanda, outra coisa é gerir uma cidade", disse, conforme o relato da Folha. O discurso do líder trabalhador envelheceu, mais ainda do que a passagem dos anos. O ex-presidente se transformou em um Paulo Maluf do PT, usando os mesmos argumentos que décadas atrás seu então adversário figadal lançava contra ele.

Para esconder a inversão de sinal, Lula cria um simulacro de si mesmo. A caravana pelo Nordeste é uma remontagem daquela que se seguiu à derrota para Fernando Collor, em 1989, quando saiu da depressão em um ônibus pelo interior do país aplainando o longo caminho para o Planalto. Em 1991, assisti sua passagem por Xapuri, no Acre, onde até eleitores de Collor queriam tocar a grande figura que visitava a cidade. O jovem Lula provocava devoção semelhante às imagens de santos.

Hoje a realidade é inversa: visita a Bahia, governada pelo PT, de braços com seu atual oligarca. A seu lado não está o sindicalista Jacques Wagner mas o coronel que ocupa o lugar que antes foi de Antonio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, chamado "Cabeça Branca" em jingles apaixonados. Não é só a cor dos cabelos, até a roupa branca o líder petista pegou do antecessor no posto de "dono da Bahia".

O resto da caravana vai ser igual: Lula vai percorrer os Estados do Nordeste brasileiro de braços dados com novas e velhos oligarquias regionais, até chegar ao paroxismo de visitar o Maranhão com apoio do novo governador, do PCdoB, e da família Sarney, fora do governo estadual mas sempre com um pé no poder.

Por essa estranha aliança de interesses senis, o discurso de classe dos anos 1980 já não fica bem: Lula agora fala mal de São Paulo, insuflando uma disputa regional que, se radicalizada, pode vir a fazer muito mal ao Brasil. Se o "nacionalismo é o último reduto dos canalhas", o regionalismo deve ser um reduto dos velhacos.

Há outras semelhanças entre Maluf e o Lula de hoje: perseguidos por acusações de corrupção ambos repetem negativas semelhantes; como Saturnos, dominam seus partidos castrando ou engolindo as lideranças independentes; depois de exibições de grande popularidade, ambos têm agora que fugir dos fantasmas dos "postes" que criaram (Celso Pitta e Dilma Rousseff); depois do fracasso dos epígonos, os dois se tornaram campeões das pesquisas antecipadas mas têm de enfrentar o teto imposto pelas taxas de rejeição (no caso de Maluf, as várias derrotas serviram para mostrar como os resultados de pesquisas antes da hora são ilusórios).

A aliança recente entre os dois, eternizada em fotos de quando abençoaram a candidatura de Fernando Haddad, só torna mais patente a coincidência dos espíritos. Lula mexe com a memória do folclore político brasileiro quando ataca alguém por inexperiente. Só falta repetir o slogan de Maluf: "Foi Lula que fez". Ou como outro político mais antigo: "...Mas o Lula faz!
Miguel José Teixeira
21/08/2017 11:42
Senhores,

Diante da matéria jornalística abaixo, volto a replicar a frase do empresário Luciano Hang, proprietário da Havan:

"Confio nas pessoas que acreditam no capitalismo, no valor do trabalho, na força das empresas privadas para geração de riqueza."

Licitações que beiram o absurdo, por Juliana Cipriani, hoje, no Correio Braziliense:

De flores a cadeiras de luxo, passando por vinhos e cervejas de alto padrão e camas king size, editais de compras lançados por todos os poderes mostram o descaso com o contribuinte

Uma licitação na Bahia para contratar professores de corrida e caminhada para juízes e servidores ?" que acabou suspensa na última semana por escandalizar o Brasil ?" chamou a atenção para uma prática que tem sido recorrente no serviço público do país. Trata-se de comprar itens sem a devida comprovação da necessidade e relação com os serviços prestados à população. Em plena crise econômica, multiplicam-se no país licitações para adquirir produtos questionáveis, como flores e arranjos decorativos, vinhos, cervejas, camarões, sofás e até camas e cadeiras de luxo para servir a quem deveria trabalhar para o povo.

Na Bahia, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) suspendeu o processo para contratar os instrutores que auxiliariam os magistrados no treinamento para uma competição de atletismo. A ajuda fitness custaria até R$ 196 mil por ano. Também neste mês, o governo do Rio de Janeiro, que está devendo salários a servidores por causa da crise financeira, abriu concorrência para contratar uma empresa que forneça jatinhos para conduzir o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) em viagens oficiais. O desembolso previsto é de R$ 2,5 milhões por ano. O jato pedido deve ter banheiro privativo, poltronas giratórias e altura mínima da cabine de 1,65m.


O Congresso pretende gastar R$ 1 milhão com camas, colchões, sofás e cadeiras para os parlamentares. Este mês, o Senado abriu licitação para comprar R$ 920.479,05 em cadeiras e modulares para a Casa. Os custos de cada item variam de R$ 980 a R$ 1,9 mil. Já a Câmara dos Deputados lançou pregão eletrônico em julho para comprar 48 conjuntos de cama box de casal "queen size" a um preço estimado de R$ 1.311,33 e outras 12 camas boxes "king size" por mais R$ 1.462 cada um. O custo total das aquisições para "assegurar a habitabilidade dos imóveis funcionais da Câmara dos Deputados" é estimado em R$ 80.487,84.

Também com mobiliário, o Tribunal de Justiça do Paraná pretende gastar R$ 4,7 milhões. O valor é para comprar poltronas, cadeiras e sofás para o Judiciário do estado. Só no primeiro lote, que tem custo estimado de R$ 2,7 milhões, são pedidas 1,6 mil poltronas giratórias a um custo de R$ 1 mil cada. O item mais caro do pedido é a cadeira giratória tipo presidente, que custa R$ 3.656,90 a unidade. Serão compradas 180 delas.

Recentemente, a Câmara Municipal de Belo Horizonte também gastou dinheiro com cadeiras novas. Para igualar o conforto dos vereadores ao dos senadores, a Casa comprou poltronas de R$ 4,7 mil cada. As 50 unidades foram entregues em julho, a um custo de R$ 171 mil, e se somaram a uma reforma de R$ 1,2 milhão feita no plenário, agora revestido de mármore branco e vidros espelhados, entre outros luxos. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, uma tentativa semelhante acabou barrada com a mudança de gestão. Em abril, a Alesp cancelou uma licitação de R$ 1,54 milhão para a compra de 920 cadeiras giratórias de luxo. No ano passado, o Ministério Público Federal (MPF) licitou iPhones e celulares para seus integrantes. Também foram pedidos iPads e celulares funcionais, ao custo de R$ 2 milhões.
Tantas variedades de compras podem representar desvio de finalidade da administração pública, segundo especialistas no assunto. O presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo, Fabrício Motta, explica que a principal questão a ser verificada é se existe interesse público. "É claro que a contratação deve ser voltada a atender às finalidades públicas", disse.

Mesmo assim, em tempos de crise, segundo o advogado, essas necessidades devem ser revistas. "Você tem que escolher prioridades para alocar os poucos recursos. Qual o sentido de se manter gastos exorbitantes diante de outras demandas prioritárias, como saúde e educação?", questiona.

O coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais, José Carlos Fernandes Junior, diz que a administração pública deve obedecer a diretrizes e metas para atender com qualidade à população. Nesse sentido, as licitações devem se prestar aos interesses coletivos. "Toda vez que se detectam situações em que se percebe o desvio de finalidade no emprego do recurso público em favor de interesses que não correspondem ao que avaliamos como em prol da coletividade, o Ministério Público atua", afirmou o promotor.
Herculano
21/08/2017 11:41
PSDB É NINHO DE VÍBORAS, NÃO MAIS DE TUCANOS, por Josias de Souza

O PSDB sempre foi uma agremiação de amigos 100% feita de inimigos. Mas o ninho já não é o mesmo. Virou um serpentário. Antes, eram tucanos trocando bicadas. Agora, são víboras que se envenenam entre si. Por mais que divergissem, os tucanos acabavam deslocando sua massa na correnteza e esperneando da mesma maneira. Na atual fase viperina, porém, a viscosidade da secreção venenosa indica que a coisa pode acabar num sinistro afogamento coletivo.

Parceiros de escândalo, Aécio Neves e Michel Temer viraram a sombra um do outro. Só na semana passada, encontraram-se três vezes. Em nota divulgada neste domingo, o diretório do PSDB paulistano escreveu que Aécio, afastado da presidência do partido, provoca "desconforto e embaraços", pois apenas Tasso Jereissati está autorizado a falar pela legenda como seu presidente interino.

Signatário da nota, o vereador Mario Covas Neto, que preside o PSDB na cidade de São Paulo, caprichou na peçonha: ''Prove sua inocência, senador, e aí sim retorne ao partido'', escreveu, jogando no ventilador o autogrampo de Joesley Batista, no qual a voz de Aécio soa pedindo R$ 2 milhões ?"repassados posteriormente pela JBS em malas e mochilas.

As víboras paulistanas suspeitam que Aécio tricota com Temer para armar uma emboscada contra Tasso. Temer plugou-se no Twitter para desmentir. Disse ter conversado com Aécio sobre usinas hidrelétricas da Cemig, que a União cogita levar ao martelo. "Senadores tratam dos assuntos de interesse de seu Estado. Nada mais normal", escreveu Temer. "Teorias da conspiração são assunto de quem não tem o que fazer.''

Em outra nota, Aécio ecoou a versão de Temer sobre a Cemig. Expressou-se como se ainda estivesse no volante, não no banco do carona de uma legenda pilotada por Tasso: ''O PSDB tem responsabilidade para com a estabilidade política e a recuperação econômica do país, o que torna natural que lideranças do partido tenham conversas com o presidente e membros do governo. Estranho seria se isso não ocorresse.''

Quando tudo já parecia bem confuso, o presidente PSDB no Estado de São Paulo, Pedro Tobias, atravessou no noticiário uma nota em que diverge parcialmente de Covas Neto, o mandachuva do tucanato na capital paulista. Embora também não enxergue em Aécio autoridade para falar pelo PSDB, Tobias sustenta que "como senador eleito por Minas Gerais", ele "tem o dever de exercer na plenitude o seu mandato."

Com tanta nota voando, o deputado Domingos Sávio, que preside o PSDB de Minas Gerais, também deu asas a um texto. Nele, chamou de "lamentável oportunismo" o ataque de Covas Neto. Em vez de defender Aécio, usou o veneno do agressor como antídoto. Sávio tachou o neto de Mario Covas de figura "pouco expressiva". Realçou que ele já foi alvejado por "acusações extremamente graves." Pendurou um ponto de interrogação no pescoço do seu alvo sem esmiuçar as "acusações."

A gincana de notas torna mais densa a crise inaugurada na semana passada, com a veiculação da propaganda partidária na qual o PSDB fez uma "autocrítica" mal recebida pela banda governista do serpentário. Em 2014, quando Aécio Neves bateu na trave na vitória apertada de Dilma Rousseff, o tucanato julgava-se fadado a retornar à Presidênica da República. Os tucanos não imaginavam naquela época que seriam governo antes de 2018, com Temer no comando e a Lava Jato nos calcanhares de vidro de Aécio, Geraldo Alckmin e José Serra.

Em apuros, o serpentário revela-se capaz de quase tudo, menos de articular meia dúzia de propostas para retirar o país do buraco em que se encontra. Dividido em duas grandes alas ?"uma ávida por redescobrir o gosto pelo fisiologismo e outra receosa de perder a castidade presumida?", o PSDB parece condenado à separação. Um grupo deve ficar com o PMDB de Temer e com a má fama do Aécio. O outro, com a certidão de nascimento social-democrata e com o FHC. Que as víboras governistas só poderão visitar uma vez por mês.
Herculano
21/08/2017 11:39
A ESQUERDA, VELHA COMO É, JÁ TEM SEUS CLICHÊS COMPORTAMENTAIS, por Luiz Felipe Pondé, filósofo, no jornal Folha de S. Paulo

Há muito me ocupo do que seria uma tipologia da esquerda contemporânea. Calma! Um dia chegarei a tipologia da direita, aguardo apenas um pouco porque essa, pelo menos entre nós brasileiros, apenas começa a se acomodar em clichês suficientes para formar uma tipologia minimamente científica. A esquerda, velha como é, já tem seus clichês comportamentais.

Primeiro, a clássica, que deixaria a esquerda pós-moderninha, criada nos campi das universidades, em pânico. Essa esquerda confessa suas taras: que morram todos os reacionários. Corrupção é uma ferramenta válida, desde que usada para o partido e a revolução. Multiculturalismo, e sua mania de parques temáticos étnicos, é coisa de gente riquinha besta, com medo de sangue. Essa é a esquerda que, de fato, teme dizer seu nome.

Quase extinta porque sonhou em destruir o capitalismo. E ninguém tem nada para botar no lugar do capitalismo sem por em risco seu próprio capital.

Existe também a esquerda sindicalista. Essa, se retirada a metafísica social de redenção do "mundo do trabalho", é quase sempre formada de gente que adora a contribuição sindical obrigatória, nunca "trabalhou de fato", e enche as ruas com infelizes que ganham um lanche para fazer número. É bastante agressiva quando colocam em risco a sua renda paga pelos cofres públicos.

A esquerda dos "sem" e das vítimas está sempre cobrando algo da chamada "sociedade" -esse conceito vago, mas de grande utilidade retórica. Essa esquerda se alimenta do velho ressentimento humano, produzido em larga escala pelo capitalismo e seu método de produção de riqueza pela competição selvagem.

Há também a esquerda descendente dos hippies. Gente que quer mudar o mundo com a horta da varanda de sua casa e ainda acha o uso de drogas algo "questionador do sistema". Tem pouco dinheiro e se dedica a "arte e política".

Claro, a esquerda dos campi universitários é essencial. Composta de gente da classe média ou média alta, professores e alunos (os funcionários são, na sua maioria, ligados à esquerda sindical porque são mais pobres e nunca vão a congressos que discutem a desigualdade social), se constitui naquela que impacta a cultura e a opinião pública.

Gosta de tramar contra a desigualdade social comendo queijo e tomando vinho, quando não organizando festivais literários, de cinema ou teatro. Quando "prega", quase ninguém entende porque mistura jargão psicanalítico com um marxismo banhado numa jacuzzi cheia de óleos naturais para a pele e geleia "sugarless".

Não esqueçamos da esquerda de Hollywood e seus prêmios pautados por "race, class and gender", faturando milhões com super-heróis Marvel. Essa adora chorar em público.

A esquerda "sexual" é obcecada por suas idiossincrasias individuais que tentam transformar em pautas pedagógicas para crianças recém saídas do berço. Ligadas a essa, está toda a gama de pautas de gênero genéricas.

Há a esquerda dos "recursos humanos" e das palestras corporativas sobre capitalismo consciente. A mais aguada de todas, quase um marketing vagabundo. Usa expressões como "gestão do futuro" e "humanismo empresarial". Não gaste dinheiro com ela.

Também existe a esquerda da moçada que mora perto de onde trabalha e, por isso, confunde seu bairro com uma Amsterdã universal. Pode chegar suada no trabalho porque é dona do próprio negócio. São os "hackers urbanos", tem vocação para experimentalismo urbano e sonha com o Haddad como presidente dos EUA.

A multiculturalista só sobrevive quando tem muito investimento para deixar todas as culturas ali expostas num estado que agrade todo mundo que as visita.

Claro que não podemos esquecer da esquerda artística em geral, que delira com o politicamente correto e tem de si uma tal imagem de santidade política que deixaria Jesus envergonhado. Bienais de todos os tipos são seu templo.

E a "esquerda de mercado"? É a que sabe que para se vencer no mercado cultural deve-se gritar "Fora Temer!". E para não dizer que não falei de religião, existe a esquerda católica, essa mesma que domina o mercado da teologia. Amém.
Herculano
21/08/2017 11:36
O ERRO DE LULA

Conteúdo de O Antagonista. Leia aqui:

"No Sergipe, Lula diz que 'talvez' tenha cometido erros no governo".

Os erros a que ele se refere, porém, foram cometidos por Dilma Rousseff:

"Sei que não fizemos tudo, talvez tenhamos cometido erros. Se a companheira Dilma estivesse aqui, com certeza iria reconhecer que teve erros"
Herculano
21/08/2017 11:25
ATÉ QUE PONTO VALE SE ENGALFINHAR POR ESTÁTUAS E REVISAR O PASSADO, por Vinicius Mota, no jornal Folha de S. Paulo

Sociedades habitualmente reescrevem o passado conforme as vicissitudes do presente. Na Revolução Francesa, até o calendário foi subvertido na tentativa de apagar vestígios clericais e aristocráticos. A coisa não pegou e sucumbiu ao rumo ordenado quase 2.000 anos antes ?"e depois ajustado no papado de Gregório 13?" por outro rompedor, Júlio César.

No centro de São Paulo, a República rebatizou de 15 de Novembro a rua que antes era Da Imperatriz. Mais de um século depois, o elevado Costa e Silva passou a ser João Goulart.

Grupelhos na capital paulista alvejam monumentos, como o Às Bandeiras, no Ibirapuera, e a avolumada estátua de Borba Gato, na zona sul. Imitam, sem impacto comparável, a marcha de movimentos iconoclastas de inclinação identitária nos EUA.

Charlottesville seria só mais uma das páginas dessa história, não tivesse sido iluminada pela reação fascistoide e pelo desfecho homicida. Por todo o território americano, comunidades locais vinham retirando de lugares públicos estátuas e homenagens aos comandantes e aos soldados sulistas da Guerra de Secessão (1861-1865). O episódio na Virgínia apenas acelerou essa tendência.

O viés de recepção negativa das intervenções de Donald Trump deixou passar quase batido um elemento crítico não trivial desse debate. Até que ponto se deveria caminhar com as revisões do passado estimuladas pelas convicções do presente?

Os heróis da independência George Washington e Thomas Jefferson deveriam descer do pedestal por terem sido senhores de escravos? Woodrow Wilson, campeão do princípio da autodeterminação dos povos, deveria ser apagado dos memoriais por ter favorecido a segregação racial?

A questão é que peso dar ao contexto em que as escolhas ocorrem e ao balanço, sempre imperfeito, entre perdas e ganhos. É indagação que se faça aos humanos, não às estátuas a pretexto das quais se engalfinham.

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